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Ex-governador do Tocantins Mauro Carlesse, réu por corrupção, desiste de candidatura ao Senado

Por Lailton Costa
Atualização:
O ex-governador Mauro Carlesse desistiu de candidatura ao Senado. Foto Nilson Chaves/Governo do Tocantins  

Três dias após o Estadão revelar que o Judiciário do Tocantins o havia tornado réu por associação criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, recebido supostamente de propina de hospitais e empresas de saúde que tinham convênio com Plano de Assistência à Saúde dos Servidores do Tocantins (Plansaúde) o ex-governador do Tocantins Mauro Carlesse (Agir) anunciou a desistência da candidatura a senador pelo Tocantins nas eleições de outubro.

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Na sexta-feira, 2 de setembro, o juiz da 3.ª Vara Criminal de Palmas, Rafael Gonçalves de Paula, recebeu a denúncia do Ministério Público do Tocantins contra Carlesse (Agir), o ex-secretário estadual de Estado de Parcerias e Investimentos Claudinei Aparecido Quaresemin, sobrinho do político, a filha Dayana Kiriliuk Carlesse Alves, e mais 12 réus, acusados de desvio de quase R$ 5 milhões do Plansaúde.

Em vídeo de 2min42seg divulgado por sua assessoria nesta segunda-feira, 5, Carlesse afirma que a desistência se dá após pedido da família em meio à "perseguição política" que diz estar enfrentando, colocando em risco a sua integridade e a de sua família.

O político também levanta suspeita de sabotagem, sobre um incidente com um avião usado em sua campanha eleitoral que o levava para Araguaína, segunda maior cidade do estado, a 400 km de Palmas, na semana passada. De acordo com o ex-governador, o avião precisou sobrevoar a cidade por 40 minutos por não conseguir baixar o trem de pouso. Carlesse disse aguardar o resultado da perícia.

"Não é falta de coragem, não é nada disto, é questão de integridade. É poder andar de poder viver, de poder ter uma vida normal principalmente com a minha família", disse.

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Carlesse enfrenta duas denúncias criminais baseadas na Operação Hygea, da Polícia Federal, deflagrada em outubro do ano passado para apurar cobrança de propina de empresário da saúde, em conjunto com a Operação Éris, sobre o aparelhamento da Polícia Civil do Tocantins. As investigações levaram o Superior Tribunal de Justiça (STJ) a afastá-lo do governo estadual e a Assembleia Legislativa a abrir um processo de impeachment, arquivado após a renúncia do ex-governador ao mandato, no dia 11 de março deste ano.

Após se lançar candidato ao Senado, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) impugnou o pedido de registro de candidatura do ex-governador. Na ação, o procurador eleitoral João Gustavo Seixas afirma que a renúncia em meio ao processo de impeachment o deixou inelegível por oito anos, como prevê a Lei da Ficha Limpa.

Nas alegações finais apresentadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-TO), no dia 31 de agosto, a defesa afirma ter sido "simples coincidência o fato de existir processo de impeachment aberto no momento em que o Impugnado já apresentaria sua renúncia" para se tornar compatível para disputar as eleições deste ano. A ação tem a relatoria do juiz Rodrigo de Meneses dos Santos, procurador do Estado de carreira.

Na única pesquisa IPec/Rede Globo/TV Anhanguera sobre a corrida para o Senado divulgada no dia 20 de agosto, Carlesse era o terceiro colocado, atrás de Kátia Abreu (PP) que tenta a reeleição e da deputada federal Professora Dorinha (União).

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