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Opinião|Justiceiros de Copacabana

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Atualização:

Em Copacabana, antes um refúgio sereno à beira-mar, a comunidade agora se destaca como protagonista em uma narrativa complexa de desespero e ação. Impulsionados pela crescente insegurança, grupos tornam-se desafiadores do status quo, transgredindo os limites legais, se tornando uma força de revolta contra a onda de crimes.

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Os roubos perpetrados por marginais em Copacabana acendem a centelha que desperta uma sociedade cansada de esperar por respostas efetivas do Estado. Diante da inanição do poder público, o vazio deixa os moradores à mercê do medo e da indignação, e a resposta toma um caminho perigoso.

Os ‘justiceiros’ improvisados, em sua tentativa desesperada de restaurar a ordem, ultrapassam a fronteira ética e legal, enfrentando a complexa questão: até que ponto a necessidade de segurança pode justificar a transgressão da lei?

A sociedade, ao reagir à falha do Estado, inadvertidamente entra em território legalmente indefensável. O dilema dos ‘justiceiros’ se desenha na luta contra a insegurança porém comprometem valores fundamentais na preservação dos alicerces legais que definem uma democracia.

A sombra dos ‘justiceiros’ não é apenas uma revolta, mas também uma condenação silenciosa da ineficácia do sistema em proteger seus cidadãos, em um palco de contradições onde a ausência do Estado se assemelha perigosamente aos caminhos dos milicianos.

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Na lacuna deixada pela ausência do Estado, os milicianos emergiram como figuras que inicialmente preenchiam o vazio de segurança e ordem. Em muitas comunidades, suas ações eram interpretadas como uma resposta às deficiências do aparato estatal. No entanto, à medida que o tempo avançou, essa percepção inicial de heroísmo cedeu lugar a uma realidade mais sombria. Hoje, os milicianos, longe de serem salvadores, revelaram-se tão perigosos quanto os próprios bandidos que inicialmente buscavam combater.

Moradores do bairro de Copacabana estão atuando como justiceiros diante do aumento de casos de roubos na região Foto: Reprodução/@riodejaneirocomovejo

A transformação desse grupo, de supostos protetores a ameaças, levanta questões profundas sobre a dinâmica complexa entre a sociedade e as estruturas de poder. A ausência de uma presença estatal eficaz pode abrir espaço para a proliferação de grupos autônomos, inicialmente bem-intencionados, mas que, com o tempo, podem sucumbir à corrupção e à violência.

A dependência de alternativas informais, como justiceiros ou milicianos revela não apenas falhas no sistema de segurança, mas também uma necessidade premente de reformas estruturais que reafirmem a autoridade do Estado e assegurem a justiça.

A presença do Estado deve não apenas ser desejada, mas também efetivamente capaz de proteger e servir a população.

*Raquel Gallinati é delegada de polícia; pós-graduada em Ciências Penais, em Direito de Polícia Judiciária e em Processo Penal; mestre em Filosofia; diretora da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol) do Brasil

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