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Opinião|Só dinheiro salva a Terra

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Os maus-tratos infligidos ao planeta produziram aquecimento global excessivo e isso pode acabar com toda espécie de vida. Os cientistas alertam sobre os riscos, mas a consciência da maioria está impregnada de preocupações mais imediatas. Cuidar da sobrevivência rotineira parece prioritário, em lugar de pensar na aventura humana sobre a Terra.

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Se houver saída para a catástrofe, será em virtude de reação do capital. A consciência ecológica é insuficiente para transformar os hábitos. Só ameaças à lucratividade é que terão condições de refrear o acelerado ritmo do rumo ao caos.

Importante e confortador, sob essa vertente, verificar que economistas se dedicam a analisar a situação e sugerir alternativas. O livro “Nem Negacionismo, nem Apocalipse – Economia do Meio Ambiente: uma perspectiva brasileira”, de Gesner Oliveira e Artur Villela Ferreira é uma feliz descoberta.

A busca do equilíbrio entre exploração e preservação levou os dois autores a se devotarem à pesquisa e a elaborarem texto especificamente voltado à situação nacional. O livro daí resultante, dizem eles, “é um apelo à sensatez e à consciência de que, por maiores que sejam as diferenças étnicas, políticas e culturais, habitamos a mesma casa – o Planeta Terra”. Todos, sem exceção, podem contribuir para que o assunto esteja no radar e na agenda individual e coletiva.

Parte-se da constatação de que há um limite físico para a produção e o consumo. A contribuição da economia ambiental se vincula ao verbete sustentabilidade. Não se diz ali, mas é inequívoca a participação de um brasileiro na elaboração desse conceito. Foi Paulo Nogueira Neto, sensível ambientalista, o primeiro Secretário Nacional do Meio Ambiente, mesmo antes da criação do Ministério, quem levou à Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a ideia de que “sabendo usar, não vai faltar”. Daí o Relatório Brundtland, “Nosso Futuro Comum”, que eternizou o nome da norueguesa Gro Harlem Brundtland e definiu sustentabilidade para guiar as gerações do presente e as do amanhã. Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.

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Com base nessa ideia preliminar, produziu-se o chamado “tripé da sustentabilidade”, na feliz expressão de John Elkington nos anos 1990 e que gerou a cultura ESG, para englobar simultânea preocupação e cuidados em relação ao ambiente (Environmental), social e de governança, ou enfoque preponderantemente econômico.

As onze áreas mais nevrálgicas para a garantia da saúde planetária, ou onze grandes ciclos naturais, três já atingiram o clímax, além do qual, só poderão ocorrer desgraças: perda de diversidade genética, ciclo de fósforo e ciclo de nitrogênio. Duas áreas encontram-se em crescente risco e três em níveis aparentemente seguros, enquanto outras três têm níveis de segurança ainda não claramente definidos.

Tudo esmiuçado no livro de Gesner e Artur, cuja leitura se recomenda a todos os humanos angustiados com os expressivos sinais da exaustão do nosso habitat. Mais diretamente, a nós que habitamos em São Paulo, há um perigo muito direto e imediato. A vulnerabilidade em relação à água da qual não podemos abrir mão. Pode-se viver sem petróleo. Não há vida possível sem água doce.

Muitos pensadores anteciparam a crise hídrica imposta ao mundo pelo mau comportamento da humanidade. Como acentuam Gesner e Artur, “a disponibilidade de água doce é fonte histórica de conflitos regionais. Em parte devido a alterações climáticas e em parte por gestão ineficiente de recursos hídricos, o acesso à água está cada vez mais próximo de se tornar uma preocupação global, um problema de quantidade, e não apenas de ineficiência na alocação do recurso”. Antes de se converter em questão global, a insuficiência de água doce no volume necessário a dessedentar os paulistanos, a garantir a confecção de alimentos, a lavagem de roupas, a prática da higiene e os demais usos, já é um grave problema de São Paulo.

Interessar-se por um assunto que talvez tenha passado ao largo, sem despertar maior atenção e sem ocasionar perda de sono, é ao menos conveniente. E a leitura do livro de Artur Villela Ferreira e de Gesner Oliveira é um bom começo.

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Foto do autor José Renato Nalini
José Renato Nalinisaiba mais

José Renato Nalini
Reitor da Uniregistral, docente da pós-graduação da Uninove e secretário executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo
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