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Justiça autoriza transferência do ex-senador Telmário Mota de Goiás para Roraima

Ele é investigado como possível mandante do assassinato da ex-mulher e está preso preventivamente na Ooeração Caçada Real

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Por Rayssa Motta
O senador Telmário Mota é suspeito de ter mandado matar a mãe da filha que o acusou de estupro. Foto: Divulgação/Polícia Civil de Goiás

O ex-senador Telmário Mota será transferido de Goiás para Roraima. A Justiça autorizou nesta quinta-feira, 9, a transferência. Os procedimentos administrativos para cumprir a decisão já tiveram início.

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Ele é tratado pela Polícia Civil como o mandante do assassinato da ex-mulher. Telmário foi preso no dia 31 de outubro.

O sobrinho do ex-senador, Harrison Nei Correa Mota, conhecido como Ney Mentira, apontado como responsável pelo planejamento e logística do crime, se entregou ontem acompanhado do advogado. Ele foi ouvido por cerca de três horas na Delegacia Geral de Homicídios e negou envolvimento no caso.

Com a prisão, a última pendente, a fase ostensiva da investigação foi concluída. O inquérito segue. A Polícia Civil aguarda a perícia em projéteis encontrados na fazenda do ex-senador. Os laudos estão sendo produzidos pelo Instituto de Criminalística Perito Dimas Almeida. Testemunhas e suspeitos também estão sendo ouvidos.

“É uma investigação complexa, que demanda tempo para ser concluída. Existe uma circunstância do dia do fato, outras relacionadas aos dias anteriores ao fato. Precisamos pormenorizar, aprofundar, para saber exatamente quem está envolvido e o que cada um fez. Cada peça que vamos juntando agora, vamos criando informações que serão interessantes para a Justiça”, explicou o delegado João Evangelista em entrevista coletiva.

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A investigação foi aberta para chegar aos envolvidos no assassinato de Antônia Araújo de Sousa. Ela é ex-mulher de Telmário e foi morta com um tiro na cabeça no dia 29 de setembro no bairro Senador Hélio Campos, na zona oeste de Boa Vista, por dois homens em uma moto. Antônia foi abordada quando saía de casa para trabalhar. Um deles perguntou seu nome e, ao confirmar a identidade, atirou. O atirador seria Leandro Luz da Conceição, que também foi preso.

A principal linha de investigação é que a mulher tenha sido executada porque estava com depoimento marcado para falar sobre a acusação de estupro feita pela filha, uma adolescente de 17 anos, que afirma ter sido abusada por Telmário. A adolescente narrou que o pai encostou em suas partes íntimas e tentou tirar sua roupa no Dia dos Pais do ano passado. Quando o caso veio a público, o ex-senador negou as acusações e disse ser vítima de perseguição de adversários políticos.

Antônia ficou ao lado da filha na denúncia. Ela foi morta em uma sexta-feira e seria ouvida pela Polícia Civil na segunda. Desentendimentos sobre o pagamento de pensão também podem ter motivado a execução, segundo os investigadores. “Essa relação (entre Telmário e a ex) passou a ser desastrosa nos últimos 12 meses”, afirmou o delegado Evangelista.

Duas pessoas próximas a Telmário o colocaram no centro das suspeitas da Delegacia Geral de Homicídios. Uma assessora de longa data do ex-senador foi vista indo entregar a moto aos assassinos um dia antes do crime. Os investigadores também descobriram que a moto foi comprada pelo sobrinho do ex-senador.

A assessora, Cleidiane Gomes da Costa, não foi presa, mas cumpre medidas cautelares, como a proibição de contato com os investigados e o uso de tornozeleira eletrônica. Ela confessou, em interrogatório, que monitorou e passou informações sobre a rotina da vítima ao ex-senador nos dias que antecederam o crime.

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Telmário Mota ocupou uma cadeira no Senado entre 2015 e 2022, mas não foi reeleito nas eleições do ano passado.

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