Notícias e artigos do mundo do Direito: a rotina da Polícia, Ministério Público e Tribunais

Notícias e artigos do mundo do Direito: a rotina da Polícia, Ministério Público e Tribunais

Vídeo mostra ex-comandante da FAB relatando ameaça de prisão a Bolsonaro por plano golpista; veja

Carlos Almeida Baptista Junior detalhou reunião com Jair Bolsonaro e confirmou que o então comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, cogitou prender o ex-presidente caso a minuta golpista fosse colocada em prática

PUBLICIDADE

Foto do autor Hugo Henud
Atualização:

Ex-comandante da FAB conta como minuta golpista foi apresentada aos chefes das Forças Armadas

Em depoimento ao STF, Carlos Baptista Júnior confirmou plano de golpe de Bolsonaro para impedir posse de Lula.

O ex-comandante da Aeronáutica Carlos Almeida Baptista Junior relatou, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), detalhes da reunião realizada no Palácio da Alvorada, em 2022, na qual o então presidente Jair Bolsonaro (PL) discutiu uma minuta com teor golpista. Segundo ele, o comandante do Exército à época, general Marco Antonio Freire Gomes, presente no encontro, reagiu com “tranquilidade”, mas ameaçou prender Bolsonaro caso o plano fosse levado adiante.

PUBLICIDADE

O vídeo com o depoimento de Baptista Junior, assim como os de outras testemunhas do “núcleo central” do golpe, foi tornado público nesta terça-feira, 22, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal.

“General Freire Gomes é uma pessoa polida, educada. Logicamente, ele não falou essa frase com agressividade com o presidente da República, ele não faria isso, mas é isso que ele falou. Ele falou com muita tranquilidade, com muita calma, mas colocou exatamente isso. ‘Se o senhor tiver que fazer isso, eu vou ter trabalho e lhe prender’”, disse.

O tenente-brigadeiro do ar, Carlos de Almeida Baptista Junior, durante audiência pública na Câmara, sobre o caso do militar preso com cocaína na Espanha em aeronave da Força Aérea Brasileira.  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Baptista Junior também relatou como reagiu ao receber a minuta golpista durante uma reunião em 14 de dezembro de 2022, entregue pelo então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

“Falei: ‘Esse documento prevê a não-assunção no dia 1º de janeiro do presidente eleito?’ Ele falou que sim. E aí eu falei: ‘Não admito sequer receber esse documento, não ficarei aqui.’ Levantei, saí da sala e fui embora”, contou.

Publicidade

O ex-comandante da Aeronáutica também confirmou que, em mais de uma ocasião, afirmou a Jair Bolsonaro não ter encontrado indícios de fraude no processo eleitoral de 2022.

“Comentei após o segundo turno, na reunião que nós tivemos no dia 1º de novembro, uma terça-feira. Depois comentei nas várias reuniões, cinco ou seis reuniões”, detalhou.

Baptista Junior contou ainda ter avisado o chefe do Gabinete de Segurança Institucional de Bolsonaro, general Augusto Heleno, que a FAB não participaria de uma tentativa de golpe. Eles se encontraram durante uma formatura do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA).

Na ocasião, Heleno acompanhava a formatura de seu neto, quando foi convocado para uma reunião emergencial com o ex-presidente e pediu a Baptista Junior uma carona para Brasília em um avião da Força.

Os dois teriam se dirigido a uma sala, onde o comandante da Aeronáutica alertou Heleno que não admitiria tentativa de golpe. “Eu falei: ‘General, nós nunca conversamos sobre esse assunto. Não é normal o senhor sair no meio da formatura para uma reunião de emergência. No clima que o Brasil está, preciso falar algo para o senhor. Eu e as Forças Aéreas não vamos apoiar ruptura institucional’”, afirmou Baptista Junior no depoimento ao STF.

Vale ler também
Coluna do Estadão
Apesar da pressão de Lula, candidato do PSB no DF se nega a apoiar PT e registra candidatura
Fernando Schüler
Riscos a crianças e adolescentes nada têm a ver com liberdade de expressão
Raquel Landim
Inquérito das fake news tornou-se escudo protetor de ministros do STF

Publicidade