Campanha do PL age para debelar acusação de estupro, e Gaspar diz não aceitar acordo com Lindbergh

Bolsonaristas convocaram a imprensa para prestar esclarecimentos e acionaram o STF e a PGR para oferecer material genético do vice, numa tentativa de comprovar sua inocência

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Foto do autor Guilherme Caetano
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Escolha de Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro surpreendeu aliados durante o anúncio

Senador buscava mulher mas com resistência de partidos do Centrão foi obrigado a fechar chapa pura do PL. Crédito: Estadão

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BRASÍLIA – Um dia após anunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice na chapa, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF) para oferecer o material genético do parlamentar para realização de exame de DNA. A ação é uma tentativa para comprovar a inocência dele diante de uma acusação de suposto estupro de vulnerável.

Também nesta quinta-feira, 6, a equipe do presidenciável chamou jornalistas para prestar esclarecimentos sobre o caso. O encontro e a representação fazem parte de uma estratégia do PL para evitar que o episódio contamine a campanha de Flávio. Apesar de afirmarem não terem dúvida da inocência de Gaspar, a equipe jurídica agora deve atuar no caso para blindar a chapa.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) e o vice de Flávio, Alfredo Gaspar (PL-AL), durante coletiva de imprensa na sede do PL Foto: Divulgação/Beto Barata

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A acusação foi feita em março pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) no dia em que Gaspar, então relator da CPI do INSS, apresentou seu relatório pedindo o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parecer foi rejeitado.

A denúncia provocou tumulto naquela sessão, que foi interrompida para que o relator pudesse se defender. Lindbergh e Soraya enviaram à Polícia Federal pedido de investigação contra Gaspar, que se defende dizendo que o caso se trata de algo que aconteceu com seu primo, e não com ele, em datas diferentes daquelas mencionadas por Lindbergh e Soraya, e sem ocorrência de estupro.

Desde então, Gaspar atacou e se defendeu. Ele pediu o afastamento dos parlamentares envolvidos na denúncia, apresentou uma queixa-crime por calúnia à PGR e ao STF e solicitou apuração por denunciação caluniosa e coação no curso do processo.

Nas representações protocoladas nesta manhã, os advogados da campanha, Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet, alegam que acusação foi feita sem provas por Lindbergh e Soraya. E dizem que “toda a narrativa repousa, por confissão expressa dos subscritores, em informações que ‘chegaram ao conhecimento dos noticiantes’ e em prints de conversas de origem, autoria e integridade desconhecidas”.

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Também argumentam que a PGR se opôs à instauração de um inquérito contra Gaspar e se limitou a um procedimento preliminar de investigação. A decisão mostraria, segundo a campanha do PL, que o órgão “não reconheceu, nos elementos apresentados, a justa causa mínima exigida para a deflagração de persecução penal”.

Para a campanha de Flávio Bolsonaro, de quem Gaspar é vice, mesmo que a PGR tenha recusado começar um inquérito, o episódio causou uma “mancha permanente sobre a honra” do deputado. E que, para acabar com a dúvida, oferece como prova o material genético do acusado, “capaz de demonstrar que Gaspar não é progenitor de nenhuma criança”.

“Caso a PGR entenda que é necessária nova coleta de material genético, (Gaspar) está à disposição para assim proceder. Basta marcar dia, hora e local, e ele lá comparecerá para a coleta. O que não se pode é esperar mais. É imperioso que o confronto genético ocorra o mais rápido possível. A verdade precisa vir à tona. É o que se roga”, diz a representação.

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Os advogados também afirmam “não ser coincidência” que Lindbergh e Soraya tenham acusado Gaspar num momento em que a CPI do INSS dragava Lula para a crise investigada no colegiado. E dizem se tratar da “instrumentalização do processo penal como arma de disputa política”.

(Vou rebater a acusação) cientificamente. Não disseram que eu mantive um relacionamento com uma pessoa (e) que nasceu um filho? Estou implorando: façam um DNA. Estou aqui com meu DNA disponibilizado, me ajudem”, afirmou Gaspar à imprensa.

Questionado se aceitaria um acordo com Lindbergh para uma eventual retirada da acusação, uma vez que integrantes do PL dizem acreditar que o petista ainda vai recuar, Gaspar negou que tenha interesse nisso. “Não, esqueça. Eu não aceito”, respondeu.

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O senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que a campanha de Flávio, que ele coordena, não vai tratar do caso em peças de comunicação, e negou que a escolha de Gaspar dê munição para o PT desgastar a candidatura bolsonarista na campanha eleitoral.

Marinho disse que tinha “absoluta convicção” da inocência de Gaspar e que não houve preocupação com a denúncia. Entretanto, um membro da cúpula do PL relatou ao Estadão, sob reserva, que o partido fez diversas checagens do caso antes de confirmar o nome do alagoano, para evitar que o episódio causasse desgaste para Flávio.

O que dizem os acusadores

Lindbergh e Soraya acusam Gaspar de ter estuprado, oito anos atrás, uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado. A vítima hoje teria 21 anos e a criança, 8.

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Também alegam que a avó da criança foi registrada como mãe, uma vez que a adolescente era nova demais para assumir o bebê. Os parlamentares dizem que isso “reforça a necessidade de pronta verificação documental e biológica dos fatos”.

Eles dizem ter encaminhado à PF prints de conversas e “informações complementares” mostrando que um intermediador de Gaspar teria tentado comprar o silêncio da vítima.

Esse intermediador teria feito um pagamento de R$ 70 mil à mulher, e outros R$ 400 mil estariam sendo negociados, “sempre com a finalidade de assegurar silêncio, impedir a comunicação do crime e garantir impunidade”.

Lindbergh e Soraya pediram à PF o recebimento da notícia-crime, com atuação sob sigilo para proteção da vítima, da criança e das testemunhas; a preservação das provas entregues; e a identificação da pessoa apontada como intermediária de Gaspar.

Também pediram a apuração sobre os pagamentos, que somariam R$ 470 mil; a oitiva reservada das pessoas envolvidas; a inclusão da vítima e das testemunhas Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas; e a investigação do possível crime de estupro de vulnerável e fraude processual.

Consultados à época, os parlamentares disseram que todas as supostas provas foram encaminhadas à PF. Segundo eles, essas evidências estão sob sigilo, e nenhuma delas foi apresentada ao Estadão.

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O que diz o acusado

Gaspar alega que a história, na verdade, refere-se a um caso tido pelo seu primo, Maurício César Brêda Filho, que teria mantido relacionamento sexual com uma mulher de 21 anos em Alagoas quando ele ainda era menor de idade.

Essa mulher teria engravidado e, sem comunicar nada à família, se mudado para o Rio de Janeiro. A criança teria sido batizada de Lourilene Pereira da Silva.

No Rio, a mãe de Lourilene teria se casado e constituído uma família. Anos depois, quando a filha tinha 15 anos, a mãe teria revelado a ela a história sobre o pai biológico. Em 2012, Lourilene teria decidido procurá-lo, segundo ela relata num vídeo de sua autoria enviado ao Estadão.

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“Prontamente o meu pai, Maurício Brêda, se submeteu ao teste de paternidade, e desde sempre vem agindo com muita honestidade comigo, inclusive queria colocar o nome na certidão de nascimento, e eu não quis, por conta da honestidade do meu pai (de criação) que me deu meu nome”, diz Lourilene no vídeo.

“Ressalto que não sou fruto de estupro algum, nem conheço pessoalmente o Alfredo Gaspar. É muito triste comparar, por eles serem primos e terem o mesmo sobrenome, uma história descabida”, afirma ela, que tem hoje duas filhas, uma de 21 anos e outra de 8 anos.

A equipe de Gaspar enviou ao Estadão um exame de DNA realizado em novembro de 2014, em que teria sido confirmada a paternidade de Maurício.

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Soraya Thronicke, por sua vez, rebateu o deputado nas redes sociais. “Apenas para esclarecer: ele apresentou outro caso que nada tem a ver com a denúncia. Estamos tratando de uma possível filha de 8 anos, cuja mãe tem 21. Façam as contas!”, escreveu.

“Para se defender ele trouxe um DNA do primo juiz e um vídeo da filha desse primo já bem adulta que ele reconheceu tardiamente. Uma história não tem nada a ver com a outra”, completou a parlamentar.

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