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Conheça os ex-ministros de Bolsonaro liberados para atuar na iniciativa privada sem quarentena

Aprovação foi dada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República, composta por indicados do ex-presidente

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Por Redação
Atualização:

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República liberou quatro membros do governo de Jair Bolsonaro, entre eles ex-ministros, para exercerem de imediato atividades em empresas da iniciativa privada que mantêm relação com seus antigos cargos, sem passarem pela quarentena. O balanço foi obtido pelo Estadão por meio de Lei de Acesso à Informação. Esse processo de espera, previsto por lei, oferece aos ex-integrantes do governo um salário por seis meses sem trabalhar com o intuito de evitar situações de conflito de interesse.

Vinculada administrativamente à Secretaria-Geral da Presidência, a comissão é composta por sete membros com um mandato de três anos, podendo ser renovado apenas para mais três anos. Atualmente, todos os membros do grupo foram indicados pelo ex-presidente, entre 2020 e 2022. O destaque são os últimos dois titulares nomeados por Bolsonaro no apagar das luzes de seu mandato: o ex-ministro da Secretaria de Governo, Célio Faria Junior, e o advogado e assessor pessoal João Henrique Nascimento de Freitas, chefe da Assessoria Especial de Bolsonaro; ambos com fim de gestão marcado para dezembro de 2025.

Confira os nomes dos liberados:

Fábio Faria (Comunicações)

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Genro de Silvio Santos, o ex-deputado federal Fábio Faria (PP-RN) chegou ao governo Bolsonaro em junho de 2020 indicado pelo Centrão, do qual fazia parte na época, então filiado ao PSD. No momento da nomeação, o ex-presidente buscou desvincular o fato do grupo político, cuja existência e pragmatismo diante da oferta de cargos em qualquer governo Bolsonaro condenou ao longo da campanha de 2018. Segundo o ex-mandatário, Faria era uma indicação pessoal por ser seu “amigo particular” há muito tempo.

Faria atuou diretamente na campanha pela reeleição. Em diversos debates presidenciais, por exemplo, era possível encontrar o ex-ministro aconselhando Bolsonaro durante os intervalos comerciais.

O ex-deputado e ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria (PP-RN), foi liberado da quarentena e irá trabalhar no BTG Pactual. Foto: Evaristo Sá/AFP

A poucos dias de encerrar o mandato, em dia 21 de dezembro, Bolsonaro exonerou Faria. Segundo a publicação do Diário Oficial da União, o pedido partiu do próprio ex-ministro. Ao Estadão, Faria afirmou que deixou o posto para assumir seu mandato de deputado na Câmara dos Deputados antes de uma viagem familiar. A sua volta à Casa aconteceu no dia marcado para a votação, em segundo turno, a PEC da Transição. Agora, ele vai atuar no BTG Pactual, na área de Relações Institucionais.

Bruno Bianco (Advocacia-Geral da União)

Com a saída de André Mendonça para ocupar uma vaga na Suprema Corte, Bruno Bianco passou a ser o advogado-geral da União. Anteriormente, ele era secretário-executivo do recém-criado Ministério do Trabalho e Previdência, comandado na época por Onyx Lorenzoni. Ainda no governo Bolsonaro, ele foi secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia antes da partição da pasta.

O ex-advogado-geral da União, Bruno Bianco, foi liberado da quarentena e irá trabalhar no BTG Pactual. Foto: Edu Andrade/Ascom/ME

Bianco se tornou conhecido em fevereiro de 2020, durante entrevista coletiva que apresentava a reforma da Previdência. Na ocasião, ele virou assunto nas redes por causa da voz mais aguda, característica, se deve a um hiato nas pregas vocais, que acaba deixando o ar passar em meio às cordas durante a fala.

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Bianco será colega de Fábio Faria no BTG Pactual, mas fora do Departamento Jurídico.

Em nota, o banco comentou as contratações: O BTG Pactual está sempre em busca dos melhores profissionais para integrar a instituição, independentemente se sua atuação prévia foi na iniciativa pública ou privada. O Banco conta hoje com mais de 5 mil profissionais e, nos casos em que houve contratação de profissional vindo da esfera pública, o que é comum não apenas no mercado financeiro, mas em todos os setores da economia, sempre o fez conforme a legislação.

Marcelo Sampaio (Infraestrutura)

Marcelo assumiu o posto de ministro da Infraestrutura em março de 2022, após a saída do ministro Tarcísio de Freitas para concorrer ao governo de São Paulo. Sampaio já era um grande conhecido por Bolsonaro por dois motivos: era secretário executivo na mesma pasta e genro do ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.

Este ano, no início do Lula 3, o trabalho de Sampaio foi lembrado durante o discurso de posse do novo ministro dos Transportes, Renan Filho. “Você é um grande servidor de carreira, que passou no concurso público 15 anos atrás e chegou ao ápice da carreira como ministro da Infraestrutura do País, e deixa o cargo de maneira digna, enquanto outros saíram do País para não passar o cargo de presidente. O ministro Marcelo aqui está para cumprir com o seu dever”, disse Renan Filho.

Marcelo Sampaio e Renan Filho durante a cerimônia de transmissão de cargo ao Ministro de Transportes, no dia 3 de janeiro de 2022 Foto: Wilton Junior/ Estadão

Posteriormente, Renan também fez um convite para o ex-ministro bolsonarista: “E depois que você se cansar da iniciativa privada, e eu sei que será logo, porque o serviço público é apaixonante, esse ministério estará de portas abertas para a sua volta”, disse.

À Comissão, o ex-ministro da Infraestrutura informou que foi convidado para trabalhar na Vale, a gigante da mineração e logística.

Caio Paes de Andrade (Presidente Petrobrás)

Em junho de 2022, Caio Paes de Andrade, antigo secretário especial de desburocratização do Ministério da Economia, assumiu o cargo de presidente da Petrobras, sendo o quarto indicado pelo governo Bolsonaro em menos de quatro anos de mandato. Seis meses depois, Andrade aceitou o convite para atuar como secretário de Gestão e Governo Digital de São Paulo no governo de Tarcísio de Freitas.

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Ex-presidente da Petrobras Caio Paes de Andrade já está empregado como secretário de Gestão do governo Tarcísio de Freitas, em São Paulo.  Foto: Michel Jesus/ Agência Câmara