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Lula diz que gênero e cor não são critérios para as suas escolhas para a PGR e o STF

Sobre a vaga de Rosa Weber, petista disse que irá indicar ‘no momento certo’ nome que ‘vote adequadamente sem precisar ficar votando pela imprensa’

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Por Gabriel de Sousa
Atualização:

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda, 25, que gênero e cor não vão ser os seus critérios para indicar os nomes para ocupar as vagas de Augusto Aras na Procuradoria-Geral da República (PGR) e da ministra Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o petista, os anúncios do novo procurador-geral e do novo ministro do STF serão feitos “no momento certo”.

Lula disse a jornalistas que gênero e cor não serão critérios para as suas escolhas para PGR e STF Foto: WILTON JUNIOR

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As declarações do presidente foram feitas em uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto. Ao ser questionado sobre o gênero e cor como parâmetros das suas indicações, Lula respondeu que “o critério não será mais esse”, e que pretende escolher pessoas que possam “atender os interesses e a expectativa do Brasil” e que “vote adequadamente sem precisar ficar votando pela imprensa”.

“Não precisa perguntar essa questão de gênero ou de cor. Eu já passei por tudo isso. No momento certo vocês vão saber quem eu vou indicar. Eu pretendo indicar a pessoa mais correta que eu conhecer e a pessoa que eu tenho mais fé de que vai ser uma grande pessoa na Suprema Corte, que é isso que o Brasil está precisando”, afirmou o petista.

Veja quem é cotado para a PGR

Lula precisa indicar um novo procurador-geral da República para ocupar a vaga deixada por Augusto Aras, que irá encerrar o seu mandato nesta terça-feira, 26. O presidente pode seguir o rito de escolher um nome da lista tríplice feita pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e que é composta pelos subprocuradores-gerais da República Luiza Frischeisen, Mario Bonsaglia e Nicolao Dino.

Outra opção do petista é fazer como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ignorar a lista tríplice, escolhendo um nome de fora. Entre os cotados, estão o vice-procurador-geral eleitoral Paulo Gonet, que tem a sua indicação defendidas pelos ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, o subprocurador Carlos Frederico Santos, responsável pelo oferecimento das denúncias criminais contra os manifestantes do 8 de Janeiro, o procurador Antonio Carlos Bigonha, favorito da cúpula do PT para ocupar cadeira de Aras e amigo de José Genoino e José Dirceu e o subprocurador-geral Aurélio Virgílio Veiga Rios.

Todos os favoritos ao STF são homens

A presidente do STF, Rosa Weber, irá se aposentar compulsoriamente nesta quinta-feira, 28, quando irá completar 75 anos de idade. Parte dos apoiadores de Lula pressionam que o petista indique outra mulher para a Corte, que sem Weber terá apenas a ministra Carmen Lúcia como representante feminina, ante nove ministros homens. Em 132 anos de história, o STF teve 171 magistrados, mas apenas três mulheres. Nunca houve uma mulher negra.

Porém, a expectativa em Brasília é que Lula escolha outro homem, já que em junho ele indicou o ministro Cristiano Zanin, que era o seu advogado pessoal para a cadeira deixada por Ricardo Lewandowski. Entre os cotados para a vaga de Weber estão o ministro da Justiça, Flávio Dino, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Correndo por fora, com apoio de aliados do centro, está o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas.

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Como mostrou o Estadão, o presidente tem dito que quer indicar uma pessoa de sua confiança para a vaga, com quem possa “trocar ideias”, e não tem em vista o nome de nenhuma mulher. Se isso ocorrer, o Supremo voltará 23 anos no tempo – quando tinha nos seus quadros apenas uma mulher, a ministra Ellen Gracie.