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‘A história pode se repetir’, diz Bolsonaro ao citar golpe de 1964 e outros episódios históricos

Presidente cita fatos históricos mais lembrados pela direita, que vão de ruptura democrática à sua própria eleição, para dizer que o ‘bem sempre vence o mal’

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Por Redação
Atualização:

BRASÍLIA - O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) citou fatos históricos, como o golpe militar de 1964 e sua própria eleição, para dizer que a ‘história pode se repetir’.

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“Quero dizer que o brasileiro passou por momentos difíceis, a história nos mostra. 22 (revolta tenentista), 35 (insurreição comunista), 64 (golpe militar), 16 (impeachment de Dilma Rousseff), 18 (eleição do próprio Bolsonaro) e, agora, 22 (eleições atuais). A história pode repetir. O bem sempre venceu o mal”, afirmou ele, citando fatos ressaltados pela direita pouco antes do início do desfile cívico-militar em Brasília.

“Estamos aqui porque acreditamos no nosso povo e o nosso povo acredita em Deus. Tendo certeza que, com perseverança e fazendo aquilo que nós pudermos fazer aqui na Terra, ele fará por nós o que for possível”, declarou Bolsonaro. No Palácio da Alvorada, antes de fazer o breve discurso, Bolsonaro ouviu uma oração. Mais cedo, ele havia reunido ministros no local para um café da manhã.

A expectativa é que Bolsonaro faça um novo discurso logo após o desfile de 7 de Setembro.

O presidente Jair Bolsonaro diz que 'liberdade está em jogo' - 7/9/2022 Foto: Reprodução/TV Brasil

Bolsonaro começou as comemorações em café da manhã com ministros no Alvorada. Nas imagens transmitidas pela TV Brasil, era possível ver o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; e o ex-ministro Walter Braga Netto (PL), candidato a vice na chapa de Bolsonaro à reeleição. O café da manhã entrou também na agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes.

“A todos do Brasil, compareçam às ruas, dá tempo ainda, de verde e amarelo, as cores da nossa bandeira”, convocou Bolsonaro, que pretende capitalizar politicamente o desfile cívico-militar e os atos governistas programados em todo o País. “O Brasil é nosso, sabemos o que queremos, sabemos que aqui realmente é uma terra prometida, um paraíso, lute pela nossa Pátria e pela sua liberdade. Com liberdade, você fica sem limites”, disse.

Para Bolsonaro, a festa é mais do que o Bicentenário da Independência. “É a democracia, a liberdade de um povo. É só ver o que está acontecendo na América do Sul e também em outros países. Mas, obviamente, é uma data marcante para nós”, afirmou, em crítica a governos de esquerda da região.

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Em seguida, o presidente afirmou que sua chegada ao poder em 2019 fez o patriotismo ressurgir no País. “Essa participação cada vez maior da nossa população nesses momentos nos dá força, nos oxigena para ganhar mais coragem ainda para defender o futuro da nossa Pátria”, declarou,. “Cada vez mais estamos vendo a economia do Brasil dando exemplo para o mundo. Temos hoje uma das gasolinas mais baratas do mundo”, seguiu. Em seguida, destacou a criação do Auxílio Brasil de R$ 600.

O valor do auxílio, porém, terá validade apenas até o fim do ano e não está garantido a partir de janeiro do próximo ano. Recentemente, Bolsonaro menciounou que poderia criar uma taxação de lucros e dividendos como forma de preservar o benefício. Vale lembrar que a Proposta de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, que prevê valor médio mensal de R$ 405 para o benefício.

Uso eleitoral

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Distrito Federal instaurou nesta terça-feira, 6, um inquérito civil para que o governo Jair Bolsonaro adote “medidas de prevenção” para que “o ato oficial do Executivo e o desfile cívico militar em comemoração ao bicentenário da Independência neste 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, não se confunda com ato de natureza político partidária”. A solicitação foi remetida, por ofício, ao ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.

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De acordo com o Ministério Público Federal, também foi oficiado o Secretário Especial de Comunicação Social, André de Sousa Costa, para garantir que a participação de servidores civis se dê “sem qualquer forma de coação ou constrangimento”.

Ao determinar a instauração do inquérito, a procuradora regional dos Direitos do Cidadão Luciana Loureiro Oliveira e a procuradora regional adjunta Marcia Brandão Zollinger ressaltaram dois aspectos que devem ser considerados de forma preventiva para garantir que o ato oficial não se confunda com manifestação político-partidária, num exercício de ponderação entre a livre manifestação do pensamento e a necessidade de zelar pelo respeito dos poderes públicos aos princípios, garantias, direitos, deveres e vedações previstos na Constituição da República.

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