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Pacheco quer retirar grades de proteção do Congresso um ano após atos golpistas de 8 de janeiro

Presidente do Senado brincou que foi “intimado” por Lula a estar em Brasília para uma cerimônia no Congresso em defesa da democracia

Foto do author Iander Porcella
Foto do author Julia Affonso
Por Iander Porcella (Broadcast) e Julia Affonso

BRASÍLIA - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse nesta sexta-feira, 22, que deve determinar a retirada das grades de proteção colocadas em volta do Congresso após os atos golpistas de 8 de janeiro. O parlamentar também brincou que foi “intimado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a estar em Brasília para uma cerimônia no Congresso em defesa da democracia no dia 8 de janeiro.

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Lula quer fazer um grande evento na data que marca um ano da invasão das sedes dos Três Poderes, com a presença das principais autoridades da República. O objetivo do ato simbólico no Legislativo é evitar que o ataque à democracia seja esquecido. Na ocasião, extremistas defenderam um golpe militar no País para destituir o petista, que havia tomado posse uma semana antes, após vencer o ex-presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022.

“Fui devidamente intimado pelo presidente da República. Ele me falou ‘Pacheco, estou pensando em fazer um evento do 8 de janeiro. Passou um ano, a gente precisa não deixar esquecer isso’”, contou o senador, durante café da manhã com jornalistas na residência oficial do Senado.

O presidente Lula convidou Pacheco para ato sobre os ataques de 8 de janeiro  Foto: Andre Borges/EFE

Pacheco respondeu a Lula que concordava com a ideia, mas não estaria em Brasília no dia 8 de janeiro porque faria uma viagem com seu irmão. “Ele (Lula) não gostou. Passou um tempo, o Flávio Dino me ligou”, relatou o presidente do Senado. O ministro da Justiça e Segurança Pública telefonou para combinar com o senador a organização do evento.

Pacheco, então, disse a Dino que organizaria o ato, mas voltou a afirmar que não poderia estar presente. Depois disso, Lula ligou para o presidente do Senado e insistiu para que ele fosse a Brasília no 8 de janeiro. “Pacheco, liga lá para o seu irmão e fala que você vai no dia 9″, propôs o petista ao senador. O presidente do Senado, então, concordou em participar do evento.

O parlamentar disse que Lula voltou ao assunto durante a posse do novo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e em outras ocasiões e que cobrou também a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso.

“Na promulgação (da reforma tributária), ele (Lula) olhou para mim e falou ‘você vai estar aí no dia 8, né?’”, relatou também Pacheco. O senador pretende retirar as grades do Congresso, mas disse temer manifestações no 8 de janeiro caso a proteção seja removida no dia 7, como já sugerido a ele.

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Divergências com Lira

No café com jornalistas, além de relatar telefonemas e conversas com Lula, Pacheco fez brincadeiras sobre sua relação com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por vezes conturbada. “Esse é o cachorro do Arthur Lira”, afirmou, ao ouvir latidos do animal de estimação do deputado. A fala provocou risadas. “É o cachorro de propriedade dele”, corrigiu.

Os dois parlamentares são vizinhos em Brasília. As residências oficiais da Câmara e do Senado ficam no bairro Lago Sul da capital federal. Um coelho que vivia na casa de Lira se mudou para as instalações do senador, de acordo com o próprio Pacheco. “O coelho do Arthur está vivendo aqui. Não aguentou lá o ambiente (na residência da Câmara), aqui é mais tranquilo”, brincou.

No começo do ano, Pacheco e Lira protagonizaram embates sobre o rito de tramitação das Medidas Provisórias (MP) editadas pelo governo. “Não pode haver uma cumplicidade absoluta entre os presidentes das Casas, isso diminui o parlamento”, disse o senador, ao minimizar as divergências. Na promulgação da reforma tributária, ambos trocaram elogios

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