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Temer pede 'pacto de não agressão' entre Skaf e Padilha

Vice-presidente afirma que Dilma tem espaço no palanque do PMDB e que Congresso terá de acabar com 'bacanal eleitoral'

Por Marcelo de Moraes e BRASÍLIA

Principal padrinho da candidatura de Paulo Skaf ao governo paulista, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) defende um "pacto de não agressão" com o petista Alexandre Padilha. Segundo ele, ambos representam a aliança nacional entre PT e PMDB e, se a presidente Dilma Rousseff quiser, o palanque de Skaf está aberto a ela.

O 'pacto' proposto por Temer tenta evitar a repetição do roteiro da campanha municipal paulistana de 2012, quando o petista Fernando Haddad só chegou ao 2.º turno contra o tucano José Serra após direcionar todas as forças para derrubar o então candidato Celso Russomanno (PRB), que estava entre os favoritos, assim como ocorre hoje com Skaf.

A presidente Dilma Rousseff e o sr. repetem a aliança de 2010, mas há dificuldades nos palanques regionais. Deu mais trabalho reproduzir a parceria?

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A avaliação é positiva. Na última eleição, tivemos Estados que se colocaram radicalmente contra a aliança. A situação melhorou. Em Santa Catarina, tínhamos a maioria do PMDB contra a aliança; agora temos praticamente a totalidade do partido apoiando. No Rio Grande do Sul, tínhamos a quase totalidade do PMDB contra; hoje o número de parceiros é muito maior. Em Mato Grosso do Sul, nosso governador e candidato à reeleição, André Puccinelli, não pôde nos apoiar por razões locais, mas hoje tem alardeado apoio à chapa. Há divisões, mas numericamente a posição hoje talvez seja melhor que a de 2010.

Mas houve problemas sérios em palanques como Rio, Bahia e Ceará, onde alianças foram fechadas com o PSDB de Aécio Neves. Realmente, no Rio houve uma divisão. Mas lideranças como (o governador) Luiz Fernando Pezão, (o prefeito) Eduardo Paes, (o ex-governador) Sergio Cabral e prefeitos apoiam a chapa. Vai haver divisão, mas não será prejudicial a ponto de negar por inteiro os votos do Rio. No Ceará, temos no senador Eunício Oliveira um defensor da chapa. Na Bahia, a situação é distinta. O candidato ao Senado, Geddel Vieira Lima, na eleição passada estava conosco, e agora está numa chapa em que ele mesmo se diz impossibilitado de nos dar apoio.

No Rio, a base tem quatro candidatos, o que já produziu a chapa "Aezão", juntando Aécio e Pezão, e levou o petista Lindbergh Farias a se aliar ao PSB de Eduardo Campos. Essa fragmentação não pode custar uma vitória que parecia natural ao PMDB?

Todos os candidatos são da base e tem revelado apoio à presidente. O problema é como administrar isso. Não estabelecemos ainda como conviver com isso.

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Dilma vai ao palanque de todos?Ou vai no dos quatro ou não vai no de nenhum. Fará seu palanque próprio e todos vão a ela. Ainda não está decidido.

Em São Paulo, o PMDB tem uma candidatura que decolou e a do PT não está bem nas pesquisas. Como o governo e o sr. vão administrar essa disputa?

Naturalmente, vou ajudar a chapa de Paulo Skaf, apesar do respeito por Alexandre Padilha. Vou ao palanque de Skaf e não ao de Padilha. Não tenho como auxiliá-lo na eleição do Estado, justamente porque sou de lá. Mas o palanque de Skaf é nosso, da nossa chapa com Dilma.

Se Dilma quiser, Skaf abrirá o palanque a ela?

Se ela pedir para participar do palanque, não tem problema. Porque isso representará que ela quer enaltecer as qualidades de Skaf. Nós a convidamos para a convenção do PMDB. Ela não foi nem na dele, nem na de Padilha.

O sr. é a favor da participação dela no palanque de Skaf?

Eu não sou contra.

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Se a eleição em São Paulo se polarizar entre o governador Geraldo Alckmin e Skaf, o sr. acredita que a presidente e outros governistas vão desembarcar da candidatura de Padilha?

O governo não faria isso com Padilha. O que pode ocorrer é que no segundo turno, se estivermos lá, venhamos a ter o apoio do PT. Como foi na Prefeitura de São Paulo. Os dois candidatos, Fernando Haddad e Gabriel Chalita, conviveram em harmonia. Quando Haddad foi ao segundo turno, Chalita se juntou.

O sr. defende um pacto de não agressão entre Skaf e Padilha?

Sou a favor. Até porque os dois candidatos estão na nossa campanha nacional, e esse pacto já vem acontecendo. Não creio que aconteça qualquer espécie de agressão entre os candidatos.

Como o sr. avalia a adesão de última hora do PP na campanha de Skaf após o presidente estadual da sigla, Paulo Maluf, ter até tirado foto ao lado de Padilha?

Recebemos a informação de que o PP queria se afastar. Mas reconheço que Maluf foi fiel. Ele disse: 'Dei minha palavra'. Mas parece que não conseguiu se fazer prevalecer na Executiva. Foi uma decisão partidária.

O sr. acha que o PP poderia ter migrado para Alckmin?

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Acho. Isso não seria bom nem para o PT, nem para Skaf. Entre perder tudo e ganhar do jeito que se ganhou, foi melhor assim.

O País acompanhou um processo de formação de alianças que foi chamado de "bacanal eleitoral". Passou do limite?

Vejo esse quadro com tristeza cívica. Já disse que não é possível mais a existência de tantos partidos. Temos que estabelecer regras que permitam que o partido seja o que deve ser: uma parcela da opinião pública, que pensa de uma determinada maneira, e quer chegar ao poder para executar um programa. Não temos mais do que quatro ou cinco correntes de opinião no País.

Como o eleitor vê esses fatos?

Isso não agrada ao eleitor. Espero que seja a última eleição em que acordos tão criticados venham a acontecer. Isso ocorreu até com meu partido. Se não melhorarmos o sistema político, a próxima eleição será desastrosa. A verticalização das alianças seria extremamente útil. Os partidos são juridicamente nacionais, mas com vocação regional que se sobressai.

Como fazer o Congresso aprovar regras que podem dificultar a sobrevivência de seus membros?

A consciência nacional influência o Legislativo. Tenho impressão de que o próximo Congresso estará disposto a fazer isso. Podemos até fazer consulta popular, se for o caso.

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Com que espírito o eleitor irá às urnas em outubro: com a cabeça nos protestos de 2013 ou na festa da Copa de 2014?

O eleitor irá pautado pelo critério da esperança. O eleitor tem a impressão de que as coisas chegaram a tal ponto que os próximos quatro anos serão melhores. Ainda existe a esperança que o País continue a crescer, como nos últimos anos. Por isso a história que vamos fazer mais ainda e melhor. O eleitor vai entender que quem hoje governa é capaz de continuar mudando. E isso virá no programa eleitoral, onde se mostrará o que foi feito e o que será feito no futuro. Não podemos ter vergonha de ser governo. Pelo contrário.

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