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Valdemar diz que objetivo do PL é ‘reeleger’ Bolsonaro e não crê em inelegibilidade do ‘capitão’

Líder do partido sai em defesa de ex-presidente, que pode perder direitos políticos por oito anos em julgamento no TSE

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Foto do author Natália Santos
Por Natália Santos

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou, em um vídeo publicado nas redes sociais, que o objetivo do partido é “reeleger” Jair Bolsonaro (PL) e que não acredita que o ex-presidente “fique inelegível pelo que ele falou”. As declarações do dirigente foram feitas após a o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciar o julgamento que pode cassar os direitos políticos do ex-presidente por oito anos – a sessão será retomada na terça-feira, 27.

“Não vamos admitir injustiças contra o nosso capitão. Não acredito que um presidente da República fique inelegível pelo que ele falou. Isso não existe em nenhum lugar do mundo. Bolsonaro vai seguir firme e tenho convicção que será o nosso candidato”, disse Valdemar nesta quinta-feira, 22. O próprio ex-presidente, no entanto, ao avaliar a possibilidade de condenação pela Corte disse que “os indicativos não são bons” e que é “quase unanimidade” que ele vai perder a ação.

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No vídeo, Valdemar afirmou que, para o partido ganhar a eleição presidencial de 2026, é preciso fortalecer a legenda. Segundo ele, o objetivo da bancada é “reeleger” Bolsonaro.

“Nós elegemos 99 deputados federais e, por mais que cada um seja único na sua história, todos nós temos um objetivo em comum, que é reeleger Bolsonaro e fazer valer os valores da direita, pois são esses os objetivos que nos unem. E para que a gente possa ganhar as eleições em 2026, nós precisamos internamente fortalecer o partido”, disse.

A ação a qual Bolsonaro é alvo foi movida pelo PDT e tem como base uma reunião convocada pelo então presidente com embaixadores, em julho do ano passado. Na ocasião, o presidente, sem apresentar provas, colocou em dúvida a lisura sistema eleitoral e atacou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do TSE.

O ex-presidente é acusado de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, e, se for condenado, ficará impedido de participar das eleições de 2024, 2026 e 2028, podendo voltar em 2030 – a pena acabaria quatro dias antes da disputa.

Nesta quinta-feira, 22, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou o julgamento que pode retirar os direitos políticos do ex-chefe do Executivo e mudar o futuro da direita nas próximas eleições Foto: Wilton Junior/Estadão

Iniciado nesta quinta-feira, o julgamento no TSE ficou restrito a manifestações dos advogados de acusação e defesa e do Ministério Público Eleitoral. A sessão será retomada na próxima terça-feira, com o voto do relator, ministro Benedito Gonçalves.

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‘Afronta’

Nesta terça-feira, 22, antes de embarcar para Porto Alegre, Bolsonaro classificou como uma “afronta” a possibilidade de o TSE suspender os direitos políticos dele. Para o ex-chefe do Executivo, caso ele seja condenado e fique inelegível por oito anos, a decisão pode desmotivá-lo a continuar 100% ativo na política.

“Na minha idade, eu gostaria de continuar 100% ativo na política. Tirando os seus direitos políticos, que, ao meu ver, é uma afronta, você perde um pouquinho desse gás”, afirmou o ex-presidente, em vídeo divulgado nas redes sociais dele.

Enquanto a Corte Eleitoral decidia o seu destino, o ex-presidente realizava uma viagem a Porto Alegre para comparecer nesta sexta-feira, 23, a um ato de filiações ao PL, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, e, logo depois, ser o homenageado de um almoço promovido por correligionários na Churrascaria Gaúcha.

Ao desembarcar na capital gaúcha, Bolsonaro foi recebido por apoiadores aos gritos de “mito” no Aeroporto Salgado Filho, de onde saiu em carro aberto seguido em carreata pelos apoiadores. Essa é a primeira visita de Bolsonaro ao Estado após deixar a Presidência.

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