PUBLICIDADE

Primo de Arthur Lira é exonerado do Incra após pressão do MST por mudança no órgão

Integrantes do movimento pediam saída de Wilson César de Lira Santos do cargo de superintendente em Alagoas desde o ano passado; Ministério do Desenvolvimento Agrário diz que houve troca no cargo ‘para um melhor fluxo das necessidades de ambos os lados serem atendidas’

Foto do author Julia Camim
Por Julia Camim
Atualização:

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) exonerou Wilson César de Lira Santos do cargo de superintendente regional de Alagoas após cobranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). César Lira é primo do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que acumula divergências com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

PUBLICIDADE

A decisão publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 16, ainda dispensou Andressa Torres do cargo de substituta, nomeando José Ubiratan Rezende Santana para a Superintendência Regional da autarquia. O nome do engenheiro agrônomo foi indicado pelo MST.

Durante o “Abril Vermelho” do ano passado, integrantes do MST invadiram o prédio do Incra em Maceió para reivindicar a exoneração de César Lira, considerado por eles um “bolsonarista raiz”. Ele foi nomeado para o órgão em 2017, durante o governo de Michel Temer (MDB) e, com o apadrinhamento do deputado, permaneceu no cargo durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

Procurado pelo Estadão, o Incra informou que a exoneração “se trata de uma troca de cargo de confiança que já estava prevista na gestão da autarquia”. Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, responsável pelo órgão, disse que o cargo exige “articulação com os movimentos e a adequação das ações do governo federal para as necessidades dos trabalhadores do campo e das bases da reforma agrária”.

Ainda segundo o ministério, em Alagoas houve a troca no cargo “para um melhor fluxo das necessidades de ambos os lados serem atendidas”. A reportagem tenta contato com César Lira e o espaço segue aberto para manifestação.

Prédio do Incra foi ocupado pelo MST e outros movimentos em 2023 para exigir exoneração de César Lira. Foto: Mykésio Max/MST

César Lira é considerado pelo MST um “inimigo da reforma agrária”. À época das invasões, os militantes, em nota, exigiam “que o comando do órgão” saísse das mãos dele, “que representa a continuidade da gestão bolsonarista”.

A nomeação de Santana ocorre ao mesmo tempo em que o MST realiza novas invasões que fazem parte da Jornada Nacional de Luta em Defesa da Reforma Agrária no “Abril Vermelho” de 2024. O movimento tem pressionado o governo Lula e anunciou a invasão de 24 áreas em dez Estados e no Distrito Federal nesta segunda-feira, 15.

Publicidade

A exoneração também se dá durante a crise entre o presidente da Câmara e Padilha. Os dois romperam relações no início deste ano após divergências sobre o repasse de emendas parlamentares do Ministério da Saúde. A ministra da pasta, Nísia Trindade, é apadrinhada pelo ministro das Relações Institucionais que, neste mês, foi chamado de “desafeto pessoal” e “incompetente” pelo deputado.