Delator do PCC: Justiça Militar solta três policiais acusados de envolvimento na morte de Gritzbach

Tenente Thiago Maschion Angelim da Silva e os soldados Abraão Pereira Santana e Julio Cesar Scalett Barbini vão responder ao processo em liberdade; defesas não foram localizadas

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Por Redação

O Tribunal de Justiça Militar de São Paulo soltou três dos 15 policiais militares envolvidos no assassinato do empresário Antonio Vinícius Lopes Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) executado a tiros em novembro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.

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Em audiência realizada nesta quarta, 10, o Conselho Permanente de Justiça deferiu o alvará de soltura referente ao tenente Thiago Maschion Angelim da Silva e aos soldados Abraão Pereira Santana e Julio Cesar Scalett Barbini. Eles vão responder ao processo em liberdade. A defesa deles não foi localizada.

Na ação penal, os 15 policiais militares são acusados dos crimes de falsidade ideológica e de promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa.

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Relembre o caso

Em abril deste ano, os policiais foram indiciados pela Corregedoria da Polícia Militar. Entre eles, estão o cabo Denis Antonio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, apontados como os executores de Gritzbach, além do tenente Fernando Genauro da Silva, que teria dirigido o carro que levou os assassinos até o aeroporto. A defesa dos agentes não foi localizada.

Outros 12 policiais militares foram indiciados por organização criminosa por envolvimento na escolta do delator – embora a prática seja informalmente tolerada, a Corregedoria aponta que o grupo teria “pleno conhecimento da natureza criminosa das atividades desempenhadas por Gritzbach”. Um último PM foi indiciado por falsidade ideológica e prevaricação.

Corregedoria da Polícia Militar indicia 16 integrantes sob suspeita de crimes ligados ao assassinato do empresário Antonio Vinícius Lopes Gritzbach Foto: Ítalo Lo Re/Estad~dao

Conforme o relatório conclusivo da Corregedoria, ao qual o Estadão teve acesso, outros 12 policiais militares indiciados teriam “como função específica prover segurança pessoal e patrimonial a Antônio Vinícius Lopes Gritzbach (há relatos que outros membros da facção criminosa, como Django, Cebola e Japa também contavam com escoltas fornecidas por integrantes da Polícia Militar do Estado de São Paulo)”.

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“A princípio, essa conduta poderia ser interpretada como mera infração disciplinar. No entanto, ao aderirem de forma livre e consciente à prática, os militares não apenas se afastaram dos deveres e valores institucionais da PMESP, como também afrontaram os pilares da hierarquia, comprometendo a imagem da corporação e a confiança da sociedade”, aponta o documento.

A Corregedoria acrescenta ainda que, “em vez de proteger a população, os agentes passaram a proteger criminosos faccionados ao PCC, utilizando para isso conhecimento técnico, treinamento e estrutura oferecidos pela própria instituição”.

De acordo com o relatório, a conduta “representa verdadeira traição aos valores da Polícia Militar, pois trata-se da execução de segurança pessoal a criminoso de alta periculosidade”.

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O documento aponta que ficou comprovado que todos os 12 indiciados por organização criminosa participaram, de alguma maneira, da escolta prestada a Gritzbach. Diz ainda que a participação de alguns desses policiais em grupos de WhatsApp chamados “Só rapazes bonitos e envolvidos” e “Vip V” corrobora com a participação nas atividades ilíticas.

Já o agente indiciado por falsidade ideológica e prevaricação teria “deixado de adotar providências administrativas cabíveis diante da ilegalidade constatada”. Além disso, teria fraudado documentação com o intuito de regularizar a situação funcional de um integrante da escolta com quem mantinha convivência, “conduta que atenta gravemente contra a moralidade e legalidade no âmbito da Administração Militar.”

Na conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM), a Corregedoria da corporação pediu a manutenção da prisão preventiva de 14 policiais que já estão detidos, incluindo o trio suspeito de ter participação direta no assassinato de Gritzbach. Os agentes estão no presídio Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. O espaço está aberto para manifestação dos indiciados.

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