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Roubos no ‘drive’ das escolas assustam pais de alunos na Vila Madalena e na Pompeia

Colégios reforçam segurança para coibir casos na zona oeste de São Paulo. Secretaria diz que Ronda Escolar será incrementada, mas destaca a queda nos registros na região em janeiro

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Por Gonçalo Junior
Atualização:

Roubos nas portas de escolas assustam pais e alunos e obrigam colégios particulares a reforçar medidas de segurança em bairros da zona oeste, como Pompeia e Vila Madalena. As escolas estão contratando mais agentes de segurança, que percorrem toda a vizinhança, não só a porta da escola, e também aumentam os investimentos em câmeras e iluminação.

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A Secretaria de Segurança Pública afirma ter registrado queda de 13,5% nos roubos em janeiro deste ano, comparado ao mesmo período de 2023 na 3ª Delegacia Seccional (Oeste). “O policiamento nas localidades, realizado pela PM por meio da Ronda Escolar, será reforçado”, informou o órgão.

De acordo com os pais, os casos são mais frequentes nos pequenos congestionamentos que se formam nos horários de entrada e saída dos alunos. Em geral, assaltantes de moto ou bicicletas abordam os pais dentro dos veículos. Os alvos dos bandidos são, em geral, os aparelhos celulares, como conta Leticia Lyle, diretora da Camino School, na Pompeia.

As escolas, como a Camino (foto), estão contratando mais agentes de segurança, que percorrem toda a vizinhança, não só a porta da escola, e também aumentam os investimentos em câmeras e iluminação Foto: Taba Benedicto/Estadão

“A gente reparou um aumento no número dessas ocorrências, ou seja, pessoas de moto ou de bicicleta que passam e puxam os celulares. Desde janeiro a gente tem percebido que isso aconteceu”, diz a educadora. “E a gente também sabe de outras escolas na região que também notaram o aumento desse tipo de ocorrência.”

Queixas semelhantes foram ouvidas pelos educadores do Colégio Santa Clara, na Vila Madalena. “No início de fevereiro, fomos informados por pais de alunos sobre tentativas de roubos em semáforos do bairro”, conta o assistente de direção Nei Márcio Oliveira de Sá.

O tema é tratado com discrição pelas vítimas, que preferem não se identificar. A mãe de um aluno relatou um assalto na Rua Livi no mês passado perto do Colégio Santa Clara. No horário de início das aulas, ela aguardava para deixar as duas filhas quando um motoqueiro encostou perto do carro e pediu a aliança.

Ela estava com uma fresta do vidro do carro aberta. As meninas não perceberam o que estava acontecendo. A mãe entregou o objeto e o motoqueiro acelerou. Não houve feridos.

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No mesmo bairro, representantes do Colégio Vera Cruz citam “relatos pontuais de ocorrências no entorno”.

Em alguns colégios, os próprios policiais realizam palestras de conscientização para os alunos. A principal recomendação é não deixar o celular exposto, especialmente em locais públicos Foto: Taba Benedicto/Estadão

Diante dos relatos, os colégios reforçam a segurança de várias maneiras. Além de contratar mais profissionais de segurança, a Camino School orienta que eles não se concentrem apenas nas portas das escolas, mas também nas esquinas e ruas próximas. Os investimentos em infraestrutura de segurança também aumentaram com a instalação de 25 novas câmeras, além de novos pontos de iluminação.

Gestores do Colégio Santa Clara enviaram um ofício para a Polícia Militar solicitando reforço na segurança. De acordo com os educadores, o pedido foi atendido, com aumento do efetivo policial nos horários de pico. “Há mais de um mês não recebemos informações de outras ocorrências envolvendo os pais do Colégio Santa Clara”, diz Sá.

Em alguns colégios, os próprios policiais realizam palestras de conscientização para os alunos. A principal recomendação é não deixar o celular exposto, especialmente em locais públicos.

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A ocupação dos espaços próximos às escolas e o envolvimento da comunidade são outras estratégias para diminuir a sensação de insegurança dos pais e alunos. “Existe um movimento de conversar com a comunidade, com outros comerciantes da região que também têm reparado esse aumento de assaltos. A gente faz uma ação coletiva de cuidar desse espaço, de ocupar, de trazer um pouco mais de luz para as ruas, todo mundo junto”, diz Leticia Lyle.

Essa estratégia vem sendo adotada inclusive por colégios que não registraram episódios recentes de violência, como o Colégio Rio Branco, em Higienópolis, na região central. “O relacionamento próximo com os órgãos oficiais é fundamental, bem como a parceria com os estabelecimentos, empresas e instituições do entorno para a manutenção de uma rede de apoio e comunicação, fazendo a região mais segura para todos”, informou o colégio em nota.

As discussões sobre segurança avançam também no âmbito pedagógico, dentro da sala de aula. Os cuidados com o espaço urbano são temas ainda mais presentes no dia a dia escolar. “Todos os dias ocorrem saídas para as praças do bairro, durante as aulas e em momentos de recreio. Nossos alunos aprendem, desde cedo, a conviver no espaço público, o que necessariamente passa pelo tema da segurança”, informa o Colégio Vera Cruz.

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Secretaria da Segurança diz reforçar atuação na área

A Polícia Civil não localizou o registro dos casos citados pela reportagem, mas informa que está à disposição das vítimas para a formalização das denúncias. A Secretaria de Segurança Pública informou que “as forças de segurança estão empenhadas no combate à criminalidade em todas as regiões de São Paulo, incluindo nas adjacências dos colégios da zona oeste, para garantir a segurança dos estudantes, corpo docente e moradores próximos”, diz o órgão.

“Como resultado dos esforços na área da 3ª Delegacia Seccional (Oeste), responsável pelos endereços citados, 476 infratores foram presos/apreendidos e 48 armas de fogo retiradas das ruas, enfraquecendo as atividades ilícitas da região. Na região, ainda, houve redução de 13,5% nos roubos em janeiro de 2024, comparado ao mesmo período de 2023″, diz outro trecho da nota.

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