Azeite de oliva: conheça maneiras de utilizar o óleo para cuidar da pele, do cabelo e da saúde

Benefícios vão desde hidratação da pele em cosméticos ao combate da inflamação do organismo pela dieta, dizem especialistas; veja como escolher a melhor opção

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Por Ana Lourenço
Atualização:

Não é de hoje que se fala dos benefícios do azeite. Repleto de vitaminas E, A e D e com antioxidantes ativos que ajudam a combater o envelhecimento, o óleo já foi chamado de “ouro líquido”. No antigo Egito, acreditava-se que o segredo de beleza de Cleópatra incluía banhos de azeite para garantir hidratação e elasticidade da pele. Já na Grécia antiga, os atletas tinham o hábito de passar o azeite pelo corpo quando participavam de competições, como forma de proteger a pele do sol. Quando um deles era vitorioso, recebia de presente uma coroa de folhas de oliveira – tradição que se mantém até hoje.

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O azeite também é usado como combustível de lâmpada, óleo de massagem e, claro, na culinária. Recentemente, especialistas retomaram essas sabedorias antigas para reforçar a importância e a multifuncionalidade do alimento para o corpo, pele e cabelo.

”Azeite é tudo de bom”, diz a chef de cozinha Perola Polillo, de 37 anos. Apesar de já saber dos benefícios do óleo no preparo dos alimentos, sua “admiração” cresceu por pura curiosidade. “Depois de formada em gastronomia, eu fui para a Itália, estudar na ONAOO, uma escola tradicional que tem uma boa base de especialização de azeites. Ali eu comecei a fazer a identificação do óleo com a natureza”, afirma. Ao descobrir que todos os benefícios do azeite eram puros, sem adição de solventes ou conservantes, ela se encantou. “A gente realmente bebe todos os benefícios da natureza.”

A partir dos aprendizados, Perola passou a incluir o produto em outros aspectos do seu dia a dia. “O azeite é muito mais do que comida. É alimento para o corpo. Sempre fui curiosa, sempre adorei produtos manuais, e percebi que poderia usar o azeite para além da comida”, diz.

Assim, ela criou sabonetes, condicionadores, xampus, óleos essenciais e até biscoitos caninos que têm o azeite como base. Chegou a vendê-los, mas, com a pandemia, manteve somente o consumo próprio.

“Eu estou consumindo azeite há tantos anos, que vejo que tenho uma imunidade muito boa e faço o meu sistema trabalhar a meu favor. Além disso, percebo a diferença na qualidade da minha pele, no meu cabelo, que está mais forte; é nítida a mudança de textura. Mas não é um milagre, é um estilo de vida.”

Quais os benefícios do azeite de oliva?

Perola não é a única que aproveita os benefícios do azeite para além da alimentação. O movimento já é comum na Europa e nos Estados Unidos, com produtos para cabelos e pele tendo o óleo como base. No Brasil, marcas como Galena e Terroir Beauty também investem nessa direção.

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“Sempre observei esse movimento da indústria cosmética lá fora. Sou fã dos benefícios do azeite para pele, pois ele ajuda na reposição da barreira lipídica, aumenta a firmeza, a hidratação e melhora a textura”, diz Luciane Scattone, dermatologista e consultora médica da Terroir. “Os nossos produtos não são fitoterápicos, ou seja, eles não têm somente um ativo natural, eles têm respaldo médico, inclusive da Anvisa, e podem ser utilizados em todos os tipos de pele.”

De acordo com ela, por ser rico em vitamina K e em antioxidante oleocanthal, o azeite melhora a imunidade da pele e é anti-inflamatório. “Ele por si só tem diversos benefícios, mas não tem liga. Além do cheiro, que não é tão prazeroso para um produto de beleza. Por isso, acrescentamos coisas novas, com tecnologias de absorção, cheiros gostosos e estabilidade”, diz.

Além do azeite brasileiro, os produtos contam com Superox C, uma espécie de vitamina C, que é antioxidante e atua no hormônio do estresse, com o intuito de reduzir o aparecimento de rugas, e a Skinectura, um extrato de uma planta australiana que estimula a produção de colágeno e diminui as asperezas da pele. “Sua consistência não é gordurosa, apesar do que pensam, e ela serve para face, pescoço e colo – o que facilita a skincare.”

Já a Galena utiliza altas doses de hidroxitirosol (antioxidante já presente no azeite, mas não em grandes quantidades, como na oliveira). “Essa planta resiliente é capaz de sintetizar uma variedade de compostos fenólicos antioxidantes. Assim, auxilia na melhora da hiperpigmentação da pele por retardar as reações oxidativas envolvidas na melanogênese e na otimização dos processos energéticos celulares”, diz Cláudia Coral, farmacêutica especialista em ativos para beleza e bem-estar e vice-presidente da Galena.

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Conforme explica Marcia Linhares, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, por ser composto por antioxidantes, ácidos graxos e ter propriedades anti-inflamatórias, o azeite ajuda a manter a pele saudável, hidratada e protegida contra danos. Assim, favorece a uniformização e iluminação e suavização, além de estimular a renovação celular e a produção de colágeno e da elastina. Se na pele o objetivo é prevenir a flacidez e o surgimento de rugas, no cabelo o foco é hidratar, combater o frizz, dar brilho e nutrir os fios.

“Um dos principais benefícios do óleo de oliva é a sua capacidade de ajudar a prevenir o envelhecimento precoce. A exposição ao sol e a poluição podem danificar a pele e levar ao aparecimento de rugas e linhas finas. No entanto, os antioxidantes e ácidos graxos presentes no óleo de oliva ajudam a proteger a pele contra esses efeitos prejudiciais. Além disso, o óleo é conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias, o que significa que pode ajudar a acalmar a pele irritada e inflamada – o que pode ser especialmente benéfico para pessoas com pele sensível ou propensa a problemas de pele, como a rosácea”, diz Marcia.

O óleo de oliva também contém esqualeno, um emoliente natural que ajuda a manter a pele macia e hidratada. Por isso mesmo, ele pode ser utilizado diretamente na pele, sem estar em nenhum produto, de acordo com a dermatologista. A única diferença são os outros benefícios e a durabilidade que os produtos comercializados poderão trazer. Considerado um óleo carreador, ou seja, agrega os benefícios de outros compostos, o azeite também é ótimo como base de demaquilantes, esfoliantes caseiros e óleos essenciais. “Gosto de misturar com calêndula para utilizar em assaduras de bebês ou com lavanda, para massagens relaxantes”, diz Perola.

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‘O azeite é muito mais do que comida. É alimento para o corpo’, afirma Perola Polillo, que usa o óleo de oliva como base de sabonetes e xampus.  Foto: Taba Benedicto/Estadão

Um dos primeiros usos do azeite foi em pomadas caseiras, que serviam para curar feridas, afinal os óleos fenóis possuem propriedades fungicidas. “Por ter propriedades antibacterianas, pode ajudar a prevenir a acne e outras infecções da pele, desde que seja indicado pelo especialista, caso contrário pode acabar obstruindo os poros e provocar ainda mais cravos e espinhas. Por isso, é recomendado fazer um teste em uma pequena área da pele antes de utilizar o óleo”, diz.

Quem pode comer azeite de oliva?

Apesar dos benefícios que o azeite traz para pele e cabelo em forma de produto, sua importância na alimentação é cada vez mais difundida. De acordo com a US News & World Report (compilado americano que classifica dietas há mais de 30 anos), a dieta mediterrânea, que tem como base o consumo de azeite, é a melhor do mundo pelo sexto ano consecutivo.

“A dieta mediterrânea é baseada em gorduras insaturadas (azeite, castanhas e abacate), vegetais (fibras), carboidratos in natura (cereais, grãos e leguminosas) e baixo aporte de gordura animal”, afirma o nutricionista Thiago Barros. Além de combater os radicais livres, o composto hidroxitirosol, presente em sua composição, também pode retardar o envelhecimento do cérebro. Por ser uma gordura saudável, o azeite também apresenta função de laxante natural.

”A gordura monoinsaturada presente no azeite, em especial ácido oleico, e os polifenóis apresentam efeito anti-plaquetário, antioxidantes e anti-inflamatórios. Sabe-se que o excesso de gordura saturada (proveniente de alimentos de origem animal, como carnes e embutidos) aumenta o risco cardiovascular e a fração LDL do colesterol, que seria o colesterol ruim”, diz Thiago.

A nutricionista Ramiele Calmon faz questão de tomar uma colher de azeite por dia. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Uma das seguidoras das dietas e fã de carteirinha do azeite é a nutricionista Ramiele Calmon, de 40 anos. Ela faz questão de, todos os dias, tomar uma colher de sobremesa do líquido, além de utilizá-lo para a preparação de alimentos e como tempero de saladas. “Tomo e recomendo para os meus pacientes essa colherzinha diária. Além disso, sempre que vou comer fora levo meu próprio frasco com azeite na bolsa, afinal tenho sensibilidade e inflamação no intestino e os óleos comuns contribuem para essa infecção”, diz.

Além de buscar os benefícios antioxidantes e de proteção cardiovascular que o azeite traz, Ramiele é entusiasta dos efeitos do produto na imunidade e na ação cognitiva. “Existe muita coisa que podemos tratar através da nossa alimentação e a ciência cada vez mais vem nos mostrando isso”, diz.

Alguns estudos ainda não conclusivos, como o publicado em 2017 na revista Annals of Clinical and Translational Neurology, defendem que o consumo do azeite extravirgem pode proteger a memória e a capacidade de aprendizado – além de reduzir a formação de placas beta-amilóide e emaranhados neurofibrilares no cérebro, marcadores da doença de Alzheimer.

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Quais os tipos de azeite?

No mercado, podemos encontrar azeite de oliva tradicional, azeite virgem e sua versão extravirgem. Suas classificações variam por causa da acidez, e não pelo sabor, características sensoriais ou variedade de oliva utilizada.

Justamente pela acidez, o extravirgem é considerado o mais benéfico para a saúde, tendo até 0,8% de acidez. “O teor de antioxidantes (compostos fenólicos, em especial os polifenóis) difere dependendo da variedade e maturação da oliva, condições de processamento, tipo de extração do azeite e fatores agronômicos, como clima e latitude”, diz Thiago.

Por não ser processado, refinado e industrializado de maneira excessiva, o azeite, especialmente o extravirgem e o virgem, são puros, retirados diretamente das oliveiras e mantêm suas propriedades nutricionais. Graças ao perfil de gorduras monoinsaturadas e de compostos bioativos, a degradação do azeite é mais lenta em comparação a outros óleos, protegendo seus nutrientes da oxidação. Nesse sentido, o melhor óleo para se utilizar na cozinha para refogar, grelhar, assar ou até mesmo fritar é o azeite de oliva extravirgem, recomenda.

Recomenda-se que a ingestão máxima de gordura seja de 35% do valor energético total. Foto: Pixabay

Recomenda-se que a ingestão mínima de gordura seja de pelo menos 15% e a máxima, de 35% do valor energético total. Em indivíduos com colesterol alto, esse consumo não deve ultrapassar 7% das calorias totais. “Por outro lado, recomenda-se a ingestão de 10-15% de gorduras monoinsaturadas, ou seja, cerca de 8 a 10 gramas por dia (1 colher de sopa). Então o consumo de azeite, associado à melhora do contexto alimentar, ajuda a reduzir os níveis de colesterol total e LDL. Ou seja, mesmo com o colesterol alto, há margem para o consumo de gordura boa”, afirma Thiago.

Ramiele gosta de consumir no mínimo duas fontes de gorduras monosaturadas por dia. “Na maioria das vezes é a minha colher de azeite e uma porção de oleaginosa, como a castanha”, diz ela, que ainda lembra a importância de avaliar o estilo alimentar e o total de gorduras totais ingeridas.

Para garantir estar consumindo um azeite de qualidade, identifique a origem do produto e confira se foi produzido e engarrafado no mesmo lugar. Outro critério relevante é verificar a safra pelas datas de envase e de validade. Lembre-se de que quanto mais fresco, mais aroma e sabor ele terá. Azeites embalados em vidro escuro ou lato têm suas características mais bem conservadas. Se estiver em dúvida sobre o tipo, opte pelo extravirgem.

Como colocar o azeite no dia a dia?

  • Hidratante

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Por combater as rugas e hidratar a pele, o azeite pode servir de hidratante facial com apenas algumas gotas na pele limpa, máscara facial, quando misturado com mel ou demaquilante. Nesse caso, indica-se lavar com água em seguida.

  • Fortalecimento

O óleo é uma boa base para um esfoliante caseiro, quando misturado com açúcar, ou óleo essencial para óleos de massagem. Também pode fortalecer os lábios rachados, cutículas e unhas.

  • Óleo capilar

Para combater o frizz, aplique o óleo nos fios e deixe agir durante a noite. Lave ao acordar. É indicado principalmente após exposição ao cloro e sol.

  • Saúde dos órgãos

Substitua os óleos comuns pelo azeite. Seja para usar o líquido quente, como em frituras, ou frios, como tempero de salada, o produto sempre é a melhor opção. Além de combater os radicais livres, favorece a proteção da longevidade das células e é um digestivo natural.

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