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Certos alimentos podem de fato reduzir o risco de câncer? Veja o que a ciência já sabe

Seguir uma dieta saudável de forma geral tem papel importante na prevenção do câncer; saiba o que estudos apontam sobre alimentos específicos

Por Nikki Campo

THE NEW YORK TIMES – Em média, mais de uma em cada três pessoas nos Estados Unidos terá câncer em algum momento da vida, de acordo com a Sociedade Americana do Câncer. E muitos desses casos, dizem, podem ser potencialmente prevenidos, até mesmo com alterações na dieta.

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Os cientistas têm uma boa ideia de quais alimentos você deve evitar para reduzir o risco de câncer, como carnes vermelhas e processadas, alimentos “rápidos” ou processados, álcool e bebidas açucaradas. Mas saber o que comer nem sempre é fácil, disse Johanna Lampe, pesquisadora de prevenção do câncer no Fred Hutchinson Cancer Center, em Seattle.

Muitos estudos nutricionais dependem de pessoas que se lembrem com precisão do que consumiram até um ano atrás, disse Lampe. E é complicado entender como alimentos específicos podem influenciar a saúde quando fazem parte de uma dieta mais ampla, disse ela, acrescentando que estilo de vida, ambiente, hormônios e genes também podem ter um papel importante nesse processo.

Nenhum alimento pode, sozinho, prevenir o câncer, disse Nigel Brockton, vice-presidente de pesquisa do Instituto Americano de Pesquisa do Câncer em Washington, D.C. Mas seguir uma dieta saudável parece reduzir o risco, disse ele.

Aqui estão alguns alimentos que os especialistas dizem que vale a pena adicionar ao seu prato.

Brócolis e seus primos crucíferos

Vegetais crucíferos como brócolis, couve-de-bruxelas, couve-flor e repolho são fontes ricas de isotiocianatos, compostos vegetais que ajudam nossas células a eliminar toxinas e a se repararem, o que é crucial para a prevenção do câncer, disse Lampe.

Os brotos de brócolis, por exemplo, são ricos em isotiocianato sulforafano, que pode aumentar as linhas de defesa naturais do corpo contra danos diários às células, acrescentou ela. O composto tem sido associado à proteção contra vários tipos de câncer, como câncer de próstata, mama, bexiga e colorretal.

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A pesquisa sugere que consumir mais de quatro ou cinco porções de vegetais crucíferos por semana está associado a um risco reduzido de câncer e outras doenças crônicas.

Brócolis, couve-de-bruxelas, couve-flor e repolho têm compostos associados à prevenção do câncer Foto: shersor/Adobe Stock

Tomates e pratos à base de tomate

Faz tempo que estudos associam o tomate à redução do risco de câncer de próstata, graças às suas abundantes reservas de licopeno, um potente antioxidante que dá ao tomate sua cor vermelha.

Mas o licopeno pode ser apenas um dos muitos compostos do tomate que ajudam na defesa contra o câncer de próstata, disse Nancy Moran, professora assistente de nutrição no Baylor College of Medicine, em Houston. E pesquisas descobriram que o licopeno também pode proteger contra outros tipos de câncer, como mama, pulmão e colorretal.

Processar tomates, como cortá-los ou cozinhá-los, nos ajuda a absorver o licopeno mais facilmente do que quando os comemos crus, disse Moran. Consumir tomates com gordura também ajuda. Portanto, comê-los cozidos, como no molho ou com uma gordura saudável como o azeite, pode aumentar os benefícios para a saúde que você obtém deles.

Feijão e outros tipos de leguminosas

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Variedades de feijão comum, como feijão preto e feijão vermelho, e leguminosas como grão de bico, ervilha seca e lentilha não são apenas ricos em proteínas. Também são ótimas fontes de fibras, o que é crucial para a saúde intestinal e imunológica, disse Brockton.

As fibras também estão associadas à prevenção do câncer colorretal. As bactérias do nosso intestino transformam as fibras em combustível para as células que revestem o cólon, o que as mantém saudáveis e com menor probabilidade de se transformarem em células cancerígenas, disse Brockton.

De acordo com Brockton, os benefícios protetores das fibras surgem depois de comer cerca de 30 gramas – ou 2 xícaras de feijão preto – por dia.

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O feijão e outras leguminosas são ricos em fibras, substâncias importantes para prevenir tumores Foto: shaiith/Adobe Stock

Castanhas, especialmente nozes

As castanhas são ricas em gorduras saudáveis, proteínas e fibras, e estudos descobriram que as pessoas que as consomem tendem a ter riscos reduzidos de vários tipos de câncer, especialmente os do sistema digestivo.

As nozes, em particular, contêm níveis excepcionalmente elevados de compostos vegetais chamados elagitaninos, que são convertidos pelas nossas bactérias intestinais em metabolitos que podem reduzir a capacidade de um câncer crescer e se multiplicar.

John Birk, gastroenterologista da UConn Health que realizou colonoscopias em pessoas para ensaios clínicos que pesquisam os benefícios das nozes para a saúde do cólon, disse que é fácil detectar um “cólon de nozes”. O revestimento da parede do cólon “tem uma aparência mais saudável, uma espécie de reflexo brilhante da luz do endoscópio”, disse ele.

Estudos sugerem que comer um punhado de nozes por dia está associado a benefícios para a saúde.

Frutas silvestres

Frutas como morangos, mirtilos, amoras, romãs e framboesas são repletas de antioxidantes, como vitamina C e flavonoides, que ajudam a proteger as células do estresse e de danos ao DNA que podem aumentar o risco de câncer. Compostos vegetais chamados antocianinas dão a essas frutas seus tons coloridos e sua potência anti-inflamatória. E reduzir a inflamação é importante porque “é um grande fator de câncer”, disse Brockton.

Dorothy Klimis-Zacas, professora de nutrição clínica na Universidade do Maine, disse que um conjunto crescente de evidências sugere que certos compostos das frutas silvestres podem ajudar a reduzir a capacidade de o câncer se desenvolver, crescer e se multiplicar.

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Para obter maiores benefícios anti-inflamatórios, consuma cerca de meia a 1 xícara dessas frutas frescas ou congeladas (e de preferência orgânicas) por dia, disse ela.

Alho

Este alimento potente contém altos níveis de alicina, um composto de enxofre que é responsável pelo forte odor do alho e por sua capacidade de combater o câncer.

Em um estudo de longo prazo com mais de 3 mil pessoas que vivem em uma região da China conhecida por ter altas taxas de câncer do estômago, pesquisadores descobriram que para cada 1 quilo de alho que os participantes consumiam por ano, eles tinham 17% menos risco de desenvolver a doença. Isso equivale a cerca de cinco dentes de alho por semana, disse Wen-Qing Li, pesquisadora de câncer do Hospital do Câncer da Universidade de Pequim e autora do estudo.

De acordo com Li, consumir alho cru – prensado em óleo para molho de salada ou em guacamole, por exemplo – ajuda “a manter vivos os sabores e os elementos químicos”.

Este artigo foi originalmente publicado no New York Times. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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