Gerando resumo
Uma mistura de tênis, badminton e tênis de mesa. Esse é o pickleball, esporte que nasceu nos Estados Unidos, em 1965, e que nos últimos anos começou a conquistar os brasileiros, ganhando espaço principalmente entre pessoas de alta renda.

Praticado em um espaço de 13,4 m x 6,10 m, com uma bola de plástico rígida e furada, o jogo difere dos seus pares em relação às regras e contagem de pontos.
No pickleball, vence quem primeiro acumular 11 pontos, com vantagem de dois pontos sobre o adversário. O objetivo do jogo é fazer com que a bola passe por cima da rede e o oponente não consiga devolvê-la. As partidas podem ocorrer mano a mano ou em duplas, sem separação por gênero.
Benefícios para a saúde
Por ser realizado em uma velocidade menor do que o tênis e o badminton, o pickleball atrai pessoas de todas as idades, inclusive idosos, e pode trazer inúmeros benefícios para a saúde.
Segundo Rafael Pombo Menezes, professor da Escola de Educação Física e Esporte de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EEFERP-USP), a prática da modalidade pode melhorar a aptidão cardiorrespiratória, a resistência muscular e a força. “Além de proporcionar também melhoria na sociabilização e em aspectos relacionados à saúde mental”.
Willian Pimentel, profissional de educação física e diretor executivo do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), aponta que, quando praticado de forma correta, o pickleball pode:
- aumentar o ritmo cardíaco, promovendo uma melhor função cardiovascular e reduzindo o risco de doenças cardíacas;
- melhorar a agilidade e a flexibilidade;
- fortalecer e tonificar vários grupos musculares, incluindo os das pernas, tronco e braços;
- ajudar a controlar a pressão arterial, o peso corporal e os níveis de açúcar no sangue;
- estimular a produção de endorfinas, reduzindo os níveis de estresse.
Estudo publicado no British Journal of Sports Medicine que analisou os benefícios de vários esportes para a saúde, acompanhando mais de 80 mil adultos ao longo de nove anos, mostrou que aqueles que praticam regularmente esportes de raquete reduzem o risco de morte em 47%, em comparação com os sedentários.
Isso acontece, segundo os pesquisadores, porque os esportes de raquete envolvem todo o corpo, exigindo flexibilidade, agilidade e coordenação motora, além de um treino mental do esportista para decidir onde rebater ou sacar a bola e que força aplicar nas jogadas.
“O pickleball tem sido um sucesso no Brasil e no mundo porque é um esporte de fácil aprendizado e inclusivo, não só na questão de jogadores com necessidades especiais, mas também pela idade. Hoje, tem sido comum jogadores acima de 50 anos”, diz George Silva, diretor geral da Confederação Brasileira de Pickleball (CBP).
Pickleball conta como exercício aeróbico?
Menezes explica que, pela duração das partidas e tempo em que o praticante permanece jogando, o pickleball pode ser considerado um excelente exercício aeróbico.
“A intensidade dependerá da forma como o praticante se relaciona com a modalidade. Em jogos com características mais ‘competitivas’, os esforços tendem a ter uma intensidade maior, enquanto naqueles encarados como uma prática de lazer, tendem a uma intensidade moderada”.

A prática do pickleball por 30 a 50 minutos, entre adultos saudáveis, pode ser uma boa alternativa para substituir uma caminhada ou corrida.
“Quem vai determinar a intensidade da prática da atividade é o profissional que a orienta”, diz Pimentel. “É importante ser acompanhado por um profissional de educação física, principalmente quando o praticante é iniciante e está usando a modalidade para sair de um período sedentário.”
Cuidados
Juliano Mangini Dias Malpaga, médico ortopedista especializado em trauma esportivo, afirma que os músculos dos membros inferiores, incluindo quadríceps e panturrilhas, são bastante acionados durante o jogo. Por isso, é importante tomar cuidados básicos ao praticar a modalidade.
“Da mesma forma que em outros esportes, todos os jogadores de pickleball estão sujeitos a distensões musculares e entorses. Lesões por uso excessivo, como tendinites, são comuns em jogadores que exageram na quantidade e intensidade dos treinos”, detalha Silva.
Para minimizar o risco de lesões, é fundamental realizar um aquecimento adequado para preparar os músculos para a atividade, buscar orientação sobre exercícios de fortalecimento muscular complementares ao esporte, utilizar equipamentos corretos e tênis apropriados.
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Segundo Silva, calçados específicos para a prática de tênis e de basquete são os mais recomendados ao praticar pickleball, pois oferecem uma proteção melhor para os pés e tornozelos. “O uso de óculos para a proteção dos olhos também é importante”, orienta.
Como praticar
Embora seja uma “febre” entre pessoas de maior poder aquisitivo, o pickleball exige investimentos menores do que esportes como tênis. Uma raquete para iniciantes pode ser adquirida por valores que oscilam entre R$ 160 e R$ 200, e o aluguel de uma hora de quadra custa a partir de R$ 120 em estabelecimentos de São Paulo — a CBP estima que existam mais de 50 quadras de pickleball espalhadas pela cidade.
“Hoje, temos atletas com mais de 80 anos que frequentam a quadra do Parque Ibirapuera, mais de uma vez por semana. Além disso, já temos categorias em competições de pickleball exclusivas para atletas 50+, 60+ e 70+”, afirma Silva.
Segundo ele, a CBP tem trabalhado com projetos de introdução do pickleball em escolas públicas e privadas, além da formação de instrutores e atletas. A ideia é popularizar o esporte no Brasil, assim como ocorreu nos Estados Unidos.


