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Chicago, onde a arquitetura se confunde com a história da cidade

Reconstruída depois de um incêndio em 1871, ela virou símbolo de inovação na construção; saiba o que visitar

Foto do author Ana Lourenço
Por Ana Lourenço
Atualização:

Mais do que a cidade dos ventos, do blues ou da arquitetura, Chicago é a cidade da reconstrução. Ela foi literalmente levantada na década de 1850, quando seu rápido crescimento exigiu um melhor sistema de esgoto. Depois, em 8 de outubro de 1871, um incêndio a destruiu, matando mais de 300 pessoas e fazendo com que 17 mil casas fossem ao chão.

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Até hoje não se sabe o motivo do fogo ter iniciado. Há, apenas, uma lenda de que uma vaca pertencente à família O’Leary, chutou uma lamparina e deu início ao desastre. No entanto, é certo que o tempo seco e a grande quantidade de construções de madeira ajudaram a dilacerar o caos.

Na reconstrução da cidade, arquitetos – tanto visitantes, quantos locais –, foram atraídos para pensar em estratégias de segurança e planejamento urbano. Novas técnicas e materiais foram introduzidos, criando o estilo arquitetônico mundialmente famoso como a Escola de Chicago, que representa um estilo de construção que utiliza ferro na estrutura das construções em vez de madeira, o que possibilita a produção em série. Essa foi a base da construção dos arranha-céus – algo bem característico de Chicago.

Por causa da importância da arquitetura e engenharia da cidade, há diversos serviços turísticos que exploram esse tópico. Um dos mais famosos é o Open House, um festival anual gratuito apresentado pelo Centro de Arquitetura de Chicago, que permite a visita a diversos edifícios normalmente não abertos ao público. Este ano, a 12.ª edição do evento ocorreu entre 15 e 16 de outubro, ofereceu acesso aos bastidores de mais de 100 locais de importância arquitetônica, histórica e cultural. A data para o ano que vem ainda não foi divulgada, mas sempre acontece perto da segunda semana de outubro.

Como é apenas um final de semana e mais de 20 bairros da cidade para serem vistos, é preciso planejamento. No site openhousechicago.org todas as atrações ficam disponíveis para o visitante criar o seu roteiro ideal. Além disso, pelo aplicativo, o visitante pode conferir restaurantes, cafés e outras lojas próximas aos locais que participam do festival.

É importante dizer que os locais escolhidos mudam anualmente. Mas Chicago conta com diversos espaços que também podem ser incluídos pelo visitante em uma simples caminhada ou participando de um dos diversos tours arquitetônicos disponíveis. Abaixo, algumas opções que valem a visita.

The Chicago Board of Trade Building

A imponente estrutura art déco não passa despercebida. Além de um exterior ricamente ornamentado, com pilares de pedra carregados de detalhes, seu interior é luxuoso, cheio de mármore e vidros. Foi criada em 1848 como um local central para realizar transações sobre os preços futuros das commodities. Somente durante a Open House é possível ver o interior de seu histórico cofre, mas passeios como o Walking Tour do Centro de Arquitetura de Chicago (US$ 30) oferecem a visita do prédio.

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Visão lateral do Chicago Board of Trade Building Foto: Ana Lourenço

Wintrust’s Grand Banking Hall

Construído em 1924 e reformado em 2015, o edifício neoclássico fica no principal cruzamento do distrito financeiro de Chicago, o Loop. Seus espaços interiores incluem uma mistura de arquitetura neoclássica com influência art déco. Destaque para o salão do segundo andar, com mais de 8 mil m², que à noite se transforma em um espaço de eventos.

The Forum

O prédio de tijolos vermelhos no bairro de Bronzeville foi construído por e para negros americanos em 1897 e tornou-se um epicentro da chamada “Metrópole Negra”, uma cidade dentro da cidade que ajudava a fornecer necessidades social e de varejo, a qual a população negra era impedida de acessar em Chicago. Por ser salvo da demolição em 2011, o Fórum hoje é uma instituição cultural que já recebeu grandes artistas como Nat King Cole e Muddy Waters e teve algumas das reuniões políticas mais importantes da época. Seu interior só pode ser visitado durante a Open House, mas seu entorno é cheio de história e cultura.

Biblioteca Harold Washington

Inaugurado em 1991, a biblioteca foi nomeada em homenagem ao primeiro prefeito afro-americano de Chicago. O exterior de pedra vermelha faz referência a outros edifícios icônicos de Chicago, como o Monadnock e o The Rookery (ambos construídos por Burnham & Root, uma das empresas de arquitetura mais famosas de Chicago do século XIX).

A biblioteca abriga mais de 1,2 milhão de acervos e dentro dela - incluindo um espaço dedicado 100% à literatura infantil (Thomas Hughes Children’s Library) - , dezenas de obras de arte de artistas notáveis, exposições rotativas e um maravilhoso jardim de inverno no último andar. A visita pode ser feita em qualquer momento, gratuitamente, de seg. a qui., das 09 às 20h; sex. e sáb. das 09h às 17h e dom. das 13h às 17h.

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Baha’i House of Worship

A religião monoteísta Baha’i é conhecida pelos seus trabalhos arquitetônicos ao redor do mundo. Seu primeiro templo no hemisfério ocidental foi escolhido em Chicago por sua centralidade geográfica, vista para o lago e tranquilidade. Projetada pelo arquiteto franco-canadense Louis Bourgeois, os painéis de arabescos do templo abraçam a luz natural durante o dia e iluminam dentro à noite, criando um “Templo de Luz e Unidade”. A cúpula é composta por painéis de concreto moldados em uma superestrutura de aço, com nove entradas - na fé Bahá'í, o número simboliza completude e perfeição. Para os amantes da arquitetura, a visita é gratuita e obrigatória. Durante a Open House, porém, as fotos são permitidas, coisa que em dias comuns, não são. Todos os dias, das 6h às 20h.

Entrada do Baha’i House of Worship Foto: Ana Lourenço

Oak Park Conservatory

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Fundada em 1929 como um repositório de plantas exóticas coletadas por residentes de Oak Park durante suas viagens ao exterior, hoje o Jardim Botânico do bairro apresenta uma coleção de mais de 3 mil espécies em suas salas mediterrâneas, tropicais e desérticas. Depois de cair em desuso no início dos anos 1970, a comunidade se uniu para preservar e melhorar o edifício e seus arredores, que hoje incluem jardins ao ar livre representando os ecossistemas nativos de Illinois. A visita é gratuita e pode ser feita de ter. a dom., das 10h às 16h.

Avalon Regal Theater

Quem vê por fora, imagina que é um teatro caindo aos pedaços. E realmente é. Porém, durante a Open House, o lugar que foi designado um marco de Chicago em 1992, se abre para os visitantes curiosos. Com 2.500 lugares, o espaço foi inaugurado em 1927 como o Teatro Avalon e renomeado em 1987 como uma homenagem ao Regal Theatre original - que ficava no bairro de Bronzeville e foi demolido em 1973. O design atmosférico fazia com que a pessoa se sentisse embaixo de uma noite nas arábias enquanto assistia às suas peças favoritas. Além dos detalhes árabes e os mosaicos de piso, tudo parte do estilo neoislâmico da arquitetura criada por John Eberson, que são um espetáculo à parte.

O local recebeu grandes nomes da música, como Dizzy Gillespie, Louis Armstrong e Duke Ellington (um mural no exterior do edifício faz menção a isso). Ele também se tornou importante por ser onde o ex-presidente Barack Obama celebrou sua vitória em 2008. Mas o teatro está vago e praticamente sem uso desde 2003.

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The Givins Castle

O castelo mais famoso de Chicago (e o único), apelidado de “Castelo Irlandês”, é uma atração no topo de uma serra íngreme que atravessa os bairros de Beverly e Morgan Park. É o cartão de visita da área, com uma história que remonta a Robert C. Givins em 1887, o primeiro de apenas cinco proprietários. Construída como uma residência particular extravagante, supostamente um presente para a esposa de Givins, hoje é lar da Igreja Unitária de Beverly.

A Tiffany Dome, dentro do Chicago Cultural Center, com 30 mil peças de vidro em dois metros de diâmetro Foto: Ana Lourenço

Chicago Cultural Center

Se as grossas paredes de pedra não chamam a atenção de quem passa pelo lado externo, o interno vai convencer. Afinal, foi construída em 1897 para impressionar e provar que Chicago havia se tornado uma metrópole sofisticada. Assim, os principais arquitetos e artesãos do país usaram os materiais mais suntuosos, como mármores raros, latão polido, madeiras nobres, mosaicos de vidro, madrepérola e pedra colorida, para criar uma vitrine arquitetônica. Lá está a maior cúpula de vitral Tiffany do mundo (são 2 m de diâmetro com cerca de 30 mil peças de vidro). Gratuito.

Pui Tak Center

O edifício mais icônico de Chinatown foi projetado em 1928 e já serviu como prédio da Associação de Comerciantes Chineses, centro de assistência aos imigrantes, foi apreendido pelo FBI e hoje é lar da Igreja da União Cristã Chinesa. Além dos programas religiosos que tomam conta aos domingos, o Pui Tak Center atende imigrantes chineses por meio de programas de educação de adultos, jovens e comunitários durante o resto da semana. Sua arquitetura faz referência a elementos clássicos da China, desde os telhados de telha e amplos beirais salientes, quanto na escolha das cores: vermelho, símbolo de alegria, e verde jade, símbolo de riqueza.

A famosa escultura 'Cloud Gate', do artista Anish Kapoor, no Millennium Park Foto: Ana Lourenço

Millennium Park

O loop, como um todo, merece uma visita a pé sem horário marcado. Mas um dos destaques é o Millennium Park, centro premiado de arte, música, arquitetura e paisagismo. Suas características de destaque são o Jay Pritzker Pavilion, projetado por Frank Gehry; a Crown Fountain, uma fonte interativa de Jaume Plensa; e o famoso Cloud Gate (apelidado de feijão), de Anish Kapoor.

Willis Tower

Que tal mudar um pouco a perspectiva e ver a cidade do alto? O Willis Tower, hoje o maior prédio da cidade, já foi o mais alto do mundo: com 442 m. Ele segurou o posto até 1998, mas hoje é o 12.º. Em seu 103.º andar, fica o Skydeck, o deck de observação mais alto dos Estados Unidos. A entrada no edifício é gratuita, mas para subir no Skydeck é cobrada taxa de US$ 37. Antes de ir, visite o site theskydeck.com para saber como está a visão com a câmera ao vivo.

Frank Lloyd Wright

Em uma caminhada pelo centro ou pelos subúrbios de Chicago é possível avistar obras de grandes nomes da arquitetura, como Mies Van der Rohe, Louis Sullivan e Frank Lloyd Wright. Este último, por ter sido um dos mais conhecidos arquitetos da Escola de Chicago, ganha um espaço especial na cidade. Assim, é possível conhecer sua casa e estúdio no bairro Oak Park por US$ 20 ou a Robie House, na Hyde Park, por US$ 30. A casa que é considerada o primeiro exemplo da Prairie School, o primeiro estilo arquitetônico considerado unicamente americano, é hoje definida como patrimônio histórico nacional americano.

Conheça mais da arquitetura de Chicago:

Chicago Architecture River Tour (U$ 51,96)

O Rio Chicago corre por toda a cidade - ao todo são 39 pontes que cruzam o rio. No Chicago Architecture Foundation Center River Cruise que toma forma no cruzeiro ‘First Lady’, é possível conhecer as histórias de mais de 50 edifícios que ficam ao longo do rio. O percurso dura 90 minutos e apesar do frio, vale a pena colocar um casaco mais grosso e assistir tudo do lado de fora. Assim você escutará a guia melhor e garantirá boas fotos. Saiba mais aqui.

Tour pelo Chicago River revela as histórias de mais de 50 edifícios às margens do rio, ao longo de 90 minutos Foto: Ana Lourenço

Downtown Chicago TV & Movie Sites Tour (U$ 36)

Em um passeio de duas horas a pé pela cidade é possível conferir as localizações de grandes filmes que foram filmados na cidade de Chicago como Curtindo a Vida Adoidado, Os Intocáveis, Batman: O Cavaleiro das Trevas, O Casamento do Meu Melhor Amigo e outros. São poucas paradas, então garanta um casaco para os dias frios, boné para os dias mais quentes, água e um sapato bem confortável. Compre em: onlocationtours.com

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Chicago icons: connecting past and present (U$ 30)

Um dos passeios mais interessantes do Centro de Arquitetura de Chicago é esse que conecta o passado e o presente através dos edifícios, suas histórias e estilos. Em quase duas horas de caminhada, são feitas sete paradas no centro da cidade. O passeio apresenta edifícios comerciais, Beaux-Arts (estilo arquitetônico ensinado nas Escola de Belas Artes de Paris), modernos e pós-modernos do século XIX, bem como o mais recente em arquitetura de Frank Gehry, Renzo Piano e Adrian Smith. Compre aqui.

Chicago Bus Tours (U$ 50)

Não é difícil ver ônibus turísticos que funcionam no esquema sobe e desce (você desce em quantas paradas quiser no dia) funcionando em cidades turísticas. Apesar de não ter feito desta vez, encontro que eles são uma solução fácil e rápida para turistas de primeira viagem. Em Chicago, é possível ver os pontos ícones, como o John Hancock Center, a Magnificent Mile e o Navy Pier, além de ir escutando, ao longo do caminho, fatos e histórias interessantes sobre a história, cultura e arquitetura da cidade pelos guias. Compre em bigbustours.com

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