De carro na Nova Zelândia

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Por Redação
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De volta à África do Sul, a bordo do mesmo e ruidoso MV Kelso que o havia levado aos confins de Tristão da Cunha, nosso viajante apenas lamenta o fato de ter estado quase tão próximo da costa brasileira quanto da africana, sem, contudo, ter a menor possibilidade de nos visitar. ''Suponho que a última embarcação de algum porte a viajar entre o Brasil e a ilha esquecida, my friends, foi a do próprio Tristão, por volta de 1507. Anyway, senti grande vontade de voltar a reencontrar meus amigos brasileiros e, of course, cumprir a promessa de conhecer meus companheiros na redação de O Estado. Quem sabe eu o faça ainda neste semestre...'' Na correspondência recebida nesta semana, vários leitores quiseram saber mais sobre o remoto território ultramarino inglês. ''Unfortunately - respondeu mr. Miles -, não há nada a dizer além do que já foi dito. A não ser que vocês queiram conhecer que tipo de peixes povoam as águas da região, o que, confesso, sequer me interessou. Quanto à leitora Maria Amélia Canozzi, que me pergunta sobre a incidência de casamentos consangüíneos em ''Very Sad'' da Cunha, a resposta é indubitavelmente positiva. Com apenas sete famílias povoando a ilha, quase todos os 269 habitantes são primos, cunhados, tios e sogros, muitas vezes várias dessas coisas ao mesmo tempo. Nada tão grave, however, quanto a situação de uma tribo que encontrei, anos atrás, em Papua Nova Guiné. Lá descobri, estarrecido, que o cacique era irmão do próprio pai. Isn't it amazing?'' A seguir, a pergunta da semana: Prezado mr. Miles: pretendo viajar para a Nova Zelândia em abril e vou alugar um carro. O problema é que jamais conduzi um carro na mão inglesa. Qual é a diferença mais importante? Tobias Vassalo, por e-mail ''A porta, my friend, a porta. Se você entrar pela porta pela qual está acostumado em seu automóvel, I'm sorry to say, mas não vai encontrar o volante à sua frente. Já me referi a esse assunto em outras ocasiões, dear Tobias. Vocês, brasileiros, têm a infelicidade de aprenderem, desde cedo, a conduzir do lado errado. Não é sua culpa, I know, mas herança maldita de Napoleão, aquele baixinho aziago que - o tempo provou - estava sempre na contramão da História. Thanks to God, ainda se conduz do lado correto em grande parte do mundo civilizado. Você há de se acostumar em poucos momentos, mas é preciso conservar-se atento enquanto ganha prática. Para começar, as ultrapassagens são feitas sempre pela direita - e não o contrário -, porque, of course, as pistas também são invertidas. Tenha atenção, sobretudo, nas rotatórias, onde também se gira ao contrário. E na hora de reduzir uma marcha, não esqueça que a alavanca do câmbio estará do seu lado esquerdo. Quando tive a primeira experiência de guiar na mão francesa, confesso que meu maior problema foram as reações condicionadas. Você, of course, deve estar condicionado a tirar seu carro para a direita sempre que encontrar uma situação de perigo. Na Nova Zelândia, é melhor que faça o contrário, para não ser abalroado por um kiwi em alta velocidade. Have a nice trip, fellow!'' Mr. Miles é o homem mais viajado do mundo. Ele já esteve em 131 países e 7 territórios ultramarinos. É colunista e conselheiro editorial da revista ''Próxima Viagem''

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