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Desmanche-se pela fondue e pela Gruyères que vai além do gruyère

Em passeios de dar água na boca, veja a fabricação do queijo e do chocolate. Ou aprenda a reconhecer e preparar saborosas ervas

Por Monica Manir
Atualização:
Vai uma fondue aí? Foto: Mônica Manir|Estadão

GRUYÈRES - É saboroso visitar Gruyères e descobrir que essa cidadezinha medieval é muito mais que seu queijo. Não, não estou a desprezar a iguaria. Au contraire! Quem vai à Gruyères tem de provar no mínimo uma fatia generosa do produto e um dos seus derivados mais famosos, a fondue moitié-moitié. Meu alívio por saber que Gruyères ultrapassava gruyère tinha, digamos, razões fisiológicas. Sendo levemente intolerante à lactose, temi que a visita se tornasse um tour pelos toillettes dos restaurantes.

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Pois o lugar tem pelo menos três pontos muito revigorantes: a rua principal, um largo calçadão ladeado por residências, restaurantes e lojinhas tomados por gerânios vermelhos; o castelo, com suas pinturas antigas e contemporâneas, seu jardim trabalhado, seu espetáculo multimídia, afora o prédio em si; e o Giger Museum, dedicado à obra do artista suíço H.R. Giger (leia mais).

Um dos prazeres de andar pela rua principal é contar grous. Grou, ou grue, é a ave-símbolo do lugar, que também teria dado nome à cidade. Eles aparecem não in natura, mas estilizados, estampando paredes ou sustentando placas com o nome dos estabelecimentos.

Aqui vale dizer que os únicos carros com permissão para entrar nessa rua são os de entrega de mercadorias, que normalmente descarregam pela manhã. Ou seja: quer tirar fotos “limpas”, sem um utilitário na frente da fachada? Faça isso depois do almoço, quando eles não estão mais por lá. Os carros dos visitantes podem ficar num estacionamento gratuito logo na entrada da cidade, onde um grou anuncia o Le Chalet de Gruyères.

Grou estilizado Foto: Mônica Manir|Estadão

Puro creme. O restaurante Le Chalet faz parte de uma rede que abrange hotéis e lojinhas ao redor. Todo de madeira, do teto à colher da sopa, tem uma atmosfera poluidamente aconchegante. O carro-chefe é a fondue moitié-moitié – metade gruyère, metade vacherin fribourgeois, este segundo queijo mais macio que o primeiro, porém forte e com aroma de nozes. Sim, com o tempo a gente passa a perceber esses detalhes.

Pois bem: a fondue é servida sobre um réchaud. Faz pax-de-deux com pão italiano ou batatas cozidas com casca, que chegam inteiras à mesa. O ritual é aquele já conhecido de priscas eras: espeta-se um pedaço de pão (ou batata) e mergulha-se o garfo no queijo borbulhante.

Acabei lembrando de Asterix e os Helvéticos, que tinha lido pouco antes da viagem. No palácio do governador romano Diplodocus, na Helvécia, antiga Suíça, começa uma orgia de queijo derretido. Quem perder um pedaço de pão dentro do caldeirão paga uma prenda. Da primeira vez, cinco bastonadas; da segunda, 20 chicotadas; da terceira, o desastrado é atirado no lago com um peso amarrado aos pés. Enquanto a orgia de queijo se desenrola, empregados suíços limpam desesperadamente o palácio, indignados com aquela selvageria toda. O romano Diplodocus se revolta com os helvéticos: “Essa mania de limpeza! Uma orgia precisa ser bem suja. Parem de esfregar, por Júpiter!”

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Ervas do bem. Françoise no passeio dedicado às plantas comestíveis Foto: Mônica Manir|Estadão
Castelo de Gruyères Foto: Mônica Manir|Estadão
Concha de Manfred Büss Foto: Mônica Manir|Estadão
Figurinhas fáceis. Há ovelhas por toda parte Foto: Mônica Manir|Estadão
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