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Nas mãos da comunidade, roteiros revelam outro ângulo de Ubatuba

Programas operados por indígenas e quilombolas revelam heranças culturais em meio à beleza da Mata Atlântica

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Passeio de caiaque pelo Rio Itamambuca Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Do alto, Ubatuba é ainda mais bonita. São apenas 2 quilômetros de estrada de chão que começam na Rio-Santos e serpenteiam Serra do Mar acima, na direção do “sertão”, para ter certeza disso. Uma escola e um posto de saúde assinalam a entrada da Aldeia Boa Vista. O nome desta aldeia guarani é autoexplicativo: desse ponto se descortinam, lá embaixo, a ilha do Prumirim, a praia de mesmo nome, o mar e a linha do horizonte, em um dos cenários mais espetaculares da badalada cidade do litoral paulista.

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Embora estabelecida na década de 1960 e oficialmente reconhecida como terra indígena pertencente aos guaranis em 1987, a aldeia Boa Vista é, de certa forma, uma novidade em Ubatuba. Abriu recentemente suas portas ao turismo, de forma planejada e executada por seu próprio povo. Receber visitantes é uma fonte de renda para a aldeia e também uma oportunidade de divulgar cultura e o modo de vida dos guaranis. 

Os moradores da Boa Vista não estão fazendo isso sozinhos. Reunidas no Fórum de Comunidades Tradicionais Angra, Paraty e Ubatuba, várias aldeias indígenas e terras quilombolas vêm criando roteiros turísticos com o objetivo de divulgar a importância de sua luta para a preservação dos direitos dessas populações e também para a conservação do meio ambiente. Criaram a Rede Nhandereko, que opera como uma agência de turismo receptivo do grupo. Os roteiros foram lançados em março. 

São passeios cheios de diversão, encantamento e imersão na natureza. Há trilhas, banho de rio e cachoeira, comida da terra, história. Os roteiros são desenhados e guiados por moradores - é turismo de base comunitária - e já começaram a despertar interesse do mercado do turismo convencional de Ubatuba.

Trilha para a Aldeia Boa Vista Foto: Mônica Nobrega/Estadão

Criada há dois anos por oito sócios ligados em meio ambiente e cultura, a agência Ecotuba se tornou a principal parceira das comunidades tradicionais de Ubatuba e região na divulgação e operação dos passeios. Há também uma dúzia de hospedagens que oferecem os roteiros como opção a seus hóspedes, como o Itamambuca Eco Resort

Itamambuca é a minha praia favorita em Ubatuba desde os acampamentos com amigos na adolescência, e reafirmou seu lugar no meu coração na minha recente visita, em família, há algumas semanas. Com meu filho de 8 anos, fui com a proposta de desbravar a natureza local para além das praias. Nossa estada de quatro noites no Itamambuca Eco Resort - ficar aqui era um desejo antigo - teve passeios pelas comunidades tradicionais, observação de pássaros, esportes aquáticos, além de sol e mar. 

Um formato de viagem que cabe perfeitamente nesta época do ano, que na Rio-Santos tem tempo firme, bastante sol e temperaturas amenas. Ou seja, ótimo para olhar também para o “sertão” - no litoral norte paulista, sertão é quase tudo que está entre a rodovia e a serra, lado oposto ao mar - e submergir na beleza da Mata Atlântica. Que está logo ali, exuberante e pouco visitada, e que convida a enxergar até as praias de um outro jeito.

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VIAGEM COM APOIO DE ITAMAMBUCA ECO RESORT E ECOTUBA

ANTES DE IR

Hospedagem

A diária para o casal no Itamambuca Eco Resort em fins de semana comuns custa R$ 718, com descontos progressivos para mais pernoites. No feriado de Corpus Christi, pacote de 3 noites (20 a 23 de junho) custa desde R$ 2.818 para dois. Inclui café da manhã, recreação e serviço de praia. Criança é cortesia até os 10 anos.Passeios

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Com a Ecotuba, o roteiro A África em Nós, pelo Quilombo da Fazenda, custa R$ 150 por pessoa, com transporte. Viver Guarani, a visita à aldeia Boa Vista, custa R$ 100 por pessoa.

Onde comer

Reserve uma noite para jantar no Peixe com Banana, em Itaguá, bem perto do Aquário de Ubatuba - 25 minutos de carro desde a Itamambuca. É um restaurante muito caiçara, e leva o nome do prato criado pela proprietária, a simpática e atarefada Maria José. O peixe com banana é uma adaptação de outra receita típica do litoral paulista, o azul marinho, peixe ensopado com rodelas de banana. Tem molho mais encorpado com cebola, tomate, pimentão, azeite e manteiga. A garoupa era o peixe recomendado da noite, mas você escolhe entre três ou quatro opções diárias. Para duas pessoas, com arroz e pirão, R$ 165: Rua Guarani, 255; 12-3832-6873. 

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Praia de Itamabuca vista do alto Foto: Itamambuca Eco Resort
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