Nova metodologia flagra desmate no Vale do Ribeira

Técnica de fiscalização detecta corte de no mínimo 0,2 hectare; blitz mostra dez desmates em região de Mata Atlântica

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SETE BARRAS (SP), O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2012 | 02h07

Nova metodologia de fiscalização adotada pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, que permite detectar supressões de vegetação de no mínimo 0,2 hectare (2 mil m²) já flagrou dez pontos de desmatamento no Vale do Ribeira, que detém 80% da Mata Atlântica paulista.

O maior desmate, numa área de 75,98 hectares entre Sete Barras e Eldorado, foi alvo uma operação, ontem, da secretaria e da Polícia Ambiental. A área devastada, equivalente a cem campos de futebol, fica no entorno do Parque Estadual Intervales e tinha arbóreas ameaçadas de extinção, como a canela-sassafrás e a palmeira-juçara. O dono foi multado em R$ 2,5 milhões. O secretário Bruno Covas acompanhou a operação.

O desmate atingiu áreas de várzeas, encostas e topos de morro. O local é de difícil acesso e, para driblar a fiscalização, o dono da propriedade, Ildomar Bonkoski, residente em Massaranduba (SC), deixou uma "cortina" de mata à beira da estrada. "Só conseguimos pegá-lo porque o sistema fez a sobreposição da imagem atual com outra mais antiga", disse o secretário.

De helicóptero, foi possível confirmar o estrago. Em alguns pontos, árvores cortadas estavam espalhadas pelo chão, muitas arrancadas com raiz. Em outros, a madeira tinha sido retirada e a galhada fora usada para soterrar fundos de vale. "Houve uso de máquinas pesadas para derrubar as árvores e parte da madeira foi serrada e vendida", disse o coordenador de fiscalização da Secretaria, Ricardo Viegas. Foram abertos 1,2 mil metros lineares de valas para drenar o terreno. Segundo Viegas, o Bonkoski havia entrado na secretaria com pedido de supressão de mata para um projeto agrícola em 2009, mas a licença foi negada.

Além da multa, Bonkoski, que não foi localizado ontem, terá de recompor a mata e está sujeito a processos. Se condenado, a pena pode chegar a dez anos de prisão. Seu funcionário que recebeu as notificações informou que ele entrará com recurso.

Segundo Covas, o sistema será lançado após os ajustes finais e cobrirá o Estado todo. As imagens serão coletadas cinco vezes por ano pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um programa sobrepõe os fotogramas e emite um alerta em caso de diferença.

O sistema de coleta é o mesmo utilizado na Amazônia, mas com maior precisão, pois lá os satélites detectam desmates de no mínimo 6 hectares. A nova fiscalização atuará também em áreas de Cerrado e de matas de transição. Também será usada para conferir as reservas legais e a recomposição de matas ciliares, que protegem beiras de rios.

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