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7 de Setembro: na calmaria política, data cívica tinha apelo comercial. Veja anúncios

Quando País não passava por turbulências políticas, publicidade explorava celebração da data para vender produtos

Foto do author Liz Batista
Foto do author Edmundo Leite
Por Liz Batista e Edmundo Leite
Atualização:
Capas do Estadão de 1936 e 1933 com anúncios publicitários relacionados ao Dia da Independência do Brasil. Foto: Acervo Estadão

Desde seu primeiro ano de existência (1875) o Estadão noticia os festejos do Dia da Independência do Brasil. Através das décadas, o jornal registrou em suas páginas os diferentes momentos históricos que acompanharam a celebração do 7 de Setembro, mostrando como cada comemoração assumia um tom e forma particular, sendo utilizada com propósitos diferentes.

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Exaltando o ufanismo e a unidade nacional, governantes em diferentes períodos buscaram atrelar à data visões favoráveis aos seus governos. Mas a data cívica também movimentava a publicidade no jornal em períodos de menor tensão, com anúncios comerciais personalizados para o Sete de Setembro.

Em 1933, por exemplo, produtos que iam de xarope a aparelho de rádio aproveitavam a data para anunciar na capa do jornal:

“Larga-me, Deixa-me gritar!!! Independência ou morte! Dê-me Xarope S. João”

7 de setembro de 1933

“Assentador perfeito dos cabellos. Quem usa Perpetualina pode gritar sem chapeo na cabeça: Independência ou morte!”

7 de de setembro de 1933

“Si naquelle tempo houvesse rádio o grito do Ypiranga seria ouvido e repercutido pelo som maravilhoso do Magestic, o rádio da actualidade”

7 de setembro de 1933

Independência ou Morte, o grito em publicidades

Propagandas alusivas ao 7 de Setembro no Estadão em 1933. Foto: Acervo Estadão

D. Pedro I garoto propaganda

Propaganda alusiva ao 7 de setembro em 1933. Foto: Acervo Estadão

Veja as capas alusivas ao 7 setembro em 1933, 1935, 1936 e 1937.

Capas do Estadão de 1935 e 1937 com anúncios publicitários alusivos ao Dia da Independência. Foto: Acervo Estadão

Relembre outras situações do 7 de setembro:

Centenário

No centenário da data, em 1922, o presidente Epitácio Pessoa promoveu a Exposição Internacional do Centenário da Independência no Rio de Janeiro. O Evento deveria servir como uma vitrine do progresso brasileiro para o mundo. A partir de 1964, com a ditadura militar, o Sete de Setembro adquiriu inegáveis ares de ato político e de exaltação ao militarismo.

As celebrações se estendiam pela chamada Semana da Pátria, e não se davam apenas na capital, aconteciam também nas cidades País a fora. Nas grandes capitais eram eventos de grandeza que chegavam a reunir centenas de milhares de pessoas, era um programa de lazer popular no feriado. Arquibancadas eram erguidas em importantes avenidas para que o público pudesse acompanhar as paradas militares com desfiles de tropas e de blindados, muitas vezes encerrados com exibições da Forças Aérea Brasileira.

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Parada militar em comemoração dos 150 anos da Independência na Avenida Paulista, São Paulo, SP, 07/9/1972 Foto: Alfredo Rizutti/Estadão

Sesquicentenário

O aniversário de 150 anos da Independência foi o maior evento promovido em torno da data até hoje. O governo Médici conseguiu negociar com o governo militar português que os restos mortais de D. Pedro I fossem transladados para o Brasil. Antes de serem abrigados na cripta do Monumento à Independência, local onde o príncipe regente proclamou a Independência em São Paulo, os despojos passaram em peregrinação por todas as capitais num programa de comemorações que tomaram o País.

Os restos mortais de D. Pedro I chegam ao Rio de Janeiro, RJ, 22/4/1972 Foto: Acervo/Estadão

> Estadão - 7/9/1972 e 8/9/1972

> Estadão -07/9/1972e08/9/1972 Foto: Acervo/Estadão

Com a redemocratização, a tradição do desfile que reúne o Chefe de Estado e a população seguiu, agora com um tom que celebrava a harmonia entre os Poderes sob a égide de um governo democrático. Atos civis e manifestações de crítica aos governantes também passaram a ser realizados na data e políticos viram-se precisando montar estratégias para escapar das vaias nessas ocasiões.

Os despojos de D. Pedro I

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“Brasileiros, não posso esconder minha emoção. Fala por si mesmo este fato que nenhuma eloquência poderia superar: no ano em que celebramos o sesquicentenário da nossa Independência, regressará ao Brasil o corpo daquele que, em sete de setembro, às margens do Ipiranga, com a bravura, o arroubo e a paixão que eram a marca de sua personalidade, proclamou livres estas terras.” Com essas palavras o presidente Emílio Garrastazu Médici anunciou em cadeia nacional de rádio e televisão o ponto alto das celebrações dos 1950 da Independência do Brasil, comemorados em 7 de setembro de 1972, a vinda dos restos mortais de D. Pedro I para o Brasil.

> Estadão - 13/8/1971, 19/3/1972 e 23/4/1972

> Estadão -13/8/1971,19/3/1972e23/4/1972 Foto: Acervo/Estadão

Figura central da proclamação, o príncipe que se tornou o primeiro imperador do Brasil, divide com José Bonifácio de Andrada e Silva, o topo do panteão dos heróis da Independência. No imaginário nacional, enquanto Bonifácio - o Patriarca da Independência - é tido como o articulador político da ruptura com Portugal, a figura de D. Pedro I era promovida pela política cultural da ditadura militar como a de um corajoso homem das armas, que por amor à Pátria proclamou sua soberania.

No discurso de Médici, publicado na íntegra na edição do Estadão de 13 de agosto de 1971, a exaltação dos laços históricos que uniam Brasil e Portugal deram a tônica da fala, que mostrava como um feito diplomático do seu governo a cessão dos despojos de Pedro I por Portugal.

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> Estadão - 2/9/1972

> Estadão - 02/9/1972 Foto: Acervo/Estadão

A série de programas comemorativos entre os dois países serviram a ambas as ditaduras, que por meio de eventos abertos, que reuniam Chefes de Estado e um público de milhares de pessoas, buscavam mostrar a pretensa unidade nacional e popularidade de seus governos e promover a ideia de harmonia e normalidade institucional, algo à margem da realidade dos regimes autoritários em vigência nos dois países.

Os eventos que marcaram a vinda dos despojos ao Brasil seguiram um itinerário focado nas grandes datas históricas. Após percorreram a mesma rota marítima de 4.500 milhas percorridas por Pedro Álvares Cabral em 1500, os despojos de Pedro I chegaram à Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em 22 de abril de 1972.

Os despojos de D. Pedro I chegam ao Rio de Janeiro para as comemorações dos 150 anos da proclamação da Independência do Brasil, 1972 Foto: Carlos Chicarino/Estadão

Depois de três dias expostos à visitação na sua antiga residência na Quinta da Boa Vista, os despojos deixaram o Rio e seguiram em peregrinação por todas as capitais brasileiras. Até que em 7 de setembro de 1972, vindo de Pindamonhangaba e seguindo o mesmo caminho feito por D. Pedro I quando proclamou a Independência, seu esquife chegou à sua última morada, a Capela Imperial no Monumento à Independência.

Celebração dos 150 anos da Independência, São Paulo, SP, 1972 Foto: Acervo/Estadão


Crianças com o livro comemorativo dos 150 anos da proclamação da Independência do Brasil, 1972 Foto: Acervo/Estadão

Exposição internacional

As atenções do mundo se voltaram para o Rio de Janeiro em 7 de setembro de 1922, com a inauguração da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil. Expressões culturais de sua época, as Exposições Universais, ou Feiras Mundiais serviam para fomentar a integração, o intercâmbio cultural, as relações comerciais entre as nações e apresentar os avanços tecnológicos do período; além de ajudar a promover a imagem internacional dos países que as sediavam.

Imagem do Pavilhão de Festas da Exposição Internacional do Centenário da Independência do Brasil, Rio de Janeiro, 1922. Foto: Reprodução/ Biblioteca Nacional

Com essa ideia em mente o governo do presidente Epitácio Pessoa não poupou esforços para realização no Rio a primeira Exposição Universal do pós-guerra, casando a data da sua inauguração com as comemorações dos 100 anos de Independência do Brasil, o governo conseguiu transformar um evento de caráter nacional num acontecimento internacional.

Enquanto os festejos do centenário se espalharam pelo Brasil, no Rio de Janeiro uma enorme parada militar abriu o dia que teve à tarde a abertura da Exposição Universal, o grande e aguardado evento do ano. Situada ao final da Avenida Rio Branco, com um pórtico monumental na sua entrada, a feira ocupou mais de 2 mil metros de área e contou com pavilhões de mais de seis mil expositores e a participação de 14 países, entre eles, Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Inglaterra, Bélgica, Japão e Argentina.

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> Estadão - 7/9/1922 e 8/9/1922

> Estadão -07/9/1922e08/9/1922 Foto: Acervo/Estadão

Desfile militar e vaias

A tradição da parada militar no Dia da Independência do Brasil foi mantidas pelos governos após a retomada da democracia. Seguindo o protocolo dos desfiles militares e do discurso do presidente da República enaltecendo os valores históricos da data, uma oportunidade de reunir povo e Chefe de Estado. Com as liberdades cívicas e institucionais restabelecidas, a data também passou a oferecer a oportunidade para manifestações críticas aos governantes ocuparem as ruas. Desde então presidentes, governadores, prefeitos e outras autoridades de Estado tornaram-se alvo de vaias nos eventos. Para criar um clima favorável, governantes tentam engrossar as fileiras do público convocando apoiadores para os desfiles.

> Estadão - 8/9/1992

> Estadão - 08/9/1992 Foto: Acervo/Estadão

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