Quais foram os livros mais vendidos da Flip? Veja números e destaques da edição de 2025


A 23ª Festa Literária Internacional de Paraty foi encerrada neste domingo, 3, com saldo positivo e equilíbrio entre mesas literárias e políticas; leia o balanço

Por Julia Queiroz

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Na Flip 2025, o escritor português comenta a produção da Netflix que vai adaptar o livro e diz estar feliz com o resultado

A festa oficialmente voltou a Paraty, essa é a sensação após o último dia da 23ª Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, que começou na quarta-feira, 30, e foi encerrada neste domingo, 3. O evento lotou as ruas do centro histórico da cidade em meio a uma programação literária diversa.

Após a pandemia de covid-19, o evento ocorreu três anos seguidos entre novembro e outubro. Com o retorno ao mês de julho, a Flip teve saldo positivo e cresceu em 10% em relação ao último ano.

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Cerca de 34 mil pessoas passaram pela festa durante seus cinco dias, segundo dados preliminares da Secretaria de Turismo de Paraty.

A entrada do Auditório da Matriz, onde ocorreram as mesas do programa principal da Flip 2025. Foto: Sara De Santis/Flip 2025

Os números refletem o momento de recuperação e a “sensação de sucesso” da festa após “anos difíceis”, afirmou a organização em coletiva neste domingo. Em 2024, foram cerca de 30 mil pessoas e, em 2023, 27 mil. A Flip deve continuar a ocorrer entre julho e agosto no ano que vem.

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Apesar do resultado positivo, Mauro Munhoz, diretor artístico e cultural, afirmou que houve dificuldade em captar recursos.

Autores e livros mais vendidos

Mesmo anunciado pouco antes da Flip, Valter Hugo Mãe confirmou sua posição de fenômeno e foi o autor mais vendido desta edição na Livraria da Flip. Educação Da Tristeza e O Filho De Mil Homens ocupam as duas primeiras posições do ranking de livros mais vendidos.

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O autor homenageado, Paulo Leminski, é o segundo da lista, seguido por Rosa Montero, Ilan Pappe e a poeta Mar Becker. O livro da francesa Neige Sinno, Triste Tigre, que foi lançado pela Amacord na Flip, foi o terceiro mais vendido. O Perigo De Estar Lúcida, de Rosa Montero, e O Colibri, de Sandro Veronesi, completam o Top 5.

Veja as listas completas, com parcial até a noite de sábado, 2:

Autores mais vendidos

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  1. Valter Hugo Mãe
  2. Paulo Leminski
  3. Rosa Montero
  4. Ilan Pappe
  5. Mar Becker
  6. Sandro Veronesi
  7. Gaël Faye
  8. Caetano W. Galindo
  9. Nei Lopes
  10. Neige Sinno
  11. Liv Strömquist
  12. Conceição Evaristo
  13. Giovana Madalosso,
  14. Dolores Reyes
  15. Gauz’

Livros mais vendidos

  1. Educação Da Tristeza (Mãe, Valter Hugo), Biblioteca Azul
  2. Filho De Mil Homens, O (Mãe, Valter Hugo), Biblioteca Azul
  3. Triste Tigre (Sinno, Neige), Amarcord
  4. Perigo De Estar Lúcida, O (Montero, Rosa), Todavia
  5. Colibri, O (Veronesi, Sandro), Autêntica contemporânea
  6. Louca Da Casa (Montero, Rosa), Todavia
  7. Brevíssima História Do Conflito Israel-Palestina (Pappe, Ilan), Elefante
  8. De Pé, Tá Pago (Gauz’), Ercolano
  9. Toda Poesia (Leminski, Paulo), Companhia das Letras
  10. Jacarandá (Faye, Gaël), Editora 34
  11. Maior Prisão Do Mundo, A (Pappe, Ilan), Elefante
  12. Cometerra (Reyes, Dolores), Moinhos
  13. Noite Devorada (Becker, Mar), Círculo de poemas
  14. Cadelas De Aluguel (Cerda, Dahlia De La), DBA
  15. Batida Só (Madalosso, Giovana), Todavia
  16. Ridícula Ideia De Nunca Mais Te Ver, A (Montero, Rosa), Todavia
  17. Quarto Do Bebê, O (Ribeiro, Anabela Mota), Bazar do tempo
  18. Latim Em Pó (Galindo, Caetano W.), Companhia das Letras
  19. Análise (Iaconelli, Vera), Zahar
  20. Cova Profunda E A Boca Das Mulheres Estranhas (Becker, Mar), Círculo de poemas
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Mais números da Flip 2025

  • Público em Paraty nos dias da Festa: 34.000 (dados preliminares da Prefeitura)
  • Taxa de ocupação das pousadas: 98% (dados preliminares da Prefeitura)
  • Público total do Programa Educativo: 8.728 pessoas

Leis de incentivo:

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  • Aprovado na Lei Rouanet: R$ 15 milhões
  • Captado via Lei Rouanet até o momento: R$ 9 milhões
  • Outras captações até o momento: R$ 2,8 milhões
  • Custo da 23ª Flip: R$ 11,8 milhões

Parcerias

  • Casas Parceiras: 35
  • Pousadas parceiras: 48
  • Editoras parceiras (Programa Principal): 11
  • Editoras parceiras (Educativo): 12
  • Pé de Livros: 12 parceiros
  • Embaixadas, consulados e institutos: 9

Praça Aberta

  • Editoras independentes: 16
  • Autores Independentes: 10
  • Coletivos Editoriais: 5
  • Parceiros: 4 (IBC, Izipizi, Secretaria do Paraná, Flirede)
  • Sessão de autores independentes (1h gratuita): estimativa de 140 autores
  • Participantes do Ocupa Paraty: 20

Retorno de fenômenos

A programação principal contou com 36 autores em 21 mesas e foi marcada pelo equilíbrio entre conversas literárias e debates de tom mais político.

A combinação de “capricho e relaxo”, fazendo referência ao livro do poeta Paulo Leminski (1944-1989), autor homenageado desta edição, foi citada em muitas mesas e celebrada na coletiva pela curadora desta edição da festa, Ana Lima Cecilio.

A Flip começou com uma abertura emocionante de Arnaldo Antunes, que celebrou o legado de Leminski e recordou memórias ao lado do escritor, que foi amigo próximo do músico nos anos 1980.

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O cantor e poeta foi o responsável pela abertura da 23ª Festa Literária Internacional de Paraty, que homenageia o escritor

Já na sexta pela manhã, Alice Ruiz, que foi companheira do poeta e teve três filhos com ele, foi aplaudida de pé em uma mesa ao lado de Claudia Roquette-Pinto e Marília Garcia. Celebrando a poesia feita por mulheres de diferentes gerações, a conversa foi um dos pontos altos do dia.

A Flip 2025 foi marcada pelo retorno de fenômenos que tiveram participação marcantes em anos anteriores.

A escritora espanhola Rosa Montero, que retornou à Flip após 21 anos, atraiu grande público dentro e fora do Auditório da Matriz na noite de sábado, 2, e fez jus à fama de simpática - ficou quatro horas distribuindo autógrafos após sua fala no evento.

Rosa Montero participa da 23ª Flip, em 2025. Foto: Walter Craveiro/Flip 2025/Divulgação

Já o português Valter Hugo Mãe, que fez o público chorar em sua participação em 2011, retornou ao evento em uma mesa extra anunciada apenas 15 dias antes da festa. Em conversa bem humorada, ele falou sobre seu amor pelo Brasil, luto, o seu livro mais recente, Educação da Tristeza, e o filme de O Filho de Mil Homens, que será lançado pela Netflix neste ano.

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O escritor português, que retorna à Festa Literária Internacional de Paraty em 2025, conta como o evento mudou o rumo de sua carreira no Brasil

Outro destaque internacional foi o italiano Sandro Veronesi, que falou ao lado do cearense Pedro Guerra na quinta à noite. A combinação parecia improvável, mas acabou funcionando. Já a mesa com a francesa Neige Sinno e a portuguesa Anabela Mota Ribeiro, cujos trabalhos ainda não são tão conhecidos por aqui, foi uma das boas surpresas da edição.

Debate político e esquema de segurança

O debate político foi aflorado principalmente pela participação da Ministra do Meio e Mudança do Clima, Marina Silva, que gerou comoção dentro e fora do Auditório da Matriz, e do historiador israelense Ilan Pappe, que discutiu as causas e consequências do conflito na Palestina.

As mesas, ambas na noite de sexta, contaram com um forte esquema de segurança que é pouco comum na Flip, com revista e detectores de metal na entrada ao público. Segundo a organização, o pedido pelo reforço na segurança veio do governo brasileiro e foi realizada com a Polícia Federal.

O público lotou o Auditório da Praça para assistir à Ministra Marina Silva na sexta, 1º, na Flip 2025. Foto: Sara De Santis/Flip 2025

Mauro Munhoz também justificou uma fala de Pappe durante a mesa. Segundo o historiador, houve pressão externa para que ele não falasse na festa. O diretor artístico e cultural confirmou a informação, apesar de não ter revelado de quem ou onde vieram as conversas. “As pressões foram elegantes e civilizadas”, disse ele.

Questionada sobre a escolha, Ana Lima Cecilio destacou a autonomia que recebeu da organização da Flip e disse que a participação de Pappe não é a escolha de um lado, mas sim “uma posição a ser tomada: a de denúncia”. Segundo Munhoz, ainda não foi discutido se haverá mudanças na curadoria para a próxima edição.

Programação infantil em foco

Durante a coletiva, Belita Cermelli, diretora de cultura e educação, destacou a ampliação da programação voltada às infâncias, também beneficiada pelo retorno da Flip a julho. Segundo a organização, o programa educativo da Flip mobilizou 8.728 pessoas.

Ele é composto por três espaços: a Fliplinha, com foco nas crianças, a FlipZona, que tem participação ativa de jovens paratienses, e a FlipEduca, que movimenta conversas entre adultos sobre literatura para infâncias.

Belita também celebrou a programação das 35 casas parceiras, das quais, segundo ela, 25 ofereceram mesas e encontros de literatura para crianças e jovens.


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Na Flip 2025, o escritor português comenta a produção da Netflix que vai adaptar o livro e diz estar feliz com o resultado

A festa oficialmente voltou a Paraty, essa é a sensação após o último dia da 23ª Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, que começou na quarta-feira, 30, e foi encerrada neste domingo, 3. O evento lotou as ruas do centro histórico da cidade em meio a uma programação literária diversa.

Após a pandemia de covid-19, o evento ocorreu três anos seguidos entre novembro e outubro. Com o retorno ao mês de julho, a Flip teve saldo positivo e cresceu em 10% em relação ao último ano.

Cerca de 34 mil pessoas passaram pela festa durante seus cinco dias, segundo dados preliminares da Secretaria de Turismo de Paraty.

A entrada do Auditório da Matriz, onde ocorreram as mesas do programa principal da Flip 2025. Foto: Sara De Santis/Flip 2025

Os números refletem o momento de recuperação e a “sensação de sucesso” da festa após “anos difíceis”, afirmou a organização em coletiva neste domingo. Em 2024, foram cerca de 30 mil pessoas e, em 2023, 27 mil. A Flip deve continuar a ocorrer entre julho e agosto no ano que vem.

Apesar do resultado positivo, Mauro Munhoz, diretor artístico e cultural, afirmou que houve dificuldade em captar recursos.

Autores e livros mais vendidos

Mesmo anunciado pouco antes da Flip, Valter Hugo Mãe confirmou sua posição de fenômeno e foi o autor mais vendido desta edição na Livraria da Flip. Educação Da Tristeza e O Filho De Mil Homens ocupam as duas primeiras posições do ranking de livros mais vendidos.

O autor homenageado, Paulo Leminski, é o segundo da lista, seguido por Rosa Montero, Ilan Pappe e a poeta Mar Becker. O livro da francesa Neige Sinno, Triste Tigre, que foi lançado pela Amacord na Flip, foi o terceiro mais vendido. O Perigo De Estar Lúcida, de Rosa Montero, e O Colibri, de Sandro Veronesi, completam o Top 5.

Veja as listas completas, com parcial até a noite de sábado, 2:

Autores mais vendidos

  1. Valter Hugo Mãe
  2. Paulo Leminski
  3. Rosa Montero
  4. Ilan Pappe
  5. Mar Becker
  6. Sandro Veronesi
  7. Gaël Faye
  8. Caetano W. Galindo
  9. Nei Lopes
  10. Neige Sinno
  11. Liv Strömquist
  12. Conceição Evaristo
  13. Giovana Madalosso,
  14. Dolores Reyes
  15. Gauz’

Livros mais vendidos

  1. Educação Da Tristeza (Mãe, Valter Hugo), Biblioteca Azul
  2. Filho De Mil Homens, O (Mãe, Valter Hugo), Biblioteca Azul
  3. Triste Tigre (Sinno, Neige), Amarcord
  4. Perigo De Estar Lúcida, O (Montero, Rosa), Todavia
  5. Colibri, O (Veronesi, Sandro), Autêntica contemporânea
  6. Louca Da Casa (Montero, Rosa), Todavia
  7. Brevíssima História Do Conflito Israel-Palestina (Pappe, Ilan), Elefante
  8. De Pé, Tá Pago (Gauz’), Ercolano
  9. Toda Poesia (Leminski, Paulo), Companhia das Letras
  10. Jacarandá (Faye, Gaël), Editora 34
  11. Maior Prisão Do Mundo, A (Pappe, Ilan), Elefante
  12. Cometerra (Reyes, Dolores), Moinhos
  13. Noite Devorada (Becker, Mar), Círculo de poemas
  14. Cadelas De Aluguel (Cerda, Dahlia De La), DBA
  15. Batida Só (Madalosso, Giovana), Todavia
  16. Ridícula Ideia De Nunca Mais Te Ver, A (Montero, Rosa), Todavia
  17. Quarto Do Bebê, O (Ribeiro, Anabela Mota), Bazar do tempo
  18. Latim Em Pó (Galindo, Caetano W.), Companhia das Letras
  19. Análise (Iaconelli, Vera), Zahar
  20. Cova Profunda E A Boca Das Mulheres Estranhas (Becker, Mar), Círculo de poemas

Mais números da Flip 2025

  • Público em Paraty nos dias da Festa: 34.000 (dados preliminares da Prefeitura)
  • Taxa de ocupação das pousadas: 98% (dados preliminares da Prefeitura)
  • Público total do Programa Educativo: 8.728 pessoas

Leis de incentivo:

  • Aprovado na Lei Rouanet: R$ 15 milhões
  • Captado via Lei Rouanet até o momento: R$ 9 milhões
  • Outras captações até o momento: R$ 2,8 milhões
  • Custo da 23ª Flip: R$ 11,8 milhões

Parcerias

  • Casas Parceiras: 35
  • Pousadas parceiras: 48
  • Editoras parceiras (Programa Principal): 11
  • Editoras parceiras (Educativo): 12
  • Pé de Livros: 12 parceiros
  • Embaixadas, consulados e institutos: 9

Praça Aberta

  • Editoras independentes: 16
  • Autores Independentes: 10
  • Coletivos Editoriais: 5
  • Parceiros: 4 (IBC, Izipizi, Secretaria do Paraná, Flirede)
  • Sessão de autores independentes (1h gratuita): estimativa de 140 autores
  • Participantes do Ocupa Paraty: 20

Retorno de fenômenos

A programação principal contou com 36 autores em 21 mesas e foi marcada pelo equilíbrio entre conversas literárias e debates de tom mais político.

A combinação de “capricho e relaxo”, fazendo referência ao livro do poeta Paulo Leminski (1944-1989), autor homenageado desta edição, foi citada em muitas mesas e celebrada na coletiva pela curadora desta edição da festa, Ana Lima Cecilio.

A Flip começou com uma abertura emocionante de Arnaldo Antunes, que celebrou o legado de Leminski e recordou memórias ao lado do escritor, que foi amigo próximo do músico nos anos 1980.

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O cantor e poeta foi o responsável pela abertura da 23ª Festa Literária Internacional de Paraty, que homenageia o escritor

Já na sexta pela manhã, Alice Ruiz, que foi companheira do poeta e teve três filhos com ele, foi aplaudida de pé em uma mesa ao lado de Claudia Roquette-Pinto e Marília Garcia. Celebrando a poesia feita por mulheres de diferentes gerações, a conversa foi um dos pontos altos do dia.

A Flip 2025 foi marcada pelo retorno de fenômenos que tiveram participação marcantes em anos anteriores.

A escritora espanhola Rosa Montero, que retornou à Flip após 21 anos, atraiu grande público dentro e fora do Auditório da Matriz na noite de sábado, 2, e fez jus à fama de simpática - ficou quatro horas distribuindo autógrafos após sua fala no evento.

Rosa Montero participa da 23ª Flip, em 2025. Foto: Walter Craveiro/Flip 2025/Divulgação

Já o português Valter Hugo Mãe, que fez o público chorar em sua participação em 2011, retornou ao evento em uma mesa extra anunciada apenas 15 dias antes da festa. Em conversa bem humorada, ele falou sobre seu amor pelo Brasil, luto, o seu livro mais recente, Educação da Tristeza, e o filme de O Filho de Mil Homens, que será lançado pela Netflix neste ano.

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O escritor português, que retorna à Festa Literária Internacional de Paraty em 2025, conta como o evento mudou o rumo de sua carreira no Brasil

Outro destaque internacional foi o italiano Sandro Veronesi, que falou ao lado do cearense Pedro Guerra na quinta à noite. A combinação parecia improvável, mas acabou funcionando. Já a mesa com a francesa Neige Sinno e a portuguesa Anabela Mota Ribeiro, cujos trabalhos ainda não são tão conhecidos por aqui, foi uma das boas surpresas da edição.

Debate político e esquema de segurança

O debate político foi aflorado principalmente pela participação da Ministra do Meio e Mudança do Clima, Marina Silva, que gerou comoção dentro e fora do Auditório da Matriz, e do historiador israelense Ilan Pappe, que discutiu as causas e consequências do conflito na Palestina.

As mesas, ambas na noite de sexta, contaram com um forte esquema de segurança que é pouco comum na Flip, com revista e detectores de metal na entrada ao público. Segundo a organização, o pedido pelo reforço na segurança veio do governo brasileiro e foi realizada com a Polícia Federal.

O público lotou o Auditório da Praça para assistir à Ministra Marina Silva na sexta, 1º, na Flip 2025. Foto: Sara De Santis/Flip 2025

Mauro Munhoz também justificou uma fala de Pappe durante a mesa. Segundo o historiador, houve pressão externa para que ele não falasse na festa. O diretor artístico e cultural confirmou a informação, apesar de não ter revelado de quem ou onde vieram as conversas. “As pressões foram elegantes e civilizadas”, disse ele.

Questionada sobre a escolha, Ana Lima Cecilio destacou a autonomia que recebeu da organização da Flip e disse que a participação de Pappe não é a escolha de um lado, mas sim “uma posição a ser tomada: a de denúncia”. Segundo Munhoz, ainda não foi discutido se haverá mudanças na curadoria para a próxima edição.

Programação infantil em foco

Durante a coletiva, Belita Cermelli, diretora de cultura e educação, destacou a ampliação da programação voltada às infâncias, também beneficiada pelo retorno da Flip a julho. Segundo a organização, o programa educativo da Flip mobilizou 8.728 pessoas.

Ele é composto por três espaços: a Fliplinha, com foco nas crianças, a FlipZona, que tem participação ativa de jovens paratienses, e a FlipEduca, que movimenta conversas entre adultos sobre literatura para infâncias.

Belita também celebrou a programação das 35 casas parceiras, das quais, segundo ela, 25 ofereceram mesas e encontros de literatura para crianças e jovens.


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Na Flip 2025, o escritor português comenta a produção da Netflix que vai adaptar o livro e diz estar feliz com o resultado

A festa oficialmente voltou a Paraty, essa é a sensação após o último dia da 23ª Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, que começou na quarta-feira, 30, e foi encerrada neste domingo, 3. O evento lotou as ruas do centro histórico da cidade em meio a uma programação literária diversa.

Após a pandemia de covid-19, o evento ocorreu três anos seguidos entre novembro e outubro. Com o retorno ao mês de julho, a Flip teve saldo positivo e cresceu em 10% em relação ao último ano.

Cerca de 34 mil pessoas passaram pela festa durante seus cinco dias, segundo dados preliminares da Secretaria de Turismo de Paraty.

A entrada do Auditório da Matriz, onde ocorreram as mesas do programa principal da Flip 2025. Foto: Sara De Santis/Flip 2025

Os números refletem o momento de recuperação e a “sensação de sucesso” da festa após “anos difíceis”, afirmou a organização em coletiva neste domingo. Em 2024, foram cerca de 30 mil pessoas e, em 2023, 27 mil. A Flip deve continuar a ocorrer entre julho e agosto no ano que vem.

Apesar do resultado positivo, Mauro Munhoz, diretor artístico e cultural, afirmou que houve dificuldade em captar recursos.

Autores e livros mais vendidos

Mesmo anunciado pouco antes da Flip, Valter Hugo Mãe confirmou sua posição de fenômeno e foi o autor mais vendido desta edição na Livraria da Flip. Educação Da Tristeza e O Filho De Mil Homens ocupam as duas primeiras posições do ranking de livros mais vendidos.

O autor homenageado, Paulo Leminski, é o segundo da lista, seguido por Rosa Montero, Ilan Pappe e a poeta Mar Becker. O livro da francesa Neige Sinno, Triste Tigre, que foi lançado pela Amacord na Flip, foi o terceiro mais vendido. O Perigo De Estar Lúcida, de Rosa Montero, e O Colibri, de Sandro Veronesi, completam o Top 5.

Veja as listas completas, com parcial até a noite de sábado, 2:

Autores mais vendidos

  1. Valter Hugo Mãe
  2. Paulo Leminski
  3. Rosa Montero
  4. Ilan Pappe
  5. Mar Becker
  6. Sandro Veronesi
  7. Gaël Faye
  8. Caetano W. Galindo
  9. Nei Lopes
  10. Neige Sinno
  11. Liv Strömquist
  12. Conceição Evaristo
  13. Giovana Madalosso,
  14. Dolores Reyes
  15. Gauz’

Livros mais vendidos

  1. Educação Da Tristeza (Mãe, Valter Hugo), Biblioteca Azul
  2. Filho De Mil Homens, O (Mãe, Valter Hugo), Biblioteca Azul
  3. Triste Tigre (Sinno, Neige), Amarcord
  4. Perigo De Estar Lúcida, O (Montero, Rosa), Todavia
  5. Colibri, O (Veronesi, Sandro), Autêntica contemporânea
  6. Louca Da Casa (Montero, Rosa), Todavia
  7. Brevíssima História Do Conflito Israel-Palestina (Pappe, Ilan), Elefante
  8. De Pé, Tá Pago (Gauz’), Ercolano
  9. Toda Poesia (Leminski, Paulo), Companhia das Letras
  10. Jacarandá (Faye, Gaël), Editora 34
  11. Maior Prisão Do Mundo, A (Pappe, Ilan), Elefante
  12. Cometerra (Reyes, Dolores), Moinhos
  13. Noite Devorada (Becker, Mar), Círculo de poemas
  14. Cadelas De Aluguel (Cerda, Dahlia De La), DBA
  15. Batida Só (Madalosso, Giovana), Todavia
  16. Ridícula Ideia De Nunca Mais Te Ver, A (Montero, Rosa), Todavia
  17. Quarto Do Bebê, O (Ribeiro, Anabela Mota), Bazar do tempo
  18. Latim Em Pó (Galindo, Caetano W.), Companhia das Letras
  19. Análise (Iaconelli, Vera), Zahar
  20. Cova Profunda E A Boca Das Mulheres Estranhas (Becker, Mar), Círculo de poemas

Mais números da Flip 2025

  • Público em Paraty nos dias da Festa: 34.000 (dados preliminares da Prefeitura)
  • Taxa de ocupação das pousadas: 98% (dados preliminares da Prefeitura)
  • Público total do Programa Educativo: 8.728 pessoas

Leis de incentivo:

  • Aprovado na Lei Rouanet: R$ 15 milhões
  • Captado via Lei Rouanet até o momento: R$ 9 milhões
  • Outras captações até o momento: R$ 2,8 milhões
  • Custo da 23ª Flip: R$ 11,8 milhões

Parcerias

  • Casas Parceiras: 35
  • Pousadas parceiras: 48
  • Editoras parceiras (Programa Principal): 11
  • Editoras parceiras (Educativo): 12
  • Pé de Livros: 12 parceiros
  • Embaixadas, consulados e institutos: 9

Praça Aberta

  • Editoras independentes: 16
  • Autores Independentes: 10
  • Coletivos Editoriais: 5
  • Parceiros: 4 (IBC, Izipizi, Secretaria do Paraná, Flirede)
  • Sessão de autores independentes (1h gratuita): estimativa de 140 autores
  • Participantes do Ocupa Paraty: 20

Retorno de fenômenos

A programação principal contou com 36 autores em 21 mesas e foi marcada pelo equilíbrio entre conversas literárias e debates de tom mais político.

A combinação de “capricho e relaxo”, fazendo referência ao livro do poeta Paulo Leminski (1944-1989), autor homenageado desta edição, foi citada em muitas mesas e celebrada na coletiva pela curadora desta edição da festa, Ana Lima Cecilio.

A Flip começou com uma abertura emocionante de Arnaldo Antunes, que celebrou o legado de Leminski e recordou memórias ao lado do escritor, que foi amigo próximo do músico nos anos 1980.

Seu navegador não suporta esse video.

O cantor e poeta foi o responsável pela abertura da 23ª Festa Literária Internacional de Paraty, que homenageia o escritor

Já na sexta pela manhã, Alice Ruiz, que foi companheira do poeta e teve três filhos com ele, foi aplaudida de pé em uma mesa ao lado de Claudia Roquette-Pinto e Marília Garcia. Celebrando a poesia feita por mulheres de diferentes gerações, a conversa foi um dos pontos altos do dia.

A Flip 2025 foi marcada pelo retorno de fenômenos que tiveram participação marcantes em anos anteriores.

A escritora espanhola Rosa Montero, que retornou à Flip após 21 anos, atraiu grande público dentro e fora do Auditório da Matriz na noite de sábado, 2, e fez jus à fama de simpática - ficou quatro horas distribuindo autógrafos após sua fala no evento.

Rosa Montero participa da 23ª Flip, em 2025. Foto: Walter Craveiro/Flip 2025/Divulgação

Já o português Valter Hugo Mãe, que fez o público chorar em sua participação em 2011, retornou ao evento em uma mesa extra anunciada apenas 15 dias antes da festa. Em conversa bem humorada, ele falou sobre seu amor pelo Brasil, luto, o seu livro mais recente, Educação da Tristeza, e o filme de O Filho de Mil Homens, que será lançado pela Netflix neste ano.

Seu navegador não suporta esse video.

O escritor português, que retorna à Festa Literária Internacional de Paraty em 2025, conta como o evento mudou o rumo de sua carreira no Brasil

Outro destaque internacional foi o italiano Sandro Veronesi, que falou ao lado do cearense Pedro Guerra na quinta à noite. A combinação parecia improvável, mas acabou funcionando. Já a mesa com a francesa Neige Sinno e a portuguesa Anabela Mota Ribeiro, cujos trabalhos ainda não são tão conhecidos por aqui, foi uma das boas surpresas da edição.

Debate político e esquema de segurança

O debate político foi aflorado principalmente pela participação da Ministra do Meio e Mudança do Clima, Marina Silva, que gerou comoção dentro e fora do Auditório da Matriz, e do historiador israelense Ilan Pappe, que discutiu as causas e consequências do conflito na Palestina.

As mesas, ambas na noite de sexta, contaram com um forte esquema de segurança que é pouco comum na Flip, com revista e detectores de metal na entrada ao público. Segundo a organização, o pedido pelo reforço na segurança veio do governo brasileiro e foi realizada com a Polícia Federal.

O público lotou o Auditório da Praça para assistir à Ministra Marina Silva na sexta, 1º, na Flip 2025. Foto: Sara De Santis/Flip 2025

Mauro Munhoz também justificou uma fala de Pappe durante a mesa. Segundo o historiador, houve pressão externa para que ele não falasse na festa. O diretor artístico e cultural confirmou a informação, apesar de não ter revelado de quem ou onde vieram as conversas. “As pressões foram elegantes e civilizadas”, disse ele.

Questionada sobre a escolha, Ana Lima Cecilio destacou a autonomia que recebeu da organização da Flip e disse que a participação de Pappe não é a escolha de um lado, mas sim “uma posição a ser tomada: a de denúncia”. Segundo Munhoz, ainda não foi discutido se haverá mudanças na curadoria para a próxima edição.

Programação infantil em foco

Durante a coletiva, Belita Cermelli, diretora de cultura e educação, destacou a ampliação da programação voltada às infâncias, também beneficiada pelo retorno da Flip a julho. Segundo a organização, o programa educativo da Flip mobilizou 8.728 pessoas.

Ele é composto por três espaços: a Fliplinha, com foco nas crianças, a FlipZona, que tem participação ativa de jovens paratienses, e a FlipEduca, que movimenta conversas entre adultos sobre literatura para infâncias.

Belita também celebrou a programação das 35 casas parceiras, das quais, segundo ela, 25 ofereceram mesas e encontros de literatura para crianças e jovens.


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