
Para o presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Sidney Klajner, tecnologia e inteligência artificial são uma das soluções para um problema de saúde crônico na Amazônia: a escassez de médicos, principalmente de especialistas, no Norte do País.
“O número de médicos na região é muito aquém daquele que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda. É metade da quantidade existente no Sul e Sudeste. E o número de especialistas é menor ainda. Temos a oportunidade de usar a inteligência artificial para cobrir essa escassez”, avalia Klajner.
O Einstein tem investido em projetos-piloto de IA para tratamentos de saúde de comunidades vulneráveis na região, como indígenas, populações ribeirinhas e quilombolas. As ações são parcerias com o SUS.
Um dos projetos é focado na falta de obstetras, usando um programa de inteligência artificial para auxiliar médicos de atenção primária durante o pré-natal. “É um algoritmo treinado com dois mil artigos científicos e diretrizes da OMS para trazer o conhecimento que o obstetra especializado teria e o médico da família não tem”, diz o presidente da instituição. O programa escuta a consulta e sugere exames e perguntas para as gestantes do Norte, onde há a maior mortalidade materna do País.
Outro projeto em teste é um aplicativo de celular que usa IA para identificar lesões de leishmaniose por meio de fotos — e, assim, encaminhar o paciente para o Instituto de Medicina Tropical de Manaus, tornando mais rápido, barato e eficaz o tratamento. “Comprovada a eficácia do app, temos condição de expandir o uso para outras doenças endêmicas”, aponta Klajner.
O presidente do Einstein lembra que indígenas, quilombolas e ribeirinhos que moram na Amazônia não enfrentam apenas a escassez de médicos, mas também estão mais suscetíveis ao impacto das mudanças climáticas em suas saúdes. “Eles estão vulneráveis à aspiração de poluentes provenientes da fumaça de queimadas e à piora da qualidade da água e do solo nos extremos climáticos, como a seca que houve no ano passado”, alerta.
O uso de IA para tratamentos de saúde na Amazônia será tema de uma palestra nesta segunda (10) no South by Southwest (SXSW), festival de tecnologia em Austin, nos Estados Unidos. O painel “A Amazônia: a interseção entre IA, saúde e tecnologia” será liderado por Sidney Klajner, com participação de Marcia Castro, diretora do Departamento de Saúde Global da Universidade de Harvard, e César Buenadicha, chefe da Divisão de Aceleração e Construção de Ecossistemas do IDB Lab, braço de inovação e capital de risco do Banco Interamericano de Desenvolvimento.





