Poucas disputas ao Oscar foram tão concorridas como a de 2025 - pelo menos essa é a impressão do público que testemunha as campanhas dos indicados com um balde de pipoca do colo.
A cerimônia ocorre na noite deste domingo, 2, no Teatro Dolby, em Los Angeles, a partir das 21h, sem um favorito claro em diversas categorias da premiação. Neste ano, O Brasil assiste ao prêmio com expectativa pelas três indicações do filme Ainda Estou Aqui.
O longa do diretor Walter Salles estrelado por Fernanda Torres conquistou um feito histórico: é o primeiro filme brasileiro falado inteiramente em português a ser indicado a Melhor Filme, o prêmio máximo do Oscar. Ele divide as indicações com outros nove longas, entre dramas, comédias, ficção científica e thrillers.

Para ficar por dentro da premiação, confira tudo o que você precisa saber sobre os 10 indicados a Melhor Filme no Oscar 2025. No link abaixo de cada texto, você pode se aprofundar mais nas produções e encontrar informações como onde assistir e mais.
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Ainda Estou Aqui
Além de Melhor Filme, Ainda Estou Aqui disputa as categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz com Fernanda Torres. O filme tem recebido destaque desde o Festival de Cinema de Veneza e ganhou maior tração na corrida pelo Oscar após a vitória de Torres no Globo de Ouro como Melhor Atriz em Filme de Drama.
O longa é baseado no livro de mesmo nome do escritor Marcelo Rubens Paiva, que escreveu a obra para a contar a vida de sua mãe, Eunice. Ambientado na ditadura militar brasileira, o filme aborda a história real do desaparecimento e morte do engenheiro civil e ex-deputado Rubens Paiva em 1971, no Rio de Janeiro.
Após Rubens ser levado por militares, Eunice e uma de suas filhas, de 15 anos, são levadas para prestar depoimento. Mesmo abalada pelo trauma e pelo luto, Eunice busca entender o paradeiro do marido e cria forças para criar os cinco filhos em meio à opressão do regime sem que eles entendem o que aconteceu com o pai.
Anora
O longa Anora, do diretor Sean Baker, está indicado em seis categorias. Em maio de 2024, Anora venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e se colocou como um sério concorrente ao Oscar. Ao longo da temporada, no entanto, viu os filmes rivais ganharem mais destaque e, apesar de ser bastante elogiado pela crítica, passou a ser tratado como um azarão.
A maré mudou nas últimas semanas. Surpreendentemente, o longa venceu o prêmio de Melhor Filme no Critics Choice Awards. Confirmando o bom momento, também foi vitorioso no Directors Guild Awards, no Producers Guild Awards e no Writers Guild of America Awards, três dos principais prêmios dos sindicatos de Hollywood.
No longa, ambientado em Nova York, a jovem stripper Anora (Mikey Madison) conhece o filho de um oligarca russo e engata um improvável romance. Após um casamento impulsivo em Las Vegas, a família de Ivan Zakharov (Mark Eydelshteyn) planeja retornar para os Estados Unidos com um único objetivo — anular a união entre o casal. Descrito como um “conto de fadas às avessas”, o longa subverte a história da Cinderela para falar sobre as falhas do Sonho Americano.
O Brutalista
O Brutalista, o épico de 3 horas e 30 minutos do diretor Brady Corbet, está indicado a 10 categorias no Oscar 2025: Melhor Filme, Diretor, Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Trilha Sonora, Fotografia, Edição e Design de Produção.
Dentre os principais prêmios já conquistados pelo longa-metragem, destacam-se o Leão de Prata no Festival de Veneza, 3 Globos de Ouro (Melhor Filme - Drama, Diretor e Ator), 4 BAFTAs (Diretor, Ator, Trilha Sonora, Fotografia) e 1 Critics Choice Awards para Melhor Ator.
A história segue Lazló Tóth, arquiteto visionário que foge da Europa pós Segunda Guerra e chega aos Estados Unidos para reconstruir sua vida, carreira e casamento. Dividido em duas partes e um epílogo, o filme tem exatas 3h35 de duração. Há ainda um intervalo de 15 minutos em todas as projeções da obra.
Um Completo Desconhecido
Um Completo Desconhecido está indicado a 8 categorias no Oscar 2025: Melhor Filme, Diretor, Ator, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro Adaptado, Som e Figurino.
Dentre os principais prêmios já conquistados pelo longa-metragem, destaca-se o SAG Award de Melhor Ator (honraria do Sindicado dos Atores) para Timotheé Chalamet, além de indicações ao BAFTA, Critics Choice e Globo de Ouro.
O filme dirigido por James Mangold é uma cinebiografia do cantor Bob Dylan. A trama mostra o artista chegando a Nova York com seu violão e talento revolucionário. Na cidade, os seus relacionamentos mais íntimos são formados durante sua ascensão à fama. Em sua jornada, ele fica inquieto com o movimento folk, fazendo uma escolha controversa que reverbera no mundo todo.
O roteiro do longa-metragem, inspirado no livro Dylan Goes Electric!, de Elijah Wald, teve algumas interferências mínimas do próprio Dylan, segundo revelou Mangold.
Conclave
Conclave, do diretor Edward Berger, concorre a oito categorias no Oscar 2025: Melhor Filme, Melhor Ator (Ralph Fiennes), Melhor Atriz Coadjuvante (Isabella Rossellini), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte, Melhor Montagem e Melhor Figurino.
Ao longo da temporada de premiações, o filme que cresceu no boca-a-boca das redes sociais ganhou outros prêmios. Ele foi o grande vencedor do BAFTA, conquistando Melhor Filme, Melhor Filme Britânico, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem. Além disso, também ganhou como Melhor Elenco e Melhor Roteiro Adaptado no Critics’ Choice Awards e Melhor Roteiro no Globo de Ouro.
Inspirado no livro homônimo de Robert Harris (Conclave, Alfaguara), o filme mostra o que acontece a portas fechadas no Vaticano durante um Conclave após a morte inesperada do antigo Sumo Pontífice.
O Cardeal Lawrence (Fiennes), braço direito do antigo Papa, se vê a contragosto com a missão de liderar a nova eleição, e precisa equilibrar o próprio luto com a preocupação com a integridade do processo e as indagações sobre sua própria fé. Aos poucos, ele percebe que está no meio de uma teia de segredos perigosos que podem abalar todo o alicerce da igreja católica.
Duna - Parte 2
Duna - Parte 2, épico de ficção cientifica de Denis Villeneuve, está indicado em cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Som, Melhor Design de Produção, Melhor Fotografia e Melhores Efeitos Visuais.
A maior vantagem do filme está nas categorias técnicas, como Melhores Efeitos Visuais e Melhor Som - no BAFTA, o “Oscar britânico”, levou ambas. No Critics Choice Awards, venceu apenas Melhores Efeitos Visuais.
O filme é a sequência de Duna, lançado em 2021. Ambos os filmes, adaptam o romance homônimo de ficção científica escrito por Frank Herbert e publicado em 1965. A trama é ambientanda em um universo futurístico, onde os planetas são administrados por Casas Nobres sob o comando de um imperador. O Duque Leto Atreides é designado para administrar o planeta Arrakis, local de onde é extraída a especiaria melange, essencial para a manutenção do império.
Quando uma conspiração e uma traição entram no caminho da família Atreides, o filho do Duque, Paul, e sua mãe precisam fugir e se esconder em meio aos fremen, povo nativo de Arrakis que acredita que o jovem possa ser Muad’Dib, uma espécie de messias, líder político e religioso que os guiará em uma guerra iminente.
Emilia Pérez
Um dos títulos mais discutidos da temporada de premiações, Emilia Pérez é o filme recordista de indicações ao Oscar 2025, com 13. Ele concorre em Melhor Filme, Melhor Atriz (Karla Sofía Gascón), Melhor Direção, Melhor Atriz Coadjuvante (Zoe Saldaña), Melhor Filme Internacional (França), Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original (com El Mal e Mi Camino), Melhor Som, Melhor Fotografia, Melhor Cabelo e Maquiagem e Melhor Montagem.
Do diretor Jacques Audiard, o principal concorrente de Ainda Estou Aqui em Filme Internacional conta a história de Rita (Saldaña), uma advogada que recebe uma proposta inesperada: Manitas (Gascón), um líder de cartel, a contrata para ajudá-lo a se retirar do negócio e realizar um plano que vem preparando secretamente há anos: tornar-se a mulher que sempre sonhou ser. Envolvida no processo, Rita aceita embarcar na jornada e ajudar Manitas a fazer a transição. Ao mesmo tempo, as duas enfrentam dilemas sobre identidade, poder e felicidade, enquanto Emilia tenta reestabelecer a conexão com a mulher, Jessi (Gomez), e os filhos.
O filme francês chamou muita atenção ao longo de todo o ano de 2024, e passou meses acumulando diversos prêmios ao redor do mundo, mas a recepção esfriou após a estreia do filme em circuitos comerciais e na Netflix, nos Estados Unidos e no Canadá. O filme já enfrentando críticas da comunidade LGBT+ e de mexicanos por conta da representação no longa, mas a campanha veio por água abaixo após declarações antigas de Gascón em tom racista virem à tona.
O Reformatório Nickel
O Reformatório Nickel está indicado a 2 categorias: Melhor Filme e Roteiro Adaptado. Na temporada, o longa ganhou o prêmio do Sindicato dos Diretores de melhor direção de primeiro longa de ficção, o Film Independent Spirit de fotografia e o prêmio de direção e fotografia da associação de críticos de Nova York. Também conquistou indicações ao Globo de Ouro e Critics Choice Awards.
A história baseada no livro homônimo de Colson Whitehead é inspirada em fatos. A Escola para Meninos Arthur G. Dozier, na Flórida, era o maior reformatório dos Estados Unidos e funcionou entre 1900 e 2011. Em sua história, foi um local de espancamentos, abusos, tortura, estupro e até assassinato de internados, especialmente de negros. Até 1966, como em todo o Sul dos EUA, havia segregação racial no campus, dividido entre um setor para alunos brancos e outro para negros. O filme narra uma amizade improvável e poderosa entre dois garotos do reformatório.
A Substância
A Substância está indicado em cinco categorias: Melhor Filme, Melhor Atriz (Demi Moore), Melhor Direção (Coralie Fargeat), Melhor Roteiro Original e Melhor Maquiagem e Cabelo.
Ao longo da temporada de premiações, o filme teve 274 indicações no total e 128 vitórias até agora. De todas vitórias, 27 são atribuídas a Demi Moore, entre elas o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical, em janeiro, e o prêmio de Melhor Atriz no Critics Choice Awards e no SAG Awards, em fevereiro. O filme ainda levou Melhor Roteiro no Festival de Cannes 2024 e Melhor Roteiro Original no Critics Choice.
A história acompanha Elisabeth Sparkle (Demi Moore), uma atriz de 50 anos que é demitida no seu aniversário por ser ‘velha’ demais para o programa de ginástica que apresenta na TV. Ela entra em uma crise, bate o carro, e, ao parar no hospital, conhece a Substância, uma droga que promete torná-la “a melhor versão de si mesma”, mais jovem e mais bonita.
Wicked
Wicked conquistou fãs na Broadway e, no ano passado, quando estreou no cinema, conquistou fãs também nas telas. Dirigido por Jon M. Chu, o filme estrelado por Ariana Grande e Cynthia Erivo concorre em dez categorias da premiação: Melhor Filme, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som, Melhor Design de Produção, Melhor Maquiagem e Cabelo, Melhor Figurino, Melhor Edição e Melhores Efeitos Visuais.
O filme se destacou no Globo de Ouro ao receber o prêmio de Maior Realização Cinematográfica e em Bilheteria. Wicked deve vir forte nas categorias técnicas da premiação para enfrentar Duna - Parte 2.
No Critics Choice Awards, o diretor John M. Chu surpreendeu ao levar o prêmio de Melhor Diretor, apesar de não ter sido indicada ao Oscar na categoria. O filme também foi vencedor nas categorias de Melhor Design de Produção e Melhor Figurino.
A trama retrata “a história não contada” das bruxas de Oz. O musical da Broadway, que inspirou o filme, é baseado no livro Wicked, de Gregory Maguire, publicado no Brasil pela editora Leya. O filme acompanha Elphaba e Glinda. As duas estudam juntas na Universidade de Shiz, na terra de Oz, e desenvolvem, entre altos e baixos, uma amizade poderosa.







