ENVIADA ESPECIAL A LOS ANGELES - No dia seguinte à vitória histórica de Ainda Estou Aqui no Oscar, Fernanda Torres revelou que havia um certo receio, entre a equipe, de que o filme brasileiro deixasse a cerimônia sem estatuetas.
“Tínhamos muito medo de não levar o Oscar para casa”, disse ela, em conversa com jornalistas ao lado do diretor Walter Salles e do colega Selton Mello. ”Ficava um empurrando para o outro. O Walter dizia: ‘Você que tem chance’. E eu dizia: ‘não, Walter, você que vai subir lá’“.

Conforme apurou o Estadão, em reportagem publicada no sábado antes do Oscar, havia, de fato, um clima de cautela entre a equipe do longa, que não contava com a vitória mesmo com as apostas dos veículos americanos a seu favor. Havia especial preocupação quanto aos votos europeus, que são numericamente relevantes e, ao longo da temporada, vinham alinhados com Emilia Pérez.
Ao fim, porém, o filme brasileiro sagrou-se vencedor na categoria de Filme Internacional, em uma vitória muito celebrada pelos brasileiros. “Graças a Deus foi [vitorioso] com este cara super responsável pelo cinema brasileiro”, completou Torres, elogiando Salles.
“Ele subiu esse Everest duas vezes na vida, e esse Everest não é mole. Só um cara com a sensibilidade e a obstinação jesuítica do Walter é capaz de fazer esse périplo.” Ela se referia à campanha anterior do cineasta, com Central do Brasil, em 1999.
A atriz ainda comentou a forma como o Ainda Estou Aqui foi abraçado pelo público: “Esse filme virou algo além dele. Ele virou Terra em Transe [filme de Glauber Rocha]. Isso é o mais lindo. Nós ficamos muito impressionados com o poder que isso foi criando.”





