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‘Tivemos que adaptar insinuações que não são mais aceitáveis’, diz Marcos Palmeira sobre Renascer

Protagonista do novo remake da Globo esteve na primeira versão exibida em 1993; ele reflete sobre sua imagem de galã e como lida com o envelhecimento

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Foto do author Paula Bonelli
Por Paula Bonelli
Atualização:

Aos 60 anos, Marcos Palmeira volta a fazer a novela Renascer, que estreia na Rede Globo em 24 de janeiro. O fazendeiro José Inocêncio, seu personagem nesta versão, chega com um olhar mais ecológico para a produção de cacau. Além disso, ele é casado com uma mulher preta. “É muito interessante porque na versão atual a família de José Inocêncio é negra e as pessoas negras têm protagonismo na história de Renascer”, diz Palmeira. “Tivemos que adaptar insinuações que não são mais aceitáveis nos dias de hoje e que há 30 anos eram. Isso inclui qualquer insinuação relacionada à raça, crença e sexualidade” completa. Já o desprezo que José Inocêncio sente pelo filho João Pedro por conta da perda da sua amada no parto continua no remake.

Marcos Palmeira Foto: DIV

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Assim como seu personagem, Palmeira também se dá bem com a natureza. Despertou para o tema do equilíbrio da agrofloresta após adquirir uma fazenda produtora de hortaliças para mercados do Rio de Janeiro, e se tornou uma voz contra o aquecimento global. Confira a entrevista concedida à repórter Paula Bonelli.

Qual é a importância do seu personagem para a trama da novela?

O José Inocêncio é o personagem que traz uma nova perspectiva para a produção de cacau. Ele consegue identificar problemas na produção e realiza uma recuperação ambiental em suas fazendas, resultando em um cacau mais resistente à doença da vassoura de bruxa. Ter um protagonista com essa visão ecológica é muito interessante, uma novidade desta adaptação.

O personagem é marcante?

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Já tivemos uma resposta a essa pergunta no passado. Há 30 anos, Antonio Fagundes interpretou esse papel. Foi um personagem marcante, e depois ele interpretou o Rei do Gado, continuando sua carreira nesse universo rural. Alguém até brincou dizendo que eu poderia me vingar, já que, na primeira versão, interpretei João Pedro, filho de José Inocêncio, que foi rejeitado, massacrado por ele. Agora, 30 anos depois, tenho a oportunidade de viver o pai com novas camadas, em uma adaptação do neto de Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi. Benedito fez o texto da primeira novela.

O mundo mudou desde a primeira versão de Renascer em 1993, em termos de questões de gênero, de raça, direitos ganharam força. Como isso impactou o remake de Renascer?

Assim como ocorreu com Pantanal, tivemos que repensar e adaptar esses temas e insinuações que não são mais aceitáveis nos dias de hoje e que há 30 anos eram. Isso inclui qualquer insinuação relacionada à raça, crença e sexualidade. Vejo essa novela como uma oportunidade de repaginar essa história 30 anos depois. É muito interessante, pois, na versão atual, a família de José Inocêncio é negra e as pessoas negras têm protagonismo na história de Renascer. Além disso, a personagem Buba é interpretada por uma atriz trans, o que traz diversas interpretações interessantes.

Como é a preparação para uma novela que o público não tem acesso? Existe uma leitura em grupo das cenas?

Fazemos leituras das cenas juntos, preparação de corpo e trabalhamos na construção de uma conexão entre os atores para que eles desenvolvam intimidade. Quando há atores que ainda não se conhecem, é necessário um trabalho por trás das cenas. Não gravamos apenas, mas também precisamos de tempo para decorar os textos da novela. No meu caso, geralmente gravo a semana inteira, de segunda a sábado, e reservo o domingo para decorar os textos da próxima semana. Portanto, é ralação, mas também é muito enriquecedor, porque tudo faz parte da busca por uma compreensão mais profunda dos personagens e das histórias que queremos contar.

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E o calor? Como isso afeta as gravações?

Estamos chegando em um ponto de não retorno em termos de questões ambientais. Se não investirmos em um desmatamento zero no cerrado, na Amazônia, na Mata Atlântica e no Pantanal, a tendência é que o calor aumente. Isso não afeta negativamente as gravações, faz parte do contexto. Na Bahia, onde ocorre a produção de cacau, faz calor, mas estamos vivendo um momento de calor mais intenso, o que torna as condições um pouco mais desafiadoras. Precisamos manter uma boa hidratação. Tenho esperança de que as pessoas se conscientizem. Durante a pandemia, tive a esperança de que adquiriríamos uma consciência ambiental forte, quando passamos um ano sem carros, sem barcos, sem nada circulando e vimos a natureza se regenerar. As águas ficaram mais limpas. No entanto, quando voltamos à circulação normal, continuamos com os velhos hábitos de consumo inadequados, levando mais do que devolvendo à natureza. Esse casamento não pode dar certo.

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