O juiz e os advogados do caso Jackson

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Por Agencia Estado
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Veja o perfil do juiz Rodney Melville, do promotor Tom Sneddon e do advogado de defesa de Jackson, Thomas Mesereau Jr. O juiz Rodney Melville, que preside o julgamento por abuso sexual de menores contra Michael Jackson, é conhecido como um magistrado austero e tenaz, mas pouco popular na imprensa norte-americana por seu empenho em impedir o vazamento de informações do caso. Desde o fim de 2003, quando começaram as primeiras acusações contra Jackson, o juiz Melville lutou fortemente para que informações e declarações dos advogados não chegassem à imprensa. Melville - que é responsável pela seção civil do tribunal de Santa Maria, condado de Santa Bárbara - trabalha há 16 anos na Califórnia, onde construiu uma reputação de bom profissional. Antes de ser juiz, ele havia sido promotor e advogado especializado em assuntos criminais e direito familiar. Melville - que se formou na Universidade do Estado de San Diego e na faculdade de Direito Hasting, na Califórnia - foi designado como juiz do caso Jackson em 2004. Desde então, ele ganhou elogios e críticas pela forma rigorosa em que tem levado o caso. Por exemplo, nestes últimos meses recebeu múltiplos pedidos da defesa de Jackson para postergar o processo, mas não cedeu e manteve a data marcada inicialmente. Sua atitude sem compromissos com a imprensa - impondo sempre segredo total em todos os elementos do caso e proibindo qualquer declaração pública das partes envolvidas - lhe rendeu muitas críticas. Com isso, alguns jornalistas o acusaram de violar o direito constitucional da liberdade de expressão. Apesar disso, Melville recebeu o apoio da Suprema Corte da Califórnia, e seguiu com sua posição. O promotor de Santa Barbara: um cão à caça de Michael Jackson O promotor da cidade de Santa Barbara, Tom Sneddon, responsável pela acusação no caso de abuso sexual contra Michael Jackson, trabalha como um cão de caça implacável, e investiga o cantor há mais de 10 anos. Sneddon atraiu as atenções em 18 de novembro de 2003, depois que a polícia vistoriou Neverland, propriedade de Jackson em Santa Barbara, a 160 quilômetros de Los Angeles. No dia seguinte, Sneddon anunciou a acusação contra o cantor por abuso sexual, e o início de um processo contra o mesmo. Sneddon, que já foi pugilista, fez o possível para garantir o julgamento, e convocou um Grande Júri, ante o qual emitiu 10 acusações contra o cantor, entre elas as de abuso sexual e extorsão. Durante o julgamento, o promotor, que tem nove filhos, expôs Jackson como um depravado com uma história recorrente de abuso sexual de menores. Foi Sneddon quem instruiu um processo semelhante contra o astro em 1993, depois que outro menor acusou Jackson de abuso sexual. Mas seu esforço foi em vão: o cantor fez um acordo amigável com o jovem, que na época tinha 13 anos, envolvendo mais de US$ 23 milhões. Jackson vingou-se do promotor em 1995, no álbum History, em que canta: "Sneddon é um homem duro, nada o detém de alcançar seus objetivos políticos". Sobre a música, o promotor comentou: "Não lhe darei nunca a honra de ouvi-la, mas me disseram que termina com o som de um tiro". Sneddon, de 64 anos e promotor de Santa Barbara há mais de 30, explicou que seu único objetivo ao perseguir Jackson é fazer justiça. Segundo a imprensa local, ele já teve o apelido de "cão raivoso", mas, aparentemente, aplacou sua fúria com o passar dos anos. Michael Jackson foi, em 1993, sua primeira causa famosa. Thomas Mesereau, o defensor tenaz de Jackson O advogado de Michael Jackson no julgamento por abuso sexual de um menor, Thomas Mesereau, está acostumado com os processos de celebridades e possui uma reputação de defensor tenaz e temível. Aos 54 anos, tem um aspecto atlético (foi boxeador e jogador de futebol americano), usa lentes de contato, e uma de suas características é a abundante cabeleira branca, que lhe chega quase aos ombros. Na costa oeste dos EUA é uma figura midiática, que freqüentemente aparece na televisão. Entre os casos mais conhecidos de sua carreira estão a defesa do boxeador Mike Tyson, acusado de violação em 2001, a quem livrou de um julgamento. Também participou várias vezes em causas trabalhistas, com as quais ganhou um certo reconhecimento da comunidade negra. No mesmo ano do processo de Tyson, defendeu um sem-teto negro do Alabama, acusado de matar uma mulher branca. "Suponho que não sou o tipo de advogado com o qual você está acostumado", lhe havia dito Mesereau, segundo um jornal local. Além disso, em fevereiro de 2004, defendeu o ator Robert Blake (que interpretava o inspetor Baretta), que poderia ser condenado à morte se fosse declarado culpado de matar sua mulher em 2001, mas houve diferenças entre ambos e a defesa terminou nas mãos de outro advogado. Mesereau nasceu em uma família de militares. Estudou em Harvard também na Faculdade de Economia de Londres. É divorciado e não tem filhos.

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