The Cult promove festa sombria e visceral para plateia apática e aglomerada em SP

Banda de rock inglesa celebrou 40 anos de carreira com apresentação para cerca de 4 mil pessoas na Vibra São Paulo

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Foto do autor Gabriel Zorzetto
Atualização:

Em turnê comemorativa dos 40 anos de história, o The Cult se apresentou em São Paulo na noite deste domingo, 23, na Vibra, casa de shows localizada na zona sul, para cerca de 4 mil pessoas.

Essa é a oitava vinda do grupo inglês ao Brasil, que não tocava na capital paulista há 7 anos, quando integrou a programação do festival São Paulo Trip com o The Who. A nova turnê nacional já passou pelo Rio de Janeiro e termina na terça-feira, 25, em Curitiba.

Ian Astbury em show da banda inglesa The Cult no Vibra São Paulo na noite deste domingo, 23 Foto: Taba Benedicto/ Estadão

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A banda criada em 1984 subiu ao palco, com atraso, às 21h45 e fez uma apresentação de 90 minutos permeada por seus maiores sucessos, como She Sells Sanctuary e Love Removal Machine, dobradinha que encerrou a performance no bis, após a mística Brother Wolf, Sister Moon. A abertura foi com In The Clouds, tema obscuro de 1996.

O vocalista Ian Astbury, com gritos selvagens e energia intensa, estabeleceu conexão visceral com o público, cuja reação era apática em muitos momentos.

“Isso aqui é a p**** do Kansas City ou o quê? Vamos lá, São Paulo!”, provocou o cantor de 62 anos. Curiosamente, porém, não externou seu incômodo com as centenas de celulares que gravavam o concerto (ele abordou o tema em entrevista recente ao Estadão).

Astbury estava acompanhado do cofundador Billy Duffy, tremendo e subestimado guitarrista, do baterista John Tempesta e do baixista Charlie Jones.

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Guitarrista Billy Duffy, do The Cult, no Vibra São Paulo na noite deste domingo, 23 Foto: Taba Benedicto/ Estadão

A pouca iluminação ditou o tom sombrio do espetáculo, também avesso a telões e adereços estéticos. O brilho estava todo no som brutal do conjunto de hard rock, que entregou várias favoritas dos fãs: Wild Flower, Rain, Sweet Soul Sister, Revolution, Edie (Ciao Baby), Fire Woman, entre outras.

Pecou apenas a organização do evento. A produtora responsável optou por não colocar à venda as poltronas e cadeiras do Vibra, fato que provocou uma superlotação na pista.

A muvuca tornou a experiência ligeiramente desconfortável para os presentes. O fogo nos olhos de Astbury e companhia, no entanto, compensou — e nos manteve vivos.

Opinião por Gabriel Zorzetto

Repórter de Cultura do Estadão