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Documentário da Netflix que virou hit é acusado de manipular imagens com inteligência artificial

‘O que Jennifer Fez’, produção que resgata crime chocante ocorrido em 2010, aparece entre as mais assistidas da plataforma; produtor nega as alegações e Netflix ainda não se posicionou

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Foto do author Gabriela Caputo
Por Gabriela Caputo

O Que Jennifer Fez?, documentário de true crime da Netflix que figura entre os mais assistidos da plataforma, foi acusado de manipular imagens com inteligência artificial (IA) para efeitos de dramatização. A produção resgata a história chocante de Jennifer Pan, canadense que arquitetou um plano para assassinar os pais em 2010.

As alegações, que rapidamente se espalharam pelas redes sociais, vieram à tona em uma matéria do site Futurism, especializado em ciência e tecnologia. Em determinado momento do documentário, uma amiga de Jennifer Pan da época da escola descreve a jovem como “alegre, confiante e muito genuína” – em cena, aparecem imagens de Pan feliz, para ilustrar.

'O Que Jennifer Fez': documentário da Netflix é acusado de usar inteligência artificial para manipular imagens de Jennifer Pan. Foto: Reprodução

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Em uma delas, Pan faz careta para a câmera e faz o símbolo da paz com os dedos, que parecem ligeiramente deformados. Num exame minucioso, a mão esquerda da garota, por exemplo, parece ter apenas dois dedos.

Essa deformação em mãos e dedos é uma característica comum das imagens geradas por IA, dada a limitação da tecnologia em gerar os detalhes da mão humana. Conforme defende o Futurism, também é possível notar em tais imagens dedos cortados, detalhes faciais disformes, objetos transformados no fundo e um dente da frente longo demais em relação ao outro.

O caso é controverso por tratar-se de documentário sobre um crime real, cometido por uma pessoa real – que, aliás, no momento está cumprindo pena em uma prisão. A polêmica esbarra em discussões sobre os limites éticos do uso da inteligência artificial, constantemente em pauta na indústria do entretenimento nos últimos tempos.

“Isso não é inventar uma narrativa ficcional pelo entretenimento – é mexer na própria estrutura da realidade para manipular uma história verdadeira que realmente aconteceu”, condenou o site. A Netflix, assim, estaria distorcendo o registro histórico ao não divulgar o uso de IA, estabelecendo um precedente preocupante para as produções de não-ficção.

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Não há nenhuma menção ao uso de inteligência artificial nos créditos do filme. Até o momento, a Netflix não se manifestou sobre as acusações. O Estadão entrou em contato a plataforma por meio de sua assessoria de imprensa, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.

Em entrevista ao jornal canadense Toronto Star, o produtor do documentário Jeremy Grimaldi comentou vagamente as alegações. “Qualquer cineasta usa diferentes ferramentas, como o Photoshop, em filmes”, disse ele. “As fotos de Jennifer são fotos reais dela. O primeiro plano é exatamente ela. O fundo foi anonimizado para proteger a fonte”, completou Grimaldi.

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