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Nicolas Prattes se desdobra na TV e minimiza rótulo de galã: ‘Não preciso levar para minha vida’

No ar com personagens totalmente opostos em ‘Todas as Flores’ e ‘Fuzuê’, ele diz que seu interesse é mostrar sua versatilidade como ator

Foto do author Danilo Casaletti
Por Danilo Casaletti

O desejo de todo ator – ou, pelo menos, esse deveria ser um dos principais impulsos da profissão - é fazer personagens muito diferentes entre si, sobretudo para escapar de estereótipos típicos (e necessários) da teledramaturgia, como o mocinho excessivamente romântico, o galã descamisado, o atrapalhado engraçado ou o vilão impiedoso.

No caso do ator Nicolas Prattes, 26 anos, ele pôde não apenas colocar em prática esse exercício fundamental, como também teve a sorte de estar no ar o mesmo tempo com dois personagens que não guardam qualquer semelhança: o mocinho nada convencional Miguel, de Fuzuê, novela das 7, e o rapaz de caráter duvidoso Diego (Eduardo), de Todas As Flores, produção original da Globoplay que atualmente é exibida pela TV Globo no horário das 11 da noite.

O ator Nicolas Prattes em diferentes personagens: O Diego, de 'Todas as Flores' e o Miguel de 'Fuzuê' Foto: Estevam Avella e Fabio Rocha/TV Globo

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Prattes, dias desses, até brincou em uma rede social: enquanto ele assistia a um na TV, estudava o texto do outro – Todas as Flores, de João Emanuel Carneiro, foi toda gravada no entre o primeiro e segundo semestres de 2022, enquanto Fuzuê, escrita por Gustavo Reiz, que estreou em agosto deste ano, segue em produção.

“Quando leio uma sinopse, já quero saber no que posso ser diferente. Quero sempre ter uma carta na manga para surpreender o público”, diz o ator.

O bom garoto

Em 'Fuzuê', Prattes contracena com a atriz Giovana Cordeiro Foto: Fabio Rocha

Para construir o Miguel, um sujeito com muitas questões emocionais, ansioso, que faz terapia, Prattes, diz, teve que buscar uma precisão um pouco maior do que seus outros personagens. “Tive que fazê-lo com rédeas bem mais curtas. Corria o risco de ser caricato ou sem sal. Foi uma suadeira”, afirma o ator ao Estadão, que contou com a ajuda do diretor artístico Fabrício Mamberti.

Corria o risco de ser caricato ou sem sal. Foi uma suadeira

Neste trabalho, Prattes, que estreou na TV ainda criança, experimenta seu papel mais próximo da comédia. “Eu brinco que Fuzuê é uma Sapucaí em dia de carnaval.”, diz o ator, diz, sobre o escapismo que a novela sugere. Isso o ajuda a levar adiante o personagem de um homem mais sensível, cercado de emoções. “O Miguel é uma figura que prende o espectador em suas sutilezas, tiques e traumas”, afirma.

De cabelinho penteado para o lado, óculos e ternos alinhados, Miguel, formado em direito e psicologia, luta pelo amor de Luna, personagem de Giovana Cordeiro. Algo totalmente oposto de Diego de Todas As Flores, um rapaz que começa na história como um menino pobre que, após perder a moradia, vai viver com a mãe e os irmãos na rua.

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O drama da vida real

Prattes na novela 'Todas as Flores': a realidade brasileira Foto: Estevam Avellar

Para tentar dar uma moradia digna para a família, aceita assumir a culpa de um acidente de trânsito. Traído, acaba preso e, mais tarde, se torna membro de uma organização criminosa, na qual assume uma nova identidade.

Em uma das cenas mais emblemáticas de Todas as Flores, Prattes aparece raspando os cabelos na prisão. Em outras, se desespera no cárcere. Também aparece nu, em um humilhante banho de mangueira antes de ser posto em uma cela.

O público se identificou com o Diego justamente por ele ser um brasileiro típico. Acontece de tudo com ele

Um drama bastante realista. Algo distante da realidade de Prattes. “Ao longo da vida, nos tornamos mais humanos, mais empáticos. A história é muito pesada. Mas é só você assistir a um telejornal para ver que há pessoas que perdem seus filhos, que vivem em condições precárias”, diz o ator.

Todas as Flores, que fez sucesso no streaming, apesar de críticas sobre a condução da trama, sobretudo em sua segunda parte, trouxe aos atores uma experiência diferente pelo fato de ter sido a primeira novela feita para uma plataforma, com capítulos disponibilizados semanalmente. Prattes gostou do resultado.

“O público se identificou com o Diego justamente por ele ser um brasileiro típico. Acontece de tudo com ele. Ele faz tudo baseado no bem, no amor à família”, diz.

Sem tempo de ser galã?

Prattes em foto postada em seu Instagram Foto: Reprodução/Instagram @nicolasprattes

As cenas de Diego renderam diversos cortes e memes nas redes sociais. Seus olhos assustados e seus gritos, em grandes closes, circulavam por perfis. Prattes diz que gosta de acompanhar e até estimular toda essa repercussão que, na verdade, só gera mais interesse pelo personagem.

“O contato do ator com o público ou é na rua ou nas redes. Gosto de mostrar que as pessoas estão me vendo, mas também sendo vistas por mim”, diz, mesmo que isso o faça abrir mão da vaidade – ele não usou maquiagem em muitas cenas. “As olheiras do Diego eram as do Nicolas que estava ali o dia inteiro angustiado e aflito com a história. É como uma mãe que perde o filho para uma bala perdida e dá uma entrevista. É a vida real”.

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O ator é um atleta. Ser uma pessoa ativa só me ajuda

Nas redes sociais, Prattes também exibe sua rotina de treinos físicos, como aulas de boxe e corrida. Tudo, segundo ele, para além da saúde, o ajuda na sua profissão. “O ator é um atleta. Ser uma pessoa ativa só me ajuda. Eu venho do teatro. Meu dedo mindinho sempre esteve vivo em qualquer personagem”.

Treinar e mostrar o corpo, seja na TV ou na internet, também traz o rótulo de galã. Algo que ele diz não levar a sério. “Se é assim que o público me vê, ótimo, mas não preciso levar como verdade para minha vida. Entendo que a teledramaturgia precisa de galãs, mas repito o que Tarcisão (Tarcísio Meira) dizia: algo como ‘vocês podem me colocar na gaveta que vocês quiserem, mas eu não tenho o dever de acreditar’”, diz.

Carreira internacional

Além de Fuzuê e Todas as Flores, Prattes pode ser visto ainda na série musical Vicky e a Musa, disponível também no Globoplay, e espera a data de estreia de Rio Connection, parceria da Globoplay com a Sony e a produtora Floresta que no elenco nomes como Marina Ruy Barbosa, Renata Sorrah e o ator francês Aksel Ustun.

Eu falo inglês desde sempre, já estudei em Los Angeles. Estou preparado

Embora já esteja totalmente filmada há cerca de dois anos, a produção não tem data definida para ir ao ar no Brasil – a série já foi lançada em países como Alemanha, Holanda e Suíça. Nela, Prattes dará vida a um mafioso italiano da Cosa Nostra, com atuação em inglês. Quando for ao ar por aqui, o personagem será dublado pelo próprio ator.

Rio Connection é um passo importante para uma carreira internacional. “Sou totalmente apaixonado pelas novelas – e sei que ninguém as faz melhor do que o Brasil. Mas as portas do mercado estão abertas para os brasileiros. Não é mais impossível, sobretudo com o streaming. Eu falo inglês desde sempre, já estudei em Los Angeles. Estou preparado”, diz.

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