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Cientista político e economista

Opinião|Líderes globais seguem políticas do passado e ameaçam democracia moderna

Normalmente, meu foco são os EUA e o Brasil. Mas desta vez Vladimir Putin reivindicou seu lugar

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Não há dúvidas. Em vez de se sentirem melhor, pessoas de todas as idades, em quase todos os países, e muitos dos jovens, sentem que a democracia moderna não é mais a maneira correta de buscar um mundo melhor. Em muitos casos, os líderes, em vez de olhar para frente, seguem políticas do passado, quando os poderosos podiam garantir a continuidade de sua posição, até que outra pessoa conseguisse assumir o poder. Ocasionalmente, essa sucessão pode ser sangrenta.

Normalmente, meu foco são os Estados Unidos e o Brasil. Mas Vladimir Putin reivindicou seu lugar com o assassinato de um rival de longa data, Alexeil Navalny. Vou citar brevemente a declaração de sua assistente, Lubov Sobol: “Sua contribuição para a construção de um movimento democrático é realmente imensa... Ele voltou para casa depois de sua condenação em 2021, terminando em condições torturantes em uma colônia russa... Nos tempos sombrios e assustadores que estamos vivendo, Navalny era uma estrela guia e continua sendo”.

Agências de notícias russas e ocidentais informaram nesta sexta-feira, 16, a morte do líder da oposição russa Alexei Navalni na prisão. Navalni estava preso em uma colônia penal em Kharp, no Ártico russo, e pouco se sabia sobre o seu exato estado de saúde Foto: Yuri Kochetkov/EFE

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Esse é apenas o mais recente dos passos tortuosos de Putin. Antes disso, veio sua posição permanente como presidente em 2010, e uma série de ataques e “suicídios” de inimigos designados. A Rússia interferiu na eleição de Trump nos EUA em 2016, marcando um relacionamento que ainda continua. A expansão no Oriente Médio e em outros lugares se intensificou.

Mas Putin não é o único a defender a destruição. Há a chocante afirmação de controle governamental do Paquistão ao negar o retorno de Imran Khan, apesar da maioria eleitoral de seu partido. Há a restrição contínua e cada vez pior na Abissínia, onde o governo restringe violentamente a participação feminina. As eleições na Indonésia criaram um novo presidente com tendências populistas e um passado militar.

Recentemente, o Irã avançou na direção da capacidade nuclear total, ao mesmo tempo em que continua a fornecer apoio às forças do Houti que interrompem o tráfego no Mar Vermelho e, mais recentemente, aumentou seu fornecimento de assistência na África e em Gaza.

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Os Estados Unidos têm procurado, sob o governo Biden, lidar com esses problemas crescentes, incluindo a insatisfação chinesa com o apoio contínuo a Taiwan e o menor crescimento interno. Telefonemas, visitas pessoais e assistência financeira têm sido as principais respostas. Elas se mostram inadequadas quando as autoridades nacionais seguem regras diferentes. Em toda parte, o populismo e o nacionalismo estão em alta.

O Brasil não é diferente. Seu problema fiscal não é resolvido pelos esforços imaginativos do governo Lula. O déficit zero de 2024 não ocorrerá, apesar dos primeiros sinais de maior receita federal. As políticas de revisão dos déficits previdenciários permanecem para o futuro. Os subsídios para estimular novos esforços de industrialização já estão em andamento. Haverá mais atrasos na incorporação das necessidades fiscais. O foco nos pobres, com financiamento ainda inadequado, faz sentido. A mudança na produtividade ainda está atrasada.

Que soluções proponho para tornar o mundo mais estável e voltado para o futuro?

A primeira é a necessidade de lidar seriamente com a política climática. Presumimos que, de uma forma ou de outra, acordos internacionais amplos resolverão as questões em última instância. No entanto, isso nunca parece funcionar. Os países em desenvolvimento querem transferências maiores dos países desenvolvidos. Esses acordos são insuficientes. O Ártico e o Antártico estão derretendo mais rapidamente do que o esperado. Esforços sérios de pesquisa apontam para problemas ainda mais profundos do que se pensava anteriormente.

Opinião por Albert Fishlow

Economista e cientista político, professor emérito nas universidades de Columbia e da Califórnia em Berkeley

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