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‘Olhamos reajustes e acordos coletivos para entender pressão dos salários’, diz Campos Neto

Segundo ele, autoridade monetária está acompanhando com atenção a pressão sobre a inflação e o avanço da inflação de serviços

Foto do author Eduardo Laguna
Foto do author Eduardo Rodrigues
Por Eduardo Laguna (Broadcast) e Eduardo Rodrigues

SÃO PAULO e BRASÍLIA - O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta quarta-feira, 21, que a autoridade monetária está acompanhando com atenção a pressão dos salários sobre a inflação. “Olhamos os reajustes e acordos coletivos no detalhe para entender a pressão de salários”, declarou Campos Neto durante participação no café da manhã da Frente Parlamentar da Economia Verde, em Brasília.

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Após reforçar que é muito importante assegurar que a inflação no Brasil continue convergindo em direção à meta, Campos Neto disse que os últimos dados da inflação de serviços vieram marginalmente piores. Ele relacionou, porém, o comportamento mais recente da inflação de serviços a fatores não recorrentes, como a alta nos preços de serviços bancários.

Ele disse, entretanto, que faltam elementos para a autoridade monetária entender a velocidade do último estágio do processo de desinflação de serviços, a chamada “última milha”. “Não temos componentes para entender se a última milha da desinflação de serviços vai se dar de forma linear ou com momentos de convergência mais lenta.”

Esse cenário não é particular do Brasil, já que no resto do mundo a desinflação de bens, com a contribuição da China, que “exporta deflação”, vem mostrando comportamento mais benigno do que a de serviços, cuja inflação segue relativamente alta em termos históricos.

Roberto Campos Neto, presidente do BC Foto: ALEX SILVA /ESTADAO

Conforme Campos Neto, o grande debate hoje é sobre quais fatores e riscos serão observados no processo de desinflação daqui para frente. Se o processo for revertido, alertou, o mundo terá de conviver com juros mais altos por mais tempo.

Os preços de energia e alimentos, que vinham contribuindo para a desinflação global, já não caem na mesma velocidade, disse o presidente do BC. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, o processo como um todo é desinflacionário, porém os últimos índices surpreenderam com leituras de inflação acima da esperada.

PIB

O presidente do BC voltou a chamar a atenção também para o crescimento acima do esperado da economia brasileira, atribuído a fatores conjunturais e estruturais, lembrando que economistas têm errado frequentemente as previsões sobre o desempenho da atividade econômica.

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Da mesma forma, pontuou Campos Neto, há uma diferença muito grande entre a meta do governo de zerar o déficit fiscal e os cenários do mercado, que vê ainda um buraco de 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nas contas primárias neste ano.

O presidente do BC considerou que, mesmo com o arcabouço fiscal, a dívida pública pode se estabilizar ou subir em menor velocidade, mas não há uma tendência de recuo. “Em algum momento teremos de debater a convergência da dívida brasileira”, defendeu Campos Neto.

Juro real

O executivo disse também que os juros do Brasil, em termos reais, estão mais perto da taxa neutra do que os de outras economias emergentes.

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Ele salientou que a diferença entre os juros reais e a taxa de equilíbrio aproximou-se - “está bem perto” - da observada no mundo avançado.

Quando a referência são pares emergentes, os juros do Brasil, disse Campos Neto, estão mais perto da taxa de equilíbrio do que outros países. Ele citou como exemplo, nessa comparação, o Chile. Ao explicar por que os juros no país vizinho estão mais baixos do que os do Brasil, Campos Neto observou que a taxa de equilíbrio no Chile, em termos reais, está entre 1% e 1,5%, enquanto no Brasil ela gira entre 4,5% e 5%. “A questão é: por que nossa taxa de equilíbrio é tão alta?”, assinalou Campos Neto.

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