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Jornalista e comentarista de economia

Opinião|O rali da Bolsa e o investidor comum

O maior apetite pela tomada de riscos surpreendeu o mercado financeiro em 2023

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Foto do author Celso Ming

O Índice Bovespa avançou nada menos que 22% em 2023, um desempenho que quase ninguém imaginava no início do último ano. Muita gente deve bater as mãos na cabeça e dizer: “como fui perder mais essa!”.

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Ao longo de 2023, os tais analistas financeiros insistiram em recomendar aplicações em renda fixa, alegando três principais razões: a de que os juros continuavam muito altos, portanto sugeriam aplicações em juros; a de que a economia do País enveredava em direção a enorme rombo fiscal que, portanto, afugentaria aplicadores de risco; e a de que as empresas com ações em Bolsa apontavam para resultados relativamente fracos.

Ou seja, o maior apetite pela tomada de riscos surpreendeu o mercado financeiro e todos os seus agentes.

Certos fatores então ignorados favoreceram esse salto em renda variável. O primeiro foi a recuperação dos preços das ações, quase por inércia, que veio depois da paradeira ou queda dos negócios produzidos pela pandemia. O segundo foi o de que, mal ou bem, depois de tantos anos, o Congresso aceitou votar uma reforma tributária que pode destravar muitos negócios no País; e, terceiro, o início do ciclo de queda dos juros.

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O objetivo desta Coluna não é desfilar recomendações para 2024. É tentar pontuar certos equívocos que prevalecem entre os chamados consultores do mercado financeiro.

Um deles é sempre tentar enquadrar os investidores em perfis rígidos, como o conservador, moderado ou arrojado. Essa classificação pode proporcionar conforto para os bancos, sempre dispostos a repassar no atacado algumas dicas de aplicação. Mas não é adequada para o cliente que pretende tirar melhor proveito do comportamento do mercado, que necessita de um tratamento sob medida.

Principal índice da Bolsa Brasileira terminou 2023 com valorização de mais de 20% Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Do ponto de vista técnico, o investidor deve ser mais agressivo quando o mercado está propenso ao risco e recuar para um comportamento conservador quando as turbulências passam a prevalecer. Mas essa capacidade de estar sempre pronto a mudanças súbitas de posição não serve para pessoas comuns, que não dispõem nem de tempo nem de conhecimento aprofundado para acompanhar diariamente a evolução dos mercados e, ao mesmo tempo, não conseguem ter agilidade para mudar de posição na hora certa.

O que se pode dizer é que, sem correr algum risco, o retorno de uma aplicação financeira será sempre baixo e burocrático. Por isso, se é para incrementar o patrimônio, é preciso disposição para sair pro alto-mar.

Mas quem aplica em renda variável e perde o sono a cada soluço da Bolsa tem três opções: ou aceita que sempre pode perder alguma coisa e, nesse caso, não tem de limitar seu risco; ou combate a perda de sono com soníferos à moda antiga, contando saltos de carneirinhos sobre um cercado e tomando certa dose de “maracujina”; ou, simplesmente, não sai para enfrentar esse tipo de ventania.

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Opinião por Celso Ming

Comentarista de Economia

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