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China prepara medidas para estimular economia

Antecipação de projetos de infraestrutura, expansão de crédito para pequenas e médias empresas e linhas de subsídio estão na lista do governo

Por CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE e PEQUIM
Atualização:

O governo chinês se prepara para ajustar suas políticas com o objetivo de estimular o crescimento, depois que dados de abril indicaram uma desaceleração mais acentuada que a esperada no ritmo de atividade econômica. Entre as medidas que devem ser adotadas estão a antecipação de projetos de infraestrutura em determinadas áreas, a expansão do crédito para pequenas e médias empresas e uma nova rodada de subsídios para compra de materiais de construção e de eletrodomésticos que consomem pouca energia."A economia da China ainda enfrenta alguns problemas evidentes e em especial a pressão declinante sobre a economia está aumentando", disse o primeiro-ministro Wen Jiabao durante reunião de gabinete realizada ontem para discutir a reação oficial à freada da produção.Dados de abril mostraram desaceleração acentuada da atividade industrial, da geração de eletricidade, dos empréstimos bancários, das transações imobiliárias e do comércio exterior, reforçando os temores de um "pouso forçado" da segunda maior economia do mundo.A redução da pressão inflacionária permite que as autoridades de Pequim afrouxem a política monetária e sejam mais ativas nas políticas de estímulo. "Nós devemos colocar o crescimento econômico em uma posição mais importante e fortalecer o ajuste das políticas para que elas sejam mais focadas, flexíveis e prospectivas", declarou o primeiro-ministro.O combate à inflação foi prioridade do governo durante grande parte de 2011, quando o Índice de Preços ao Consumidor atingiu o pico de 6,5% em julho, o mais alto nível em três anos. Os reajustes se tornaram mais suaves em meses recentes e a inflação cedeu para 3,4% em abril, abrindo espaço para políticas de estímulo que o governo parece disposto a adotar para evitar uma desaceleração brusca.O Banco Mundial reduziu ontem sua previsão de crescimento da China neste ano para 8,2% e alertou que a perda de ritmo do país poderá afetar a demanda e os preços de commodities - entre as quais está o minério de ferro exportado pelo Brasil. Se confirmado, esse será o mais baixo índice de expansão desde 1999. Mas a instituição ressaltou que as autoridades de Pequim têm "espaço suficiente" para adotar medidas que evitem uma desaceleração muito rápida da economia e conduzam o país a um "pouso suave".Os 8,2% de expansão representariam queda de 1,1 ponto porcentual em relação ao resultado do ano passado e de 2,2 pontos na comparação com os 10,4% de 2010.O menor ritmo de crescimento terá impacto sobre a demanda chinesa de matérias-primas destinadas à produção de bens e aos projetos de construção civil e de infraestrutura. "Na medida em que a perspectiva de crescimento se reduz, os preços globais de commodities declinam", disse o Banco Mundial.Ritmo lento. Os investimentos em infraestrutura que sustentaram o crescimento de 2009 a 2011 perderam fôlego e estão no mais lento ritmo dos últimos dez anos. Na reunião de ontem, o primeiro-ministro ressaltou que o cenário terá de mudar."Nós devemos acelerar a velocidade de construção de projetos que precisam de aprovação governamental, como nas áreas de ferrovias, conservação de energia, infraestrutura rural e na região oeste, educação e saúde", afirmou Wen durante o encontro, segundo a imprensa oficial.No fim de semana, o premiê já havia acenado com o aumento do crédito para infraestrutura e pequenas e médias empresas, bem como um novo programa de subsídios para materiais de construção e eletrodomésticos que consomem pouca energia.Se confirmado, o subsídio vai beneficiar a brasileira Embraco, que tem uma fábrica de compressores de geladeira com 2,5 mil empregados em Pequim. João Carlos Lemos, diretor de negócios para a Ásia da empresa, afirmou que as vendas de 2012 estão semelhantes às registradas no ano passado.Com as medidas de estímulo e a queda da inflação registrada nos últimos meses, Lemos espera um 2013 de resultados melhores. "O governo agora pode relaxar o controle sobre o consumo", observou.Mas as eventuais iniciativas pró-crescimento serão muito mais tímidas que o megapacote anunciado pela China em novembro de 2008, logo depois do início da crise financeira global. Aquelas medidas levaram a uma explosão de crédito bancário e ao acúmulo de créditos podres nos bancos estatais, em um problema de dimensões ainda desconhecidas.

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