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Bastidores do mundo dos negócios

Adnoc e Novonor ainda vão se sentar à mesa antes de oferta pela Braskem

Uma reunião entre as partes poderia ocorrer já na próxima semana

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Por Cynthia Decloedt (Broadcast)
Sede da Adnoc, em Abu Dhabi: afundamento de mina da Braskem em Maceió, no ano passado, trouxe mais incertezas para os árabes Foto: Marco Curaba/stock.adobe.com

A petroleira de Abu Dhabi Adnoc e a Novonor (ex-Odebrecht), controladora da Braskem, ainda devem se sentar à mesa antes de uma oferta vinculante pela petroquímica se tornar realidade. Uma reunião entre as partes poderia ocorrer já na próxima semana, apurou a Coluna.

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A Adnoc concluiu as diligencias nas unidades da Braskem. No entanto, o processo de avaliação da companhia como um todo ainda não chegou ao fim. Na quinta-feira, 14, as ações da Braskem subiram com rumores de que uma proposta vinculante seria apresentada em breve. Os papéis fecharam na máxima do dia, em R$ 21, com alta de 0,8%, enquanto o Ibovespa caiu 0,25%.

Fontes próximas à negociação afirmam que ainda há um trabalho a ser feito antes de isso acontecer. Do lado da Adnoc, os comentários recentes são de que eventuais revisões no passivo relacionado à operação desativada de sal-gema em Maceió, após o afundamento da mina 18 no ano passado, trouxeram mais incertezas ao negócio para os árabes.

Ex-Odebrecht gostaria de ficar com fatia maior

Já a Novonor gostaria de ter uma fatia maior do que os 4% propostos pela Adnoc ao final da transação. Além disso, a proposta financeira não cobre a dívida dos bancos.

A Adnoc propôs no ano passado ficar com 38% do capital total da Braskem por R$ 10,5 bilhões. A Novonor ficaria com 4% do capital total. A dívida da Novonor com os bancos, que tem como garantia as ações da Braskem, soma mais de R$ 15 bilhões. São credores o Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES.

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As questões relacionadas às minas de sal-gema em Maceió, desativadas em 2019, após constatação de deslocamentos no solo em bairros residenciais no entorno da operação, foram tema bastante questionado durante as diligências. Em 2019, essa questão levou a holandesa LyondellBasell a desistir do negócio já confirmado pela petroquímica brasileira.

Acidente em Maceió voltou a ficar em evidência em 2023

Agora, voltaram a ficar em evidência pelos novos acontecimentos no local, no ano passado, e com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional. A petroquímica passou a ser alvo de acusações de grupos políticos regionais.

A Novonor detém o controle da Braskem, com uma participação de 50,1% das ações ordinárias e 38,3% do capital total. Ao seu lado está a Petrobras, com uma fatia de 47% das ordinárias e 36,1% do total. A Novonor negocia sua fatia como parte do plano de recuperação judicial.

A ideia da Adnoc, 12ª maior empresa produtora de petróleo do mundo, é marcar presença nas Américas com essa aquisição, criando uma plataforma de investimentos a partir da Braskem, que pode ter seu capital fechado.

Procuradas, a Novonor e Adnoc não comentaram.

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Este texto foi publicado no Broadcast no dia 15/03/24, às 12h44

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