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Bastidores do mundo dos negócios

Após aquisições, VR vira onipresente para o trabalhador da classe C e fatura R$ 11 bi

Grupo recebeu aporte de fundo de Cingapura

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Foto do author Altamiro Silva Junior
Por Altamiro Silva Junior (Broadcast)
Atualização:
Restaurante no bairro Itaim em São Paulo. VR quer ir além do vale-refeição - FOTO DANIEL TEIXEIRA/ ESTADAO Foto: ESTADAO CONTEUDO / ESTADAO CONTEUDO

Com quase meio século de existência, a VR está fazendo sua maior transformação. Criada nos anos 1970, a empresa, que virou sinônimo de vale-refeição no Brasil, resolveu partir para uma série de aquisições, mudar sua estrutura e atuar em segmentos como mobilidade, marketplace, serviços para recursos humanos, além de voltar a dar crédito consignado, sempre voltada aos trabalhadores da classe C. Abrir o capital na B3 pode ser uma opção mais a frente.

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Na nova estrutura, o Ecossistema VR passou a abarcar as seis unidades de negócios do grupo, que tem 80 mil clientes corporativos. Com o novo modelo, conseguiu aumentar a base de usuários no ano passado em 56%, para 4,7 milhões de trabalhadores, e chegar a um faturamento anual de R$ 11 bilhões. Hoje 70% do público que usa os produtos da marca são da classe C.

O presidente executivo da VR, Cláudio Szajman, tinha um rascunho desse modelo de negócios em 2007 - ainda sem o termo “ecossistema” -, que virou moda mais recentemente entre as empresas de tecnologia. À época, ele chegou a desenhar um esquema no qual o trabalhador ficava no centro e a empresa supria as diversas necessidades de produtos e serviços que ele teria ao longo de sua jornada de trabalho, não só o vale-refeição.

Não deu tempo de implementar a ideia, pois a família decidiu vender a operação principal do grupo para a rival francesa Sodexo, por R$ 1 bilhão. A VR ficou apenas com a marca e uma companhia prestadora de serviços, como os de processamento das transações. Em 2014, passados os acordos de não concorrência, a VR decide voltar a operar com o negócio principal pelo qual o grupo ficou conhecido. Para isso, começou a empresa novamente do zero. “Em janeiro de 2014, não tínhamos nenhum cliente: construímos tudo de forma orgânica desde lá”, diz Szajman, que hoje vive em Nova York, onde a família tem uma empresa de investimentos.

VR recebeu aporte do fundo soberano de Cingapura

A decisão de reativar a VR se mostrou acertada e, em 2020, o grupo conseguiu atrair o GIC, fundo soberano de Cingapura, que fez um aporte na empresa, de valor não revelado. É com esse dinheiro que a VR vem bancando as aquisições recentes e também a criação de uma empresa de cartões pré-pagos com a Caixa Econômica Federal e a americana Fleetcor, negócio de R$ 420 milhões fechado em 2021.

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Uma das aquisições foi a Pontomais, de Curitiba, maior empresa de pontos eletrônicos do Brasil, uma forma de complementar produtos para a área de recursos humanos. Em seguida, comprou a Audaz, especializada em produtos como vale-transporte e que vai se transformar na VR Mobilidade. Outra compra foi a Global Points, empresa com plataforma tecnológica de marketplace e cashback, o que permite à VR criar programas de fidelidade para empresas.

Por trás das aquisições, a estratégia foi sair do foco em alimentação e entrar em novas áreas. “Queremos atender o trabalhador em sua jornada completa, de quando ele acorda até o momento em que ele vai dormir”, diz Szajman.

O próximo passo do grupo é voltar a oferecer crédito consignado, negócio que a VR entrou no começo dos anos 2000, quando a legislação foi criada, mas que em 2007 foi para as mãos do Unibanco. Sua carteira foi vendida, mas o Banco VR continuou nas mãos da família e é ele que vai permitir a retomada dos empréstimos.

O grupo já oferece crédito com desconto em folha para aposentados e vai em breve ter também para empresas privadas.

Funcionários da VR devem receber incentivo por impacto social

A VR quer remunerar os funcionários não apenas pelo faturamento que gera à empresa, mas também pelo impacto social que conseguem fazer. “Estamos fazendo um movimento para medir isso, incluindo com a contratação de uma consultoria, com o objetivo de ampliar o impacto social da empresa.”

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A VR foi fundada por Abram Szajman associada a um programa social. Em 1976, o governo cria o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT) e, um ano depois, surge a VR. Dentro do projeto de avançar no social e nas outras duas vertentes da sigla ESG (governança e meio ambiente), a VR contratou Sergio Gusmão Suchodolski, que ficou 3 anos no Banco dos Brics, em Xangai, e ainda tem passagens pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e pelo Banco Desenvolve SP.

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