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Bastidores do mundo dos negócios

Após eleições, imobiliárias dobram vendas no exterior para brasileiros

Nem condições de mercado adversas para adquirir imóveis lá fora afetaram o interesse de quem quer se mudar, segundo especialistas

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Por Circe Bonatelli
Miami Beach, na Florida, um dos locais tradicionalmente mais buscados por brasileiros que querem deixar o País Foto: Joe Skipper/REUTERS

Como nas três últimas eleições à Presidência, as vendas de casas no exterior para brasileiros cresceram. Com a vitória de Lula, algumas famílias locais ricas decidiram fazer as malas e fechar negócio - e as vendas dobraram em algumas imobiliárias especializadas. Isso, mesmo com os juros altos do crédito imobiliário lá fora e o real depreciado em comparação ao dólar e ao euro. A imobiliária de casas de luxo Duek Lara Group, por exemplo, registrou vendas de US$ 20 milhões em novembro, enquanto a média de janeiro a outubro ficou em US$ 10 milhões. A empresa foi fundada pelo empresário André Duek (ex-presidente do grupo de moda Forum Triton) e comprada pela multinacional do grupo One Sotheby’s. Seu nicho de atuação é a Flórida, nos EUA.

Salto de vendas aconteceu em novembro

O mesmo movimento foi identificado pela Faccin Investments, do empresário Cássio Faccin, que presta consultoria para brasileiros que estão de partida para os EUA (Miami e Nova York) e Portugal. As vendas de casas chegaram a US$ 17,3 milhões em novembro, contra a média de US$ 9,8 milhões entre janeiro e setembro.

Em meses anteriores, negócios estavam parados

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A empresa também recebeu 4,7 mil contatos nos dois meses, entre e-mails, telefonemas e mensagens no celular, ante 5,9 mil no restante do ano todo. Segundo Faccin, os negócios estavam frios nos últimos meses por conta da desvalorização do real, além da inflação e dos juros altos por lá.

A taxa de juro fixa em um contrato de financiamento imobiliário de 30 anos nos Estados Unidos subiu para a faixa de 6,5% a 7% ao ano, enquanto nos melhores anos ficava mais próxima de 2%. Após o resultado das eleições, porém, a demanda por parte dos brasileiros aumentou.

Para ele, as condições do mercado no exterior não são as melhores para se comprar um imóvel. “Mesmo quando eu dou esse aviso, os compradores dizem que não se trata de um investimento, mas uma vontade de mudança”, diz. Duek diz ter tido o mesmo tipo de experiência. “Quem está comprando imóvel são pessoas que já estavam pensando em se mudar”, afirma. “Com o resultado das eleições, ficaram sem paciência para esperar.”

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Potenciais clientes têm renda anual de ao menos R$ 700 mil

Os clientes que vão para fora do País com a intenção de comprar um imóvel costumam ter renda anual de pelo menos R$ 700 mil a R$ 1 milhão. Lá, as moradias partem de US$ 200 mil e podem ir, facilmente, para a faixa dos US$ 10 milhões.

Duek afirma ainda que o período pós-eleições costuma ser marcado por um ímpeto de mudança por parte de brasileiros insatisfeitos com os resultados das urnas. As vendas também tiveram picos após a vitória de Dilma Rousseff, em 2014, e de Jair Bolsonaro, em 2018.

Em sua avaliação, esse movimento vai além das divergências entre esquerda e direita. “O pós-eleições é um momento em que muita gente costuma fazer um balanço do que quer na vida e tomar uma decisão de mudança”, afirma.


Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 30/11/2022, às 17h34

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