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Bastidores do mundo dos negócios

Verdemed faz rodada para captar R$ 7,5 milhões e negocia IPO em Toronto

Farmacêutica com base no Canadá vende canabidiol no Brasil

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Por Isabela Moya
Empresa é comandada pelo brasileiro José Bacellar, economista e especialista nas áreas de mercado e regulação de cannabis medicinal Foto: EVA UZCATEGUI / REUTERS

A Verdemed, farmacêutica que desenvolve e comercializa produtos à base de cannabis medicinal com base no Canadá para venda no Brasil, fará, até o fim deste ano, uma nova rodada de investimentos. O objetivo é captar até US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 7,5 milhões). A farmacêutica está negociando também a abertura de capital na TSX Venture Exchange (TSXV), a Bolsa de Valores de Toronto para empresas em estágio inicial. Se aprovado o IPO, o plano é fazer uma dupla listagem por meio de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) no Brasil.

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Fundada e comandada pelo brasileiro José Bacellar, economista e especialista nas áreas de mercado e regulação de cannabis medicinal, a companhia já nasceu com a ideia de trazer seus medicamentos para o Brasil. Mesmo sediada no gigante da América do Norte, a farmacêutica não atua no mercado interno canadense. Apesar de o centro de pesquisa ficar em Toronto, o público-alvo é o brasileiro que sofre de dores crônicas, epilepsia refratária, distúrbios de ansiedade e de sono - nesses casos, o canabidiol é usado como terapia coadjuvante.

Bacellar conta que a ideia, quando fundou a Verdemed, era baratear e trazer para o País fórmulas de medicamentos à base de cannabis consagrados no exterior. “Já trouxemos uma fórmula dos gold standards para cá. Agora entramos com novas formulações próprias”, diz o CEO.

Canabidiol da farmacêutica é vendido em redes de farmácias

No Brasil, a companhia vende o Canabidiol Verdemed 50mg/ml e irá lançar em outubro a versão de 23,75mg/m. A empresa já recebeu aprovação da Anvisa para cinco outras concentrações do CBD e irá inseri-los no mercado no próximo ano. Um deles é o Canabidiol Verdemed 100mg/ml, um CBD isolado similar ao Epidiolex (primeiro medicamento derivado da cannabis aprovado pela FDA, a agência regulatória americana). Como precisa ser importado, esse produto tem um custo maior (acima de R$ 2.500, fora o frete), enquanto o da Verdemed está na faixa de R$ 692,29 e é vendido em farmácias brasileiras, como as redes Raia-Drogasil, Drogaria São Paulo e Panvel nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul. As demais regiões do País são atendidas por meio de farmácias que entregam à distância.

O portfólio de medicamentos derivados da cannabis aprovados pela Anvisa aumenta em um contexto de escassez de alternativas no mercado, ao passo em que cresce a demanda por esses produtos. Dados da Anvisa apontam que em 2022 foi registrado um crescimento de 93% na importação destes produtos através da RDC 600/2022.

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As vendas em farmácias já superam os R$ 100 milhões; e há uma crescente demanda pelo setor público - Estados e Municípios. O faturamento da Verdemed em 2022 foi de US$ 500 mil. Para este ano, a projeção é de US$ 1,5 milhão e, para 2024, o dobro (US$ 3 milhões), segundo a companhia.

Rodada de investimentos e IPO

Para conseguir financiar a expansão da empresa, a Verdemed fará uma nova rodada de investimentos até o fim deste ano. O objetivo é levantar cerca de US$ 1,5 milhão e mais US$ 3,5 milhões até a metade do próximo ano. Essa não é a primeira vez que a farmacêutica vai a mercado. Nos cinco anos de existência, já arrecadou US$ 10 milhões em outras rodadas. “Identificamos um interesse muito grande dos investidores agora que nossos produtos já estão registrados e na farmácia. Os investidores têm mais certeza não só do desempenho passado, mas também da segurança com relação àqueles que serão aprovados”, diz Bacellar.

Além disso, a companhia está no estágio inicial de negociação para abrir capital e entrar na TSXV. A Bolsa canadense é, atualmente, conhecida mais no setor de mineração, visto que abriga mineradoras canadenses-brasileiras (com sede no Canadá e operações no Brasil), como a Sigma Lithium e a Bravo Mining, e não é muito explorada pelos outros setores. Se a negociação vingar, a Verdemed será a primeira farmacêutica fundada por brasileiros e com operações no Brasil dentro da Bolsa de Toronto. E com isso, para que os investidores brasileiros não fiquem de fora, Bacellar diz que tem em mente fazer um “dual listing”, emitindo BDRs para serem negociadas na B3.

Estas captações serão utilizadas para financiar o crescimento da companhia dentro do Brasil, a realização de estudos clínicos, o desenvolvimento de novos produtos e a sua expansão na América Latina. “Vai dar uma robustez maior para a empresa”, comenta o CEO sobre os investimentos esperados. “Não temos nenhuma intenção de sair [do controle da empresa]”, acrescenta Bacellar. “É só para ter mais liquidez. Vão se abrir oportunidades de consolidação e já tem empresas que estamos olhando.”

Plano de expansão na América Latina

Agora, após entrar no Brasil, a Verdemed pretende expandir sua atuação para outros países da América Latina. Já com o registro de um medicamento no Peru, que começará a ser vendido no ano que vem, a farmacêutica olha também para Chile, Colômbia, Argentina e México.

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Nesses países, a estratégia pensada pelo executivo é adquirir companhias do ramo, onde já há um mercado mais consolidado, como é o caso da Colômbia. Já na Argentina, onde considera o mercado “imaturo”, Bacellar pensa em fazer uma joint venture, e entrar com a marca própria no Peru e no Chile. A ideia é ainda adquirir negócios complementares ao “business core” da companhia no Brasil, como clínicas de médicos especializados em tratamentos com cannabis medicinal e farmácias especializadas na prescrição desses produtos.


Esta nota foi publicada no Broadcast no dia 28/09/23, às 10h21.

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