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Bastidores do mundo dos negócios

V.tal analisa compra da rede de fibra ótica da Ligga

Empresas assinaram memorando de entendimentos para estudar o assunto

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Por Circe Bonatelli (Broadcast)
Ligga é forte no Paraná, tanto que deu nome à antiga Arena da Baixada, estádio do Athletico-PR Foto: DIV

A empresa de infraestrutura de telecomunicações V.tal está analisando a possibilidade de aquisição da rede de fibra ótica da Ligga. As empresas assinaram um memorando de entendimento (MOU, na sigla em inglês) para fazer diligências e analisar alternativas de transações envolvendo os ativos, dentro de um processo com participação do BTG Pactual.

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A informação foi antecipada pelo BN Americas e confirmada pela Coluna do Broadcast com fontes de mercado. Procuradas, V.tal, Ligga e BTG optaram por não comentar. As conversas ainda estão no começo e não há proposta vinculativa até aqui, segundo fontes.

A V.tal, controlada por fundos do BTG Pactual, é dona da maior rede de fibra ótica do Brasil, com cerca de 400 mil quilômetros de extensão. A rede é alugada a provedores que, por sua vez, oferecem banda larga para as residências.

Ligga pertence ao fundo Bordeaux, ligado a Nelson Tanure

Já a Ligga pertence ao fundo Bordeaux, ligado a Nelson Tanure. O grupo surgiu das aquisições da Copel Telecom, Sercomtel, Horizons e Nova Fibra, e hoje detém uma rede de 50 mil quilômetros concentrada no Paraná, mas que também chega a São Paulo e Mato Grosso do Sul.

A aproximação entre as duas empresas vem acontecendo há alguns meses. Em outubro, a Ligga fechou um contrato para usar a rede de fibra ótica da V.tal e ampliar a oferta de banda larga no Paraná. Num primeiro momento, a Ligga vai crescer em Curitiba e Londrina, onde já está presente, mas sem cobertura em todos os bairros. Logo na sequência, vai entrar em Cascavel e Guarapuava, onde não tem cobertura.

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Segundo fontes, o acordo comercial vai servir como uma “prova de conceito”. Ou seja: vai mostrar para a Ligga se é viável ou não atuar sem as redes próprias.

“A Ligga e a V.tal vão aproveitar todos os parâmetros aprendidos nessas ‘provas de conceito’ do acordo comercial para estudar se tem condição de partir para o segundo passo, que seria o M&A (fusão e aquisição) de fato. Hoje não tem proposta na mesa”, explica uma fonte. “Tem um caminho grande até lá. MOU não significa nada de concreto em M&A. A transação pode acontecer, mas isso está longe no momento”, diz uma segunda fonte. “O que pode ajudar nas conversas é a proximidade entre algumas partes”, complementa, citando proximidade entre os controladores.

Competição na área e falta de crédito motivaram negociações

O que motivou o começo da conversa foi o cenário de competição crescente no mercado de internet por banda larga e a escassez de crédito para novos investimentos. Ao vender as redes, os provedores podem se concentrar na prestação do serviço, reforçando as campanhas para ganhar clientes, incluindo planos com modems mais potentes e parcerias com streaming, por exemplo. Aí a venda da fibra ajuda a reforçar o caixa e dispensar investimentos futuros na manutenção da rede. Por outro lado, viram inquilinos das redes de terceiros.

A prática deu certo para grandes teles, como Oi, Telefônica e TIM, que venderam suas redes para empresas nas quais também se tornaram sócias e clientes. A Oi é parceira da V.tal; a Vivo da Fibrasil; e a TIM da Y-Sistems. Mas para os provedores regionais, o negócio ainda não vingou. A Vero e a Alloha negociaram a cisão das redes ano passado, mas recuaram. A Desktop iniciou há alguns meses o mesmo processo, mas ainda sem desfecho.

Uma barreira para o avanço das transações com os provedores regionais é a falta de consenso sobre o valor dos ativos. Outra questão é como fica o atendimento na hora de instalar ou fazer manutenção da rede na casa dos clientes. Os provedores usam essa visita técnica para oferecer modem extra ou incentivar a migração para planos de maior valor – um processo mais difícil quando se trata de rede “alugada”.

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Este texto foi publicado no Broadcast no dia 14/11/23, às 17h50

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