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Empresas se inspiram em modelo internacional para ampliar mercado livre de energia

Empresários e consultores têm feito viagens anuais para países com mercados maduros; objetivo é adaptar iniciativas

Por Wilian Miron (Broadcast)
Atualização:

A ampliação do mercado livre de energia tem levado as comercializadoras brasileiras a buscar em outros países exemplos de negócios e produtos que podem ser replicados aqui. Para isso, uma comitiva de empresários e consultores brasileiros têm viajado todos os anos para mercados onde a modalidade está mais desenvolvida. Hoje, pelo menos 35 países têm mercado de energia com alto grau de liberalização.

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No fim de 2023, o destino da comitiva foi o Estado americano do Texas, onde a comercialização de energia é liberalizada há mais de 20 anos, e tem 85% do consumo de energia no mercado livre. Nesse período, de acordo com uma análise da consultoria Thymos, foi possível desenvolver um ambiente competitivo, com efeitos nos preços ao consumidor final e incentivos ao crescimento das fontes renováveis.

Entre 2006 e 2019, por exemplo, o Estado saiu da 40ª posição no ranking de preços de energia ao varejo, para a 14ª. “Foi uma experiência de ver o mercado livre em seu extremo, com diversos produtos e serviços sendo ofertados de maneira bem dinâmica”, disse o sócio e diretor da Thymos, Alexandre Viana.

Na avaliação dele, o momento atual das comercializadoras é incentivar a saída dos consumidores do mercado regulado, atendido pelas distribuidoras, para entrar no livre. Hoje isso tem sido feito principalmente sob o argumento de economia na conta de luz, de cerca de 35% para quem opta pela migração.

Experiências internacionais demonstram queda nos preços com aumento da concorrência no mercado de energia Foto: Daniel Teixeira / Estadão

Entretanto, nos próximos três anos, a tendência é que a maior parte dos consumidores elegíveis para fazer a migração já estarão no mercado livre, o que dará início a uma nova fase na competição por clientes, onde o ganho de eficiência e serviços de valor adicionado podem fazer a diferença.

Viana cita que no Texas, assim como no Reino Unido, algumas companhias de energia oferecem pacotes com descontos em determinados horários, serviços de medição e até parcerias com empresas de streaming, para atrair os consumidores. Ele cita como exemplo parcerias com o serviço Amazon Prime, além de pacotes com preços fixos e variáveis, ou benefícios como final de semana sem cobrança.

Competição

O executivo lembra que, no caso brasileiro, embora algumas empresas já comecem a testar produtos e serviços, a tendência é que a competição mais acirrada aconteça no futuro, quando a maioria dos consumidores com potencial de migração já tiverem deixado a distribuidora. “Em dois ou três anos já estará bem competitivo, mas hoje o foco está na aquisição do cliente.”

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No Brasil, as comercializadoras já estão se preparando para este momento e começando a desenvolver as primeiras iniciativas, como a 2W, Comerc e Delta. O vice-presidente de Finanças da 2W, André Berenguer, afirma que o objetivo é criar novos produtos para os clientes que optarem pelo mercado livre. “Além de um preço mais baixo (do que na distribuidora), a gente quer agregar mais coisas para o cliente.”

Mesmo caminho está sendo trilhado pela Comerc. O vice-presidente da comercializadora, Marcelo Avila, afirma que a empresa tem buscado parcerias para prospectar, mas também para oferecer serviços como eficiência energética.

Em relação à competição, o executivo destaca que no Brasil ela terá como diferencial o fato de o mercado aqui funcionar baseado em contratos de prazo mais longo, com mais de três anos. “Lá fora o consumidor costuma trocar mais rápido, enquanto aqui os contratos são de mais longa duração. Por isso é necessário captar a maior quantidade possível de novos contratos. E depois, num segundo momento, ficará mais forte a disputa por serviços de valor adicionado.”

Regulação

Outro aspecto considerado fundamental para a ampliação do mercado livre no Brasil é a regulação. Embora nos últimos anos tanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) quanto a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) tenham avançado para dar mais segurança às operações e para melhorar o ambiente regulatório, agentes do setor têm olhado com atenção para o que acontece no exterior e o que pode ser replicado no mercado local.

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No Texas, mais um exemplo pode ser observado: a adoção de medidas regulatórias ajudaram a estabilizar os níveis de competição, favorecendo o surgimento de inúmeras empresas fornecendo, além de energia, diversos serviços ao consumidor. Regras também foram criadas para evitar que as empresas exercessem poder de mercado e também para reduzir a volatilidade dos preços.

Lá, o consenso é que a abertura de mercado foi positiva em termos de ofertas, produtos e número de empresas atuando no mercado. Existe atualmente uma ampla oferta de fornecedores no Texas, e os resultados foram especialmente positivos entre 2002 e 2020.

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