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Professor de Finanças da FGV-SP

Por que as pessoas preferem apostar, e não investir?

Chega a 30% o porcentual de brasileiros entre 16 e 24 anos que já fizeram apostas esportivas

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Por Fabio Gallo

Nos últimos tempos fomos tomados pela mania das bets, as casas de apostas pela internet. O Datafolha divulgou recentemente um levantamento mostrando que 15% da população brasileira já fez apostas esportivas online, embora quase metade não aposte mais.

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O gasto médio mensal foi de R$ 263 por pessoa. Chama atenção que 30% dos brasileiros entre 16 e 24 anos já fizeram apostas online. As apostas online despertam o interesse de todos, desde os clubes de futebol aos ministérios, devido o monumental volume de dinheiro envolvido.

A previsão é que neste ano sejam injetados nesse mercado ao redor de R$ 2 bilhões, entre o que será pago de patrocínio aos times de futebol e ao dedicado ao mercado publicitário. Somente ao Corinthians, Flamengo e São Paulo serão pagos R$ 257 milhões.

A lei que regula esse mercado é de janeiro passado e as empresas têm até seis meses para sua regularização, atendendo diversas obrigações, tributos e outorga. Sem dúvida isso trará mais controles sobre os sites de aposta. Em 2022, segundo o portal Statista, o tamanho do mercado de apostas esportivas e loterias em todo o mundo totalizou US$ 235,5 bilhões. Admite-se que as casas de apostas fiquem entre 5% e 15% desse volume.

Cerca de 30% dos brasileiros entre 16 e 24 anos já fizeram apostas esportivas online Foto: FELIPE RAU / ESTADÃO

Há vários fatores sociais, psicológicos e culturais que podem explicar o grande interesse das pessoas em fazer apostas, além da facilidade criada pelos sites online e pela paixão pelo futebol.

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Por outro lado, estima-se que de 60% a 80% dos apostadores em esportes perdem dinheiro. Um estudo de 2020 da Universidade de Nevada descobriu que 76% dos apostadores esportivos perdem dinheiro no longo prazo.

O estudo também descobriu que o apostador norte-americano esportivo médio perde US$ 2.000 por ano. Estar frente ao risco sempre foi algo do humano. Mas, uma pergunta deve ser feita: qual o sentido de arriscar sabendo que há mais chances de perder? Aqueles que gostam de enfrentar o risco podem fazer isso de maneira muito mais apropriada investindo o seu dinheiro.

Investir e jogar envolve arriscar capital na expectativa de obter lucro. Mas, não podemos confundir as duas coisas. O jogador tenta a riqueza instantânea e tem menos formas de mitigar o risco. O investidor busca minimizar o risco, ao mesmo tempo que maximizar o retorno. Para isso é necessário planejamento, dedicação e conhecimento. O tempo está a favor do investidor e não do apostador.

Hoje uma aplicação no Tesouro Direto oferece ganhos acima de 5,4% ao ano mais a correção pelo IPCA, sem colocar o dinheiro em risco. Para aqueles com maior apetite ao risco investir em ações pode trazer muitas emoções, mas com conhecimento e prazo os riscos podem ser reduzidos. Investir é saber balancear risco e retorno, mas sem perder a emoção.

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