Farmácias independentes se unem para evitar avanço da concentração no varejo de medicamentos

Sete grupos de franquias e redes associativistas, que faturam R$ 5,6 bilhões, criam nova entidade, a Fecofar; intenção é ter mais poder de barganha com a indústria e ganhar competitividade

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Por Márcia De Chiara
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Sete grupos de farmácias, formados por redes associativas e de franquias, decidiram se unir para ganhar musculatura, a fim de concorrer com as gigantes do varejo farmacêutico brasileiro e evitar o avanço da concentração no setor.

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Depois de quatro anos de estudo, o projeto da Federação do Comércio Farmacêutico (Fecofar) sai do papel. Vai ter escritório em São Paulo e equipe própria para tocar a rotina operacional comum às empresas.

Inicialmente, a entidade vai operar a compra conjunta de medicamentos com as grandes indústrias. Isso poderá reduzir entre 7% e 15% os preços ao consumidor, prevê Marcelo Grasso, presidente da Fecofar.

Redes planejam comércio eletrônico comum

O plano da entidade, a médio prazo, é estruturar um comércio eletrônico comum das sete empresas e ter interlocução com o governo nos temas pertinentes do varejo farmacêutico. Além disso, quer capacitar funcionários varejistas para competir com as grandes redes.

Farmais é uma das sete empresas que fazem parte da nova entidade do varejo farmacêutico Foto: ROBSON FERNANDJES / AE

“Não queremos chegar à concentração dos Estados Unidos, isso não traz benefícios para o cliente final”, afirma Grasso, que também é CEO da Masterfarma. A empresa é uma rede associativa com mil lojas e faturamento de R$ 1,3 bilhão.

Além da Masterfarma, integram o projeto duas redes associativas, o grupo AMR e a Redemed. Na rede associativa, cada varejista é dono da sua loja, mas sob uma bandeira única.

Também estão no grupo quatro redes de franquias: Farmais, Farmácias São Rafael, Drogarias Max e Rede Multidrogas. Juntas, as sete faturam anualmente R$ 5,6 bilhões, com 3,2 mil lojas em 24 Estados.

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Nos EUA, 78% do varejo farmacêutico estão nas mãos de duas empresas: CVS e Walgreens, observa o executivo. No Brasil, o mercado ainda é pulverizado. De cerca de 95 mil lojas, as grandes redes respondem por 15%.

Em faturamento, no entanto, as grandes redes detêm 45% das vendas, segundo dados do primeiro semestre deste ano da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma). As sete empresas reunidas na Fecofar não participam da Abrafarma, que tem 27 redes de farmácias associadas.

Grasso diz que as indústrias consideram a iniciativa positiva para reduzir a força das grandes redes nas negociações. Ele acrescenta que os fabricantes e distribuidores pretendem ajudar a manter financeiramente a Fecofarma.

Procurado, o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, disse, por meio de nota, que “a nova entidade segue a dinâmica competitiva do mercado farmacêutico, pautado na livre concorrência e na busca de oportunidades que melhorem o desempenho das empresas e beneficiem o consumidor”.

A Abrafarma informou, por meio de sua assessoria, que não se manifesta sobre outras entidades do setor.

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