Fitch melhora classificação de risco soberano do Brasil e eleva rating de ‘BB-’ para ‘BB’

Agência de classificação de risco diz que houve melhora no desempenho macroeconômico e fiscal do País acima do esperado

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Por Gabriel Bueno da Costa e Sergio Caldas
Atualização:

A agência de classificação de risco Fitch anunciou hoje, 26, que elevou o rating soberano do Brasil, de BB- a BB, com perspectiva estável. A mudança coloca o País dois degraus abaixo do cobiçado grau de investimento, perdido em 2015, durante o governo Dilma Rousseff. O ministro da Fazenda Fernando Haddad comemorou a revisão da nota, mas disse que, pelo tamanho do Brasil, não “tem cabimento o País não ter grau de investimento”.

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Segundo a Fitch, a mudança decidida agora reflete “um desempenho macroeconômico e fiscal melhor que o esperado”, em meio a “choques sucessivos em anos recentes”, com políticas proativas e reformas que têm apoiado isso. A agência cita também a expectativa de que o novo governo trabalhará por mais melhorias na economia, com reformas importantes para lidar com “desafios econômicos e fiscais”.

O movimento da Fitch foi iniciado há pouco mais de um mês, quando a Standard & Poor’s revisou as notas do Brasil, de perspectiva estável para positiva, o que não ocorria desde 2019. Agora falta uma movimentação da Moody’s, a terceira agência mais importante nesse quesito.

O ranting é uma nota que qualifica o grau de risco de um emissor de título. Quem tem tem grau de investimento está na lista dos bons pagadores, ou seja, representa menos risco para os investidores. Apesar da melhora, a nota do Brasil ainda indica nível especulativo. Na Fitch, o selo de bom pagador é conquistado quando uma nação alcança a nota BBB-, duas notas acima da conquistada pelo Brasil hoje.

Selo de bom pagador

Mas o País já esteve na elite dos emissores de títulos. Em 2008, no segundo mandato do governo Lula, o Brasil conseguiu a tão sonhada nota. Na prática, isso significa abrir as portas para receber uma série de investimentos de peso que hoje não vem para o País por causa do risco. Alguns fundos de pensão estrangeiros, por exemplo, só podem investir em países que tenham grau de investimento.

O Brasil ficou no grupo de bons pagadores por cerca de sete anos, o que coincide com altas taxas de crescimento interno. Mas, em 2015, durante o governo Dilma Rousseff, o País perdeu o selo de qualidade em meio a uma série de crises internas, como a Operação Lava Jato, recessão econômica e aumento do endividamento.

Motivos para a melhora na nota

Na avaliação da Fitch, o cenário tem mudado lentamente. Apesar de o novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva promover um distanciamento da agenda econômica liberal de governos anteriores, a agência espera “pragmatismo” e que freios e contrapesos institucionais mais amplos impeçam desvios “radicais” nas frentes macro e microeconômicas.

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A Fitch argumenta que a posição fiscal do País se deteriora em 2023, após melhora anterior, mas ela espera que as novas regras fiscais e medidas tributárias ancorem uma “consolidação gradual”. Ela projeta ainda que a relação entre dívida e PIB do País cresça, mas a um ritmo mais lento e de um ponto de partida muito melhor que o antes previsto.

Agência melhorou rating de BB- para BB Foto: JESSICA RINALDI / Reuters

A agência vê os ratings do Brasil apoiados por “sua economia grande e diversa”, renda per capita elevada, e por mercados domésticos arraigados e um grande colchão financeiro, que apoiam a flexibilidade do financiamento soberano e sua parcela elevada de dívida em moeda local”.

O comunicado diz ainda que os ratings são apoiados por capacidade de absorver choques, baseada por um câmbio flexível, reservas internacionais “robustas” e uma posição de credor externo líquido soberano. Por outro lado, eles são contidos pela alta dívida do governo, pela rigidez fiscal, pelo potencial de crescimento “fraco” e por métricas de governança “relativamente baixas”.

Revisão do crescimento econômico

Junto com a elevação do rating, a Fitch reviu a previsão de crescimento do Brasil em 2023 de 0,7% para 2,3%. A explicação é que a atividade econômica segue amparada pelo bom volume de produção agrícola, pelo mercado de trabalho aquecido, pelo crescimento do crédito e pelos gastos do governo.

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Esses fatores agem em contraponto ao resfriamento do consumo causado pela política monetária restritiva, diz a agência.

Para 2024, a previsão da Fitch é de que o ritmo de crescimento do Brasil diminua para 1,3%, dada a expectativa de normalização da produção agrícola, e nos anos seguintes a projeção é de que a taxa de expansão da economia convirja a 2,0%.

A agência apontou que o governo espera um crescimento de 2,6% para a economia brasileira no médio prazo, mas considera que “ainda não está claro se será possível avançar com uma agenda econômica suficientemente potente” para alcançar este objetivo.

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