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Diretora do FMI elogia controle inflacionário do Brasil e reforma tributária ‘histórica’

Kristalina Georgieva diz que é crucial que os países elevem a receita e combatam ineficiências; segundo ela, País tem mostrado liderança nesta área, com sua reforma tributária

Por Gabriel Vasconcelos (Broadcast)
Atualização:

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, recomendou que os bancos centrais mantenham o foco em “terminar o trabalho” de levar a inflação à meta. Durante discurso na reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G-20 em São Paulo, ela diz que será preciso avaliar com cuidado quando e em que nível reduzir juros mais adiante, para se garantir inflação na meta.

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Além disso, ela menciona o Brasil como exemplo positivo, por ter elevado juros cedo para controlar o quadro inflacionário. Georgieva ainda destaca a reforma tributária brasileira recente como caso de sucesso.

A executiva diz que os bancos centrais estão corretos em ter como foco garantir que a inflação retorne à meta. “Isso é especialmente importante para famílias pobres e países de baixa renda que têm sido atingidos de modo desproporcional pelos preços elevados”, afirmou. Ela disse que o núcleo dos preços segue elevado em muitos países e acrescentou que continua a haver riscos de alta na inflação. Com isso, as autoridades responsáveis “precisam monitorar com cuidado os acontecimentos na inflação subjacente e evitar relaxar muito cedo ou muito rápido”.

Diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva. Foto: Jonathan Ernst/Estadão

No discurso, Georgieva diz que é crucial que os países elevem a receita e combatam ineficiências. O Brasil “tem mostrado liderança nesta área, com sua reforma tributária histórica”, destacou. “Mas muitos países estão para trás, com espaço para ampliar suas bases tributárias, fechar brechas e melhorar a administração tributária”, afirmou Georgieva.

Ela defendeu que as nações busquem sistemas tributários “mais inclusivos e transparentes”, a fim de garantir que a arquitetura tributária internacional leve em conta os interesses dos países em desenvolvimento.

“Mas onde a inflação está claramente se movendo para a meta, os países devem garantir que as taxas de juros não fiquem elevadas por muito tempo”, acrescentou. “A resposta antecipada e resoluta do Brasil à inflação em alta durante a pandemia é um bom exemplo de como uma formulação de política ágil compensa”, afirmou. “O Banco Central do Brasil esteve entre os primeiros a elevar suas taxas de juros, então relaxou a política conforme a inflação retornava à meta”, elogiou.

G20 precisa de ousadia para impulsionar PIB global no médio prazo

A diretora do FMI pediu aos integrantes do G-20 “ousadia” para melhorar as perspectivas de crescimento no médio prazo, com vistas e um futuro “mais equitativo, próspero, sustentável e cooperativo”.

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Georgieva nota que a reunião das autoridades ocorrerá no Pavilhão da Bienal, na cidade brasileira, “desenhado pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer”. As “linhas fluidas e a fachada impressionante” do prédio de Niemeyer são citadas como “um monumento à ousadia do Brasil moderno”. E a diretora-gerente do FMI diz que gostaria que o G-20 “se inspirasse nesse marco e também agisse com ousadia”. Ela recorda que houve melhora recente nas perspectivas de crescimento de curto prazo, o que daria aos líderes do grupo uma oportunidade de retomar impulso político por propostas para o futuro.

O FMI projeta que o mundo crescerá 3,1% neste ano, com inflação em queda e o mercado de trabalho se sustentando. Segundo ela, algumas tendências atuais, como o uso de inteligência artificial (AI), podem impulsionar a produtividade e melhorar as perspectivas de crescimento. “Nós precisamos muito disso - nossas projeções de crescimento de médio prazo têm recuado a mínimas em décadas”, afirmou.

Georgieva diz que o crescimento baixo afeta a todos, “mas têm implicações particularmente perturbadoras para os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento”. Ela também menciona a fragmentação geoeconômica, que tem crescido, o que afeta o comércio e os fluxos de capital. Além disso, os riscos climáticos aumentam e já afetam o desempenho econômico, da produtividade agrícola à confiabilidade do transporte e à disponibilidade e ao custo de seguros, lista. “Esses riscos podem frear regiões com o maior potencial demográfico, como a África Subsaariana.”

A diretora-gerente do FMI ainda destaca em sua fala a agenda do Brasil no comando do G-20. Segundo ela, essa agenda traz itens cruciais, como inclusão, sustentabilidade e governança global, “com uma bem-vinda ênfase em erradicar a pobreza e a fome”. Ela disse que o FMI “trabalha para apoiar essa agenda ambiciosa”.

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Com a inflação perdendo fôlego e economias mais bem posicionadas para absorver uma postura fiscal mais apertada, “chegou o momento de um foco renovado em reconstruir colchões contra choques futuros”, recomenda Georgieva. Ela pede que se contenha o aumento da dívida pública e se crie espaço para novas prioridades de gastos. “A espera pode forçar um ajuste doloroso mais adiante”, adverte. “Mas, para os benefícios serem duradouros, o aperto deve ocorrer em um ritmo cuidadosamente calibrado”, acrescenta.

Georgieva pede um foco na cooperação, para lidar com a fragmentação geoeconômica e revigorar o comércio, maximizar o potencial da AI sem elevar a desigualdade, evitar gargalos em dívida e responder a mudanças climáticas.

Sede do Banco Central em Brasília.  Foto: André Dusek/Estadão
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