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Galípolo diz ser a favor de manter reservas cambiais como ‘defesa’ para o País

Para diretor do Política Monetária do Banco Central, Brasil não precisa usar o estoque das reservas para constituir um fundo soberano

Foto do author Eduardo Laguna
Por Eduardo Laguna (Broadcast)
Atualização:

SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) – O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, defendeu na noite da sexta-feira, 23, a manutenção das reservas internacionais, que, segundo ele, representam uma linha de defesa do País a choques externos.

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“Sou defensor de que devemos preservar as reservas”, respondeu Galípolo ao ser questionado sobre a utilização de uma parte das reservas em palestra na Universidade Federal do ABC.

O diretor do BC ponderou que o Brasil não precisa usar o estoque das reservas para constituir um fundo soberano. “Posso comprar dólar (para formar fundo soberano). Não mexeria em redução do volume das reservas em momento de tensões geopolíticas”, reforçou.

Ele pontuou que a redução do diferencial dos juros do Brasil frente aos juros pagos pelos títulos dos Estados Unidos, aonde as reservas estão aplicadas, reduziu o custo de carregamento das reservas.

Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária do Banco Central, defende a manutenção das reservas cambiais Foto: Washington Costa/ Ministério da Fazenda/ Divulgação

Durante o evento, Galípolo fez ainda comentários sobre a menor participação de investidores estrangeiros no financiamento da dívida pública, fato que, observou, ajudou a diminuir a volatilidade na curva de juros dos títulos do Tesouro negociados no mercado. “A gente sempre diz: ‘ah, falta investidor estrangeiro aqui’. Neste momento, neste ano especificamente, o fato de não ter uma participação tão grande de estrangeiros segurando a dívida pública causou menos volatilidade para o Brasil.”

Segundo o diretor do BC, a volatilidade do câmbio produz oscilação na curva longa de juros quando há muitos investidores estrangeiros posicionados em títulos públicos. Isso porque a desvalorização cambial obriga eles a vender os títulos, causando “boa volatilidade na curva”.

Protagonismo do Brasil

Lembrando das reuniões do G20 presididas pelo Brasil neste ano, o diretor de Política Monetária do Banco Central ressaltou também que o País pode se colocar não apenas como oportunidade de investimento, mas também como um porta-voz de mudanças políticas na arena internacional.

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Ao levantar, durante o evento, questões que podem ser colocadas em debate pelo Brasil, Galípolo lembrou que a disparada no valor de rolagem das dívidas de economias desenvolvidas – como resultado dos gastos na pandemia, seguidos por elevação de juros – levou a uma alta nos retornos (yields) dos títulos de países ricos, em especial os Estados Unidos. Essa abertura nas taxas das economias desenvolvidas puxou as demais do resto do mundo, elevando o custo de financiamento nas economias emergentes, ainda que elas tenham promovido estímulos fiscais menores na crise sanitária.

“Vão (os emergentes) pagar juros mais caros que os avançados ... e os países que nem fazem parte do grupo de emergentes vão pagar ainda mais. Então, o custo de se financiar nesses países está subindo muito. Esses países são, em boa parte, exportadores de commodities, prejudicados pela transição climática”, comentou o diretor do BC.

“Então, existem questões complexas que talvez permitam ao Brasil se apresentar não só como um polo de atração de investimentos, mas também ser um porta-voz do ponto de vista de mudanças políticas nessa negociação internacional, ou pelo menos tentar provocar esse tipo de discussão”, complementou.

Preocupação com investimento

Assim como já havia feito na quinta-feira, 22, o diretor do BC voltou a manifestar preocupação com a queda da taxa já historicamente baixa de investimentos, seja por efeitos defasados do ciclo anterior de aperto monetário, seja por incertezas tanto domésticas quanto externas. Se o investimento não volta a subir, frisou, o crescimento do País puxado pelo consumo encontrará em algum momento um teto.

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Apesar disso, ele reafirmou as vantagens do Brasil para atrair investimentos gerados pela reorganização das cadeias de produção e pela transição energética. Nesse ponto, elencou o estágio da política monetária, com os juros agora em queda, a posição privilegiada das contas externas, graças aos resultados robustos da balança comercial, e a condição do País de exportador líquido de petróleo, o que representa uma proteção relevante num mundo de múltiplas tensões geopolíticas.

“Por que eu acho que existe uma oportunidade para o Brasil? Porque mesmo num cenário internacional mais adverso nos próximos anos, o Brasil, comparado a seus pares, apresenta vantagens comparativas bastante significativas

Referindo-se ao lançamento, a ser feito na segunda-feira, 26, da proteção cambial a investimentos da agenda verde, Galípolo disse que parte dos anúncios do G20 devem envolver mecanismos de financiamento que possam colaborar para a chamada neoindustrialização. Ele pontuou que é muito difícil para um investidor traçar um plano de negócios capaz de suportar as oscilações cambiais que já aconteceram no Brasil.

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