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Guedes desconversa sobre pressão para fatiamento de ministério: 'Conversa fiada'

Aliados políticos estariam cobrando Bolsonaro para desmembrar o Ministério da Economia e recriar a Secretaria da Previdência e o Ministério de Desenvolvimento, que seriam entregues ao Centrão

Foto do author Marlla Sabino
Por Marlla Sabino e Idiana Tomazelli

BRASÍLIA - Em meio à pressão do Centrão para fatiar o Ministério da Economia e recriar as pastas do Trabalho e da Indústria, Paulo Guedes buscou hoje desconversar sobre a possibilidade. “Não existe isso. É conversa fiada”, disse o ministros na chegada à Câmara dos Deputados para participar do lançamento da agenda legislativa da reforma administrativa.

Como mostrou o Estadão, aliados políticos do presidente Jair Bolsonaro intensificaram a cobrança sobre o governo para um desmembramento de parte do Ministério da Economia. A discussão gira em torno da separação da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho da pasta e a recriação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, para ser entregue ao Centrão.

'Não existe isso. É conversa fiada', disse Guedes sobre possível desmonte do Ministério da Economia. Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

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No Palácio do Planalto, como mostrou a reportagem, já se fala no planejamento de uma “pequena reestruturação”. Apesar da ameaça de Paulo Guedes perder o status de superministro, auxiliares do presidente dizem que ele segue tendo o respaldo do governo.

Na live semanal que faz, o presidente disse que a informação tem o intuito de "desgastar" Guedes. "É pra tumultuar, é pra tentar desgastar o Paulo Guedes, como se eu tivesse fazendo as coisas por trás dele”, disse. "Não existe da nossa parte interesse em recriar qualquer ministério", completou. 

A volta do Ministério de Trabalho e Previdência, antecipada pelo site Poder360, e a recriação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior vêm sendo discutidas desde o início da aliança do Centrão com o presidente Jair Bolsonaro, que se intensificou durante a pandemia e mudou a articulação do governo no Congresso.

A reforma ministerial começou a ser comunicada por líderes do governo, segundo relatos de interlocutores ao Estadão. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), também tem acompanhando as conversas de perto e fazendo sondagem entre parlamentares sobre quem poderia ocupar as novas pastas de Trabalho e Indústria.

Um dos secretários de Guedes, Carlos da Costa, foi indicado pelo governo à presidência do braço de investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o que poderia abrir a oportunidade para as mudanças. / Colaboraram Emilly Behnke, Nicholas Shores e Daniel Galvão.

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