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Home office muda alta temporada nas praias

Hospedagens e comércio veem movimento incomum para esta época do ano e ampliam oferta com produtos mais sofisticados

Por Lílian Cunha e Renée Pereira

A movimentação que os novos turistas digitais trouxeram tem feito o comércio de muitas cidades crescer. “Maio, abril e junho sempre foram os piores meses por aqui, independentemente da pandemia”, conta Edson Campos Carvalho Júnior, dono da rede de supermercados Preço Bom, de Trancoso.

“Agora, é só uísque, champanhe, azeite caro e muçarela de búfala. Tivemos até de aumentar o mix de produtos para atender esse novo consumidor, que é mais exigente. E as vendas estão semelhantes às de um período pré-verão”, diz ele, que tem três lojas e abriu uma quarta em Caraíva, na mesma região. “E o movimento nessa nova loja está surpreendendo positivamente.” 

Mateus Leão, de Alto Paraíso de Goiás, diz que está tudo lotado Foto: Flavia Davies/Estadão

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Lugares mais no coração do Brasil também estão mudando de cara com os “migrantes digitais”. Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros, por exemplo, era para estar bem pacata e vazia nesta época do ano.

Desde o início da pandemia, porém, o município ganhou um ritmo diferente, com pessoas novas, conforme observa o brasiliense Mateus Leão, de 29 anos, dono da pousada Capim Canoa. “Nessa época do ano, a cidade estava bem mais vazia. Agora está tudo lotado.” Sua pousada tem quatro “flats” e duas casas de aluguel. Todas ocupadas no momento.

Para atrair mais executivos e família em home office, ele decidiu investir na infraestrutura dos alojamentos. Além de aumetnar a capacidade da internet, melhorou a iluminação e equipou os imóveis com mesas e cadeiras de escritório. “Assim, conseguimos aliar uma boa estrutura para trabalho num ambiente que permite o contato com a natureza”, diz ele.

Mariana abriu restaurante em Alto Paraíso de Goiás, em 2020 Foto: Flavia Davies/Estadão

Nos restaurantes, que em outras cidades estão tendo muita dificuldade, o cenário é bem mais animador. “Hoje tem até fila de espera”, diz a geógrafa Mariana Pavezzi, moradora de Alto Paraíso de Goiás desde dezembro de 2018. Ela abriu seu restaurante de comida afetiva, o Benzim, no ano passado, após a quarentena. Não esperava que a receptividade fosse tão boa num período difícil como esse de coronavírus. Mas se surpreendeu.

“Recebemos novos moradores e o turismo está muito forte, o que tem impulsionado novos estabelecimentos no local, como lojas de artesanato e de equipamentos para caminhada”, conta ela, que dava aulas em Brasília e Goiânia. Ela deixou tudo para trás para vender bolo e doces na feira na pequena cidade de 6 mil habitantes. No ano passado, depois do lockdow do primeiro semestre, ela viu a oportunidade que tanto esperava. Com o fechamento de vários estabelecimentos comerciais, conseguiu um imóvel na avenida principal da cidade para montar seu restaurante de comida afetiva.

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Escritório na praia

Outro lugar que está movimentado é Trancoso. O movimento de jatinhos no aeroporto local não para. Executivos e empresários transformaram o balneário em uma espécie de “cidade-escritório”.

“Outro dia tinha um professor da Fundação Getúlio Vargas dando entrevista online ao vivo para uma rede de TV nacional, aqui do meu bar, com o mar de cenário”, conta Júnior Fernandes, proprietário do Flyclub Trancoso, uma das barracas de praia mais famosas do destino turístico.

Em anos normais, segundo ele, a barraca estaria fechada nos meses de maio e junho, fase de baixa temporada. “Agora, não tem mais isso. Fico aberto direto. É movimento de fim de semana e de segunda à sexta”, relata o comerciante. 

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